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O "ambientalismo conservador" de Roger Scruton é exótico no Brasil, mas não é difícil de ser implementado




Ontem a revista Época publicou uma primorosa (ainda que curta) entrevista com o filósofo Roger Scruton. No decorrer da conversa foi perguntado o que o inglês achava do governo Bolsonaro, no que o autor saiu pela tangente de forma polida alegando não conhecer o suficiente - mas que admirava suas posições em prol do empreendedorismo ao mesmo tempo em que se preocupava com suas políticas ambientais. (A entrevista é exclusiva para assinantes e pode ser lida na íntegra aqui).

As perguntas em questão foram estas:

O que seria uma abordagem conservadora em relação ao meio ambiente?
É dizer que o meio ambiente é nossa responsabilidade e que precisamos, como cidadãos, nos juntar para preservá-lo. Não devemos deixar ao Estado, ou a multinacionais, nem nada disso, embora sejam importantes. Um dos grandes problemas ambientais é que tentamos afastar o problema de nós, nós o jogamos para o Estado, achando que ele vai tomar conta disso, e o Estado não faz isso.
E quando se trata de algo que não está tão perto de nós, como a Amazônia?
Esse é um grande problema que os brasileiros têm, e que também nos afeta, porque a Amazônia é muito importante para todo o planeta. Vocês têm de se unir a outras pessoas para fazer o possível para protegê-la. É um assunto da sociedade civil, não tanto questão do Estado. O Estado responderá se as pessoas mostrarem que se importam.
Mas o Estado tem um papel a desempenhar?
Ele tem, quando é algo tão grande, porque eu e você não podemos ir até lá e cuidar da Amazônia. O Estado pode estabelecer instituições para monitorar e preservar, e aí por diante, algo que todos os Estados fazem. Sempre há parques nacionais. Minha visão é que deveria haver um acordo internacional para manter a Amazônia como um parque nacional brasileiro mantido por todos os países que têm interesse lá. Abordagens globais às vezes são necessárias, porque nem sempre é possível garantir uma abordagem nacional. Não há como limpar os oceanos, tampouco, se não tivermos uma abordagem global.

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Bom, isso não deveria causar assombro algum. Não há como ser conservador sem se preocupar se o legado que recebemos de nossos antepassados será transmitido aos nossos descendentes. Não é coerente pregar esta doutrina ao mesmo tempo em que se defende o consumo predatório dos recursos naturais. E o que é mais óbvio ainda: é perfeitamente possível comungar desenvolvimento com sustentabilidade.

O problema no debate público brasileiro é que nossa direita nativa tem certa ojeriza a este tema. Não só a este como a outras pautas defendidas pelas esquerdas que provocam urticária em nossos conservadores, libertários e liberais. Claro que nem sempre é por maldade: ainda falta muito para que nossa jovem direita se desenvolva, e isso passa necessariamente pelo desenvolvimento de grupos de estudo independentes que reflitam os valores das diversas correntes ao mesmo tempo em que se fomenta a difusão das diversas literaturas produzidas mundo afora.

Também é necessário que nossa Direita fomente mais o debate, visto que ainda permitimos que as esquerdas mantenham setores e pautas como suas trincheiras - mesmo sem ter qualquer mérito na questão. Neste sentido o conservacionismo está ao lado dos direitos civis. O que não falta em nosso debate são autoproclamados defensores dos Direitos Humanos ostentando os símbolos da foice e do martelo. E isso só acontece porque nós condescendemos. E de uma maneira um tanto quanto pavloviana acabamos caindo no dilema de não defender ou abordar certos assuntos por serem considerados de esquerda, reagindo como autômatos quando instados a estes debates.

O que é positivo é que de forma pragmática o conservador não precisa esperar que a Direita tupiniquim amadureça para se envolver nestas questões. É mais que sabido por nós que o avanço e estabilidade do Estado são decorrentes de uma sociedade virtuosa, logo não precisamos de esperar que um líder político ou um acadêmico desenvolva estratagemas sofisticados para atuarmos. Basta nos preocuparmos com nossas matas, cuidarmos da vegetação nativa de nossas cidades, reflorestarmos trechos de nossas propriedades e sobretudo ensinarmos a importância deste patrimônio para nossos filhos. A propósito, escrevi a respeito disso em uma publicação no Facebook feita há algum tempo que reproduzirei logo abaixo.




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