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Novo quer distância de Salles, que já desagrada até ruralistas



A coisa não anda boa para o ministro do Meio-Ambiente Ricardo Salles. Logo no sábado foi divulgado que o advogado é alvo de inquérito do Ministério Público de São Paulo por enriquecimento ilícito. A suspeita do órgão é que Salles incide sobre o período em que ele alternou a atividade de advogado com cargos no governo paulista, entre os anos de 2012 e 2017.

Como se desgraça pouca fosse bobagem, Salles foi vaiado na Semana Latino-Americana e Caribenha sobre Mudança do Clima. A participação do ministro no evento não foi problemática apenas por posições pouco ortodoxas do atual governo com relação ao meio-ambiente, mas também por conta da recusa do presidente Jair Bolsonaro em receber a Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP25). Para quem pensou que estes fossem os únicos motivos para dor de cabeça do ministro, eis que o Partido Novo (na qual Salles é filiado) publica uma dura nota se dissociando de seu correligionário pouco depois da Rede ter protocolado pedido de impeachment do ministro por crime de responsabilidade.

“Esclarecemos, mais uma vez, que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não foi uma indicação do Novo e, portanto, não representa a instituição. O ministro foi escolhido e responde ao presidente Jair Bolsonaro”, diz o Novo em um trecho da nota. Basicamente o ministro foi jogado aos leões.


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De fato a situação do ministro não é nada razoável, ele se segura na pasta apenas por contar com a lealdade do presidente Bolsonaro. Se não é possível dizer que ele pode cair nas próximas horas ou que sua situação é frágil a frente do Ministério, também é temerário dizer que sua posição é invejável. Diariamente pipocam notícias negativas como a exoneração do servidor do Ibama que multou o presidente por pesca irregular em Angra dos Reis quando este ainda era apenas um deputado folclórico, ou então de que o oceanógrafo do ICMBio especialista em golfinhos foi transferido de Fernando de Noronha para um parque no sertão pernambucano após criticar a flexibilização nas políticas de visitação e da pesca de sardinha no arquipélago. Se há algo para ser dito é que Salles não é o mais popular entre os ministros do governo Bolsonaro e que sua presença causa constrangimentos diários.

Claro, Bolsonaro provavelmente dá de ombros para tudo isto - tanto quanto dá de ombros para os que cobram sobriedade e decoro do próprio presidente. Salles é mal-avaliado tanto por quem já se espera (como ONGs ambientalistas que servem de espantalho recorrente para o ministro e para o presidente) quanto por quem ninguém imaginou, como grandes produtores rurais como Blairo Maggi. O mercado agro exportador teme que os desvarios nas políticas ambientais levem o Brasil a sofrer sanções por parte da União Europeia. Em que pese certa razão em alguns pontos, todos sabem que acima da política está o pragmatismo de quem precisa vender - e que em boa parte das vezes o cliente tem sempre razão. Dinheiro não tem ideologia nem suporta desaforos. Se a UE decidir boicotar o agro brasileiro, nem mil tiradas presidenciais ou postagens de tietes governistas em redes sociais poderão salvar o setor produtivo da ruína.


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