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Bolsonaro e a hora da verdade




Os próximos dias são decisivos para o presidente Jair Bolsonaro. Uma série de notícias e declarações sugerem um grande acordo entre os poderes. Os interesses gravitam em torno do denominado Pacote Anti-crime proposto pelo ministro da Justiça Sérgio Moro, a nomeação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, a Lei de Abuso de Autoridade proposta por Renan Calheiros em 2017 e relatada pelo ex-senador Roberto Requião e o caso Coaf. Essas possibilidades nefastas levaram nomes de peso que até então se alinhavam com o governo a criticarem o presidente - entre eles Augusto Nunes, Felipe Moura Brasil e José Nivaldo Gomes Cordeiro.

O que se tem dito em Brasília é que Bolsonaro irá vetar apenas aspectos mais polêmicos do abuso de autoridade como o ponto que impede que policiais algemem suspeitos ou presos - mas que supostamente manteria pontos que enfraquecem a Operação Lava Jato. Seria o pagamento pela aprovação de Eduardo como embaixador, além de um afago nos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes - críticos da Operação Lava Jato.

Embora setores governistas desmintam, mas o fato é que o próprio governo sinaliza que o boato tem seu fundo de verdade. O líder do PSL na Câmara dos Deputados Delegado Waldir assinou a urgência na votação do projeto de abuso de autoridade. Pouco depois o líder convenceu os colegas de bancada a desistirem de ir ao Supremo Tribunal Federal para exigir votação nominal da Lei de Abuso de Autoridade, segundo relato de Igor Gadelha na Crusoé.


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Tem mais: no dia de hoje o ministro da Economia Paulo Guedes assinou medida provisória que transfere o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o controle do BNDES (Banco Central), comandado por Roberto Campos Neto. Embora houvesse o debate em torno da existência do Coaf e se suas funções poderiam ser absorvidas pelo Banco Central sem prejuízo para a administração pública, o fato gerou certa estranheza pela forma com que os atos se desenrolaram. O presidente simplesmente atropelou o ministro Sérgio Moro e seu indicado após seu grupo político ter mobilizado parcela da sociedade meses atrás para que o Coaf ficasse no ministério de Moro. Se esta era a convicção inicial, o certo seria que o presidente e seu entorno houvesse pontuado que o Coaf poderia ser extinto desde o princípio - e não que deveria ficar com Moro.

Claro, Flávio também está relacionado com as supostas negociações do pai com o presidente da Câmara Rodrigo Maia e com o presidente do Senado Davi Alcolumbre. Como lembra Felipe Moura Brasil o próprio presidente reforça estas hipóteses ao apoiar a decisão do presidente do STF Dias Toffoli em suspender todas as ações criminais com base em informações do Coaf e da Receita Federal obtidas sem autorização judicial. Já a revista Crusoé diz que o presidente Bolsonaro teria cedido ao presidente Dias Toffoli o poder de indicar o próximo Procurador Geral da República. Como a matéria não foi desmentida ou sequer comentada, o que resta é esperar para ver.

Além destes imbróglios tivemos movimentações estranhas do presidente na última semana: em uma tacada o presidente exonerou os servidores da Receita Federal do Rio de Janeiro (órgão também envolvido na apuração das rachadinhas em gabinetes da Alerj, incluindo Flávio) e o superintendente da Polícia Federal no mesmo estado. Esta aqui foi pior: além de atropelar o ministro Moro (que é o responsável pelas nomeações da PF ) Jair alegou que o superintendente Ricardo Saadi foi exonerado por "questões de produtividade". Para o lugar ele escalou Alexandre Saraiva - atual superintendente da PF no Amazonas e amigo do presidente. O caso foi tão obsceno que Marcelo Valeixo (diretor-geral da corporação) ameaçou renunciar ao cargo. Foi seguido por toda a diretoria.

O presidente não tem muito como sair desta. Não há como se escudar eternamente da polarização ou se refugiar em declarações polêmicas. Enquanto estas cenas se desenrolam o presidente lida com opositores e desafetos que ele produziu nos últimos oito meses. Como não há muito o que ser feito o que resta a sociedade é esperar para ver se o presidente irá validar as piores notícias já veiculadas a seu respeito, ou seja, só ele poderá confirmar se estamos diante do maior estelionato eleitoral da história. Será a hora da verdade para Bolsonaro. 
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