Ads Top

Chegamos ao fim desta jornada



Um dia que não era esperado chegou. Como quase tudo na vida, este blog chega hoje ao seu fim. Um fim que foi postergado por muitas e muitas vezes, mais precisamente desde o ano passado - quando alguns compromissos profissionais começaram a pesar na rotina de manutenção deste espaço.

Não foi só isso, é claro. Havia certo cansaço, certa falta de comprometimento com algo que já não dava mais tanto prazer. Desde que iniciei o blog em meados de 2012 ainda como página. No início se chamava Veritas, mas quando os textos ficaram maiores aproveitei para homenagear o lendário Nelson Rodrigues. A escolha foi definitiva para o blog. Muitos acreditavam de fato que este blogueiro era um reacionário por definição. Muitos vinham ao blog exatamente por isso, indo embora de forma ruidosa quando não encontravam a esperada confirmação de viés. Outros nem vinham pelo mesmo motivo.

Evidente que o blog tinha a proposta de tratar de vários assuntos que estivessem na ordem do dia, esmiunçando certas nuances e provando que nem tudo era tão simples como parecia a primeira vista. O caráter um tanto quanto passional do autor colaborou, uma vez que sempre tive língua ferina e um gosto peculiar por adjetivos (me provocaram certos dissabores).

Foi uma jornada memorável. Textos publicados aqui apimentaram debates, algumas publicações chegaram a números surpreendentes para uma página tocada pelo exército de um homem só. Aqui cabe dizer que o blog já teve vários colaboradores que em algum momento contribuíram mas que tiveram que seguir com suas vidas. Agradeço em especial aos amigos Vitória Santos, Ian Maldonado, Cauê Del Valle, Felipe Lomboni, Renato Battista e Thomaz Henrique Barbosa. Não ficaram o tempo que eu gostaria mas o suficiente para me lembrar com gratidão. Agradeço também aos que de alguma maneira me ajudaram a divulgar este trabalho, aos que encorajavam, aos que criticavam. Como estes felizmente são muitos poderei cometer alguma injustiça mencionando nomes - mas assim como o Corinthians todos estarão eternamente em meu coração rs

Devo dizer que não esperava que o blog chegasse a este tamanho. Mas não foi esta a única mudança. Quando comecei este blog o Brasil era outro. Vivíamos o regime petista, Dilma havia sido eleita em 2010 e tornaria a ser conduzida ao poder pelas urnas em 2014. Este blog testemunhou tudo isso. Quando começamos não havia esperança de nos livrarmos daquela escória. Depois disso ainda testemunharíamos um impeachment, o governo Temer e mais recentemente a eleição de Jair Messias Bolsonaro.

Evidente que não foi só o país que mudou. Quando comecei o blog não passava de um garoto pentelho ainda cursando a graduação. De lá para cá passei para a Ciência Política e Administração Pública, agora flertando com a Teologia. No início do blog havia um resquício de admiração adolescente por figuras controversas e autoritárias como Augusto Pinochet e Francisco Franco. Mesmo conservador e cristão declarado não passava de um protestante não-praticante eivado de niilismo. Aqui cabe dizer que fui alcançado pela misericórdia de Deus, pude perceber inclusive que estava longe de ser a pessoa perfeita que eu julgava ser. Talvez isso tenha afetado também a visão do que é ser conservador, sobretudo qual é a missão do homem na terra. Certamente a minha estava equivocada.

Para não tomar mais o tempo dos senhores, devo dizer que sinto que a missão foi concluída. Encerro esta etapa sem arrependimentos. Alguns erros foram cometidos, algumas opiniões mudaram, o radicalismo se foi. Finalmente segui o conselho do próprio Nelson para os jovens: envelheci. Quase aos trinta anos observo o mundo de maneira radicalmente oposta a do moleque que julgava saber de tudo. Já não sonho com revoluções de nenhuma ordem, nem com os messianismos tão sedutores aos nossos ouvidos vindo daqueles com as quais convergimos na maioria das vezes. Se em algum momento cheguei a me iludir com supostas defesas do Ocidente hoje a maior ambição é cuidar da minha própria vida antes de querer mudar o mundo. Como diria Chesterton, "a coisa mais extraordinário do mundo é um homem comum, uma mulher comum e seus filhos comuns". Isso não quer dizer que abandonei este ofício, apenas que este espaço estará encerrado e que esta linha editorial não será mais seguida. O Reacionário cumpriu sua missão. A pintura que ilustra este texto diz muito sobre esta trajetória. A obra é do anglo-americano Thomas Cole, o título é "O Peregrino da Cruz no fim de sua jornada". Nesta etapa que se encerra só posso agradecer a Deus por me conduzir até aqui.

Não é possível encerrar sem lembrar a música que Claude François e Gilles Tibaut compuseram de forma tão brilhante, mas que se tornou conhecida mesmo pela interpretação de Frank Sinatra. Tá, é piegas. Mas como o que tinha que ser provado o foi durante os últimos seis anos, logo não hei de preocupar com sofisticação numa hora dessas. De qualquer forma nos encontraremos em outras circunstâncias. 

Eric Balbinus de Abreu.

I've loved, I've laughed and cried
I've had my fill, my share of losing
And now, as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way
Oh no, oh no not me
I did it my way






Tecnologia do Blogger.