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Deltan diz que Bolsonaro, STF e Congresso ameaçam a Lava Jato. E agora, Jair?



As coisas realmente não estão boas para o presidente Jair Bolsonaro. Como se não bastasse toda a dor de cabeça envolvendo a crise das queimadas na Floresta Amazônica, o presidente teve que ouvir da boca do procurador federal Deltan Dallagnol que ele representa uma ameaça ao combate a corrupção junto com Supremo Tribunal Federal e Senado. As falas foram feitas em entrevista ao jornal Gazeta do Povo. Leia o trecho abaixo. A entrevista na íntegra pode ser lida aqui.

O presidente Jair Bolsonaro, ao longo da campanha eleitoral, se apropriou de uma pauta anticorrupção. (...) Agora, o que nós vemos é que ele vem se distanciando desta pauta de corrupção quando coloca em segundo plano o projeto anticrime do juiz federal Sergio Moro. Ele coloca em segundo plano essa pauta quando ele faz mudanças no Coaf e desprestigia o auditor da Receita Federal Roberto Leonel [indicado por Moro para o Coaf], que trabalhou na Lava Jato.”
Deltan também afirmou que a sociedade, neste momento, tem um papel fundamental. "Se a sociedade brasileira quer mudança, ela tem que parar de se colocar nas cordas e esperar que a Lava Jato faça o trabalho por ela e investir tempo na hora de escolher os candidatos dela ao Congresso Nacional. (...) A sociedade brasileira vai ter que se manifestar em redes sociais, ir a público ou como for legítimo e democrático para que as mudanças positivas aconteçam e não os retrocessos.

Pois é, para quem duvidava eis o próprio Deltan apontando o dedo para Bolsonaro. Este blog tem tratado do assunto desde o início. Como foi dito o presidente não só tentou interferir na Polícia Federal e na Receita Federal do Rio de Janeiro como também teria feito um acordo com o presidente do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli para que este indicasse o nome que sucederá Raquel Dodge na Procuradoria Geral da República. Além disso Jair também teria feito acordo com os presidentes da Câmara e do Senado para vetar apenas alguns pontos da Lei de Abuso de Autoridade, a mesma que representa o fim do combate a corrupção e o fim da Operação Lava Jato - ao menos de acordo com os procuradores de Curitiba que integram a equipe de Deltan Dallagnol. 

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De fato Jair tem adotado posturas estranhas, inclusive se fala em um processo de fritura do ministro Sérgio Moro. Ontem mesmo o presidente peitou Moro e o diretor-geral da PF. Indicado por Moro, Marcelo Valeixo disse que o presidente não pode interferir na escolha de superintendentes do órgão - que esta atribuição é do ministro da Justiça. Bolsonaro não se constrangeu em responder que "quem nomeia sou eu"

O problema desta postura é que Jair governa uma coalizão frágil que tem um de seus principais pilares no combate a corrupção. Como lembrou Deltan, um dos fatores decisivos para a vitória de Bolsonaro foi seu compromisso em respeitar o trabalho da Lava Jato e o combate a corrupção. No entanto o presidente eleito adotou um novo discurso depois que seu filho Flávio foi apanhado nas investigações de apropriação de salário de servidores da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. 

Por hora o assunto ainda está morno, mas chegará o momento em que Jair chegará a encruzilhada. Seja qual for sua escolha é certo que haverá desdobramentos. Se o acordo denunciado pela Crusoé for seguido, haverá uma forte reação contra o presidente - incluindo de apoiadores traídos, o que pode até lhe custar o mandato (para se manter ele terá que fazer novos acordos com o Congresso). Outra saída é rejeitar o acordão e ter que arcar com os desdobramentos que atingirão seus filhos Flávio e Carlos (sim, Carluxo também é suspeito de empregar fantasmas em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio). O presidente deve se lembrar que nesta história toda há um cheque de R$ 40 mil depositado na conta de sua esposa Michelle, além de uma série de implicações que podem ser igualmente letais. A principal premissa do presidente deve ser a de que ele não foi eleito pela sua simpatia pessoal, por seus feitos como deputado ou pela competência de estrategista de seus filhos Carlos e Eduardo, mas sim pela extrema rejeição do Brasil ao petismo. Quanto ao que vai acontecer de fato, só o tempo dirá. 

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