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O Namorado branco da Feminista Preta e o ódio dos que contemplam o abismo



A cantora Karol Conka divulgou em suas redes seu novo relacionamento, e isso foi o suficiente para que ela fosse detonada por milicianos identitários. Em meio a tantos impropérios, se destacaram os que se referiam a "palmitagem" da moça - ou seja, a escolha de negros por pessoas brancas (o que para muitos sectários do movimento negro é visto como alta traição).

O caso é tão complexo e simbólico quanto o ocorrido com os rappers Emicida e Criolo. Tanto um quanto outro foram defenestrados por namorarem moças brancas, sendo que Criolo foi o que mais se acovardou: ele simplesmente nunca mais divulgou ou fez referência a sua namorada (que na opinião deste blogueiro deveria pular fora. Um homem que é incapaz de defender sua companheira não merece estar a seu lado). 

Mesmo sendo feminista e viciada em lacração e "crítica social foda", absolutamente nada que tenha sido dito pela cantora Karol justifica a perseguição e difamação da qual ela é vítima. A única coisa que é inegável nesta história é que este constrangimento só ocorreu por conta da militância na qual ela tomou parte, uma militância sectária que não busca exatamente a promoção de direitos civis e conquista de espaços para os negros e sim o revanchismo puro e simples. 

Ao tomar parte de forma acrítica em um discurso inflamado que ignora o processo histórico e se fundamenta em narrativas políticas em detrimento dos fatos, a cantora acabou se colando a um discurso radical e virulento que não busca conciliação e integração, mas sim a promoção do ódio e a vingança. Esta militância rendeu muito a cantora, incluindo prestígio e um público cativo. No entanto ela se tornou escrava destas opiniões, sendo punida por ela no dia em que cometeu a heresia de se relacionar com quem bem entendesse. 

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Isso não acontece só com Karol. Em tempos de internet e novas plataformas, o que não falta no debate público são figuras que crescem com públicos eivados de insatisfação e ódio. Normalmente sectários, estes movimentos levam pessoas ao estrelado mas depois lhes cobram a alma. O indivíduo se torna refém do algoritmo e das bolhas. Quando se dá por si ele já não é um indivíduo formador de opinião, mas um mero boneco de ventríloquo de causas inconfessáveis. 

Karol pode nunca ter falado em "palmitagem" ou "solidão da mulher negra", mas se colocou ao lado de vozes que pregavam este tipo de divisão. Notem que este não é um discurso aceitável sob nenhuma hipótese. Não é um discurso que fortaleça a comunidade negra, mas sim um discurso que fomenta a própria divisão e cujo alvo são os próprios negros - agora reduzidos a gado em um curral ideológico. É como se ser negro fosse o mesmo que ser membro de uma seita, sendo o infiel condenado a fogueira para expiar seus pecados. 

Mas o que dizer de quem prega estas coisas? É evidente que há razão em demandas do movimento negro. O Brasil ainda é um país com desigualdades sociais gritantes, em que os negros sofrem com a falta de acesso a educação, saneamento básico, melhores oportunidades no mercado de trabalho e em alguns casos até com violência policial. No entanto estas coisas não se resolvem fermentando o ódio. Jordan Peterson argumenta nas 12 Regras que a interpretação que o indivíduo tem da realidade depende de onde ele foca seu olhar. Se o indivíduo focar nos aspectos negativos de sua vida sua visão sobre a própria existência será obscura, e certamente é isto que se dá com alguns destes militantes inflamados que passam a entender estes contextos sociais não como desdobramentos do processo histórico mas sim como uma luta entre o bem e o mal (da qual eles são vítimas). Outros ainda são simplesmente pérfidos. E há uma outra porção bem representativa que incapaz de reagir as injustiças da qual foi vítima acabou assimilando o mesmo veneno de seus algozes. Contemplaram tanto o abismo que ele os contemplou de volta.

A propósito, aproveite que a discussão é esta e confira abaixo o curso do Professor Paulo Cruz sobre o racismo no Brasil.

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O Brasil é um país Racista? O professor Paulo Cruz explica:


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