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O pior dia de Bolsonaro: 16/05 é uma data que o presidente jamais esquecerá



O dia de ontem é um divisor de águas para o governo Bolsonaro. Não pelas manifestações em si, mas pelo contexto completamente negativo para o presidente: começou o dia as voltas com um boato sobre recuo do recuo que desagradou o Legislativo e fez até gente pacata como Marcel Van Hattem se posicionar contra o presidente ao afirmar que houve a tal ligação para o Weintraub.

Depois veio a notícia de que a viagem organizada pelo Ernesto Araújo deu errado: George Bush sequer sabia da visita do presidente. Neste mesmo encontro Bolsonaro voltou a se meter na política argentina como se isso fosse de sua alçada, causando constrangimento inédito ao país. Pouco depois o general Santos Cruz (que está viajando com o presidente) afirmou a interlocutores que considera acionar a Polícia Federal contra os autores de mensagens supostamente falsas atribuídas a ele.

Quando os primeiros manifestantes começaram a sair de casa o clima já estava bem ruim para o governo, que ainda passaria pela turbulenta fala do ministro da Educação na Câmara e pela adesão de não-petistas nos atos. Carluxo voltou a falar em enigmas no Twitter, Flávio Bolsonaro está cada vez mais encrencado (isso atinge o pai, já que a organização dos gabinetes era feita em conjunto) e Olavo sugeriu medidas bolivarianas para reverter o desgaste político e garantir poder total ao presidente - tudo isso enquanto o filho Eduardo era criticado por defender a construção de uma bomba atômica. Rodrigo Maia continuou com seus petardos enquanto a imprensa ainda repercutia as declarações de Janaina Paschoal - que no dia anterior apelou ao presidente que deixasse de seguir Olavo de Carvalho e colocasse os filhos em seu devido lugar 0 que é o de filho e não ministro sem pasta. No final do dia o presidente viu toda a mídia tupiniquim contabilizar os atos maiúsculos de uma esquerda que não se constrange em utilizar a tragédia para colher dividendos políticos.

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Não foi um dia ruim para o presidente: foi um dia péssimo. Notem: o presidente não completou seus meses de mandato e já se vê emparedado pelos fatos. Talvez o pior da história seja a ciência de que boa parte destes problemas políticos foram causados pelo próprio grupo político de Jair. Não, não foi a oposição. Não foi o establishment. Não foi o status quo, os globalistas ou quem quer que seja: parafraseando Cartola, o abismo em que Bolsonaro se meteu foi cavado pelos próprios pés do capitão.

Pouco acostumado com a institucionalidade e sem experiência prévia no executivo, Bolsonaro costurou um arco de alianças que foi fundamental para sua vitória. Congregando desde evangélicos e maçons até militares e ruralistas, Bolsonaro aproveitou a campanha para abrir mão de sua visão nacionalista em prol de um discurso liberal-conservador que seria a salvação do Brasil. Uma vez no cargo o presidente passou a ouvir os filhos Carlos e Eduardo. O vereador deixou de atuar na Câmara para fazer as vezes de ministro sem pasta em Brasília - provocando controvérsias letais para o pai (a lista é grande, envolve desde o Golden Shower até crises com o Executivo). Já o filho Eduardo se tornou Chanceler de facto, ofuscando ainda mais a estrela do olavista de última hora Ernesto Araújo (que de longe tem se mostrado um dos piores ministros das Relações Exteriores de toda a história).

Também tem Olavo de Carvalho, o filósofo autodidata que resolveu se colocar como guia espiritual do governo. Baseado em Richmond, Olavo tem grande influência sobre os dois filhos mais novos do presidente e que enfiou o governo em uma excruciante crise com o setor militar. Bolsonaro teria tentado contornar, mas não deu jeito. A opção de demitir os generais foi colocada na mesa, mas cadê a coragem para seguir em frente quando um dos elementos que deu credibilidade ao candidato Bolsonaro foi justamente o elemento militar e a promessa de nomear generais para o governo? O caso é que ontem Bolsonaro teve uma oportunidade sem precedentes de realinhar as tropas. Claro, caberá a ele decidir como deseja entrar para a história.


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