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Letícia Catel lança suspeitas até sobre o presidente da República. Agora sua obrigação é provar as acusações



Mais uma escaramuça na guerra infinita entre militares e olavetes no governo Bolsonaro. Neste último episódio a vítima fatal foi Letícia Catelani, diretora de negócios da Apex (Agência de Promoção à Exportação). A aliada de Eduardo Bolsonaro foi demitida pelo novo presidente, o almirante Sérgio Segóvia. 

A saída foi conturbada pois Segóvia sucedeu o embaixador Mario Vilalva, desafeto de Catelani (mais conhecida como Catel). Vilalva chegou a denunciar a instalação de uma porta giratória que impedia seu acesso ao departamento de Catel, bem como a contratação de um hacker que monitorava seus passos na agência. Sua saída foi resultado da conspirata entre Catel e Marcio Coimbra. O que eles não esperavam é que a saída de Vilalva seria apenas uma vitória de Pirro, já que em seu lugar foi nomeado um militar. 

O episódio também é um golpe duro para o ministro Ernesto Araújo. Ligado ao setor olavista e indicação do próprio guru do governo, Araújo teria declarado que a manutenção de Catel era fundamental. A indicação de Segóvia a contragosto do chanceler só levanta as suspeitas de que o cargo do diplomata está na berlinda. Por ser apenas um dos muito palcos da guerra civil entre as diversas facções do governo é bem possível prever certos cenários a partir destes fatos. Mas isto é assunto para outro texto. 

O caso é que Letícia Catel não saiu de forma silenciosa. Seguindo o script de outros nomes ligados ao setor bolsonarista/olavista, a moça saiu atirando. O problema é que sua metralhadora giratória atingiu de raspão o presidente da República e o governo da qual ela se diz simpatizante. Veja a manifestação da moça em seu Twitter:

Combati incansavelmente a corrupção e fechei as torneiras que a alimentavam. Estou pagando o preço. Sofri pressão de dentro do governo pela manutenção de contratos espúrios, além de ameaças e difamações. Não me intimidei!

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Ora, de que irregularidades esta moça está falando? A fala é gravíssima: se há contratos espúrios  cuja manutenção é tão cara aos interessados a ponto de provocar a injusta demissão de uma aliada do filho do presidente então é caso de investigação. O problema é que Letícia não foi até o Ministério Público se queixar, mas sim ao Facebook. Quem lê este blogueiro sabe o que já foi dito aqui em ocasiões como fanfics de esquerda ou factoídes criminosos dos que querem colher dividendos políticos por meio da desgraça: rede social não é autoridade policial. Quem sabe de um crime e não o denuncia está prevaricando. Os fatos são recentes e Letícia ainda pode se dirigir ao MP ou a Polícia Federal, mas é claro que se não o fizer nas próximas horas terá que escolher qual opção é a mais adequada: ela está prevaricando ou blefando?


A fala deliquente de Letícia já deu seus primeiros frutos podres: os deputados Rubens Bueno (Cidadania), Arlindo Chinaglia (PT) e Aécio Neves (PSDB) apresentação amanhã na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, um requerimento convidando a ex-diretora de negócios a esclarecer qual foi a pressão que teria sofrido na Apex para manutenção de contratos espúrios. O que a amiga de Eduardo Bolsonaro fará? 

Não é de hoje que se sabe que essas intrigas não têm absolutamente nada a ver com restauração da alta cultura, defesa do Ocidente e das tradições judaico-cristãs ou qualquer outro contexto conservador. A briga é política e a baixaria e sordidez imperam. Há suspeitas até de que a Apex tenha se tornado uma casamata dos olavistas na guerra contra os militares. As acusações de Letícia Catelani apenas aprofundam o caos. 

Veja: o almirante Segóvia só chegou onde está com a anuência do presidente Jair Bolsonaro. É dele a decisão suprema sobre qualquer nomeado, sendo dele também a prerrogativa de demitir qualquer indicado que não seja de seu agrado ou cuja manutenção não passe por seu crivo. Um comissionado no governo jamais demitiria pessoas tão próximas do presidente sem a anuência do próprio. Ninguém se instala em governos democráticos como um corpo estranho que não deve satisfações a ninguém e que passa por cima do próprio soberano do mandato. Segóvia não parece ser um aloprado que demitiu aliados do filho do presidente sem calcular as possíveis retaliações. Já a fala de Catelani deixa claro que a moça não calculou os embaraços que causaria ao próprio presidente da qual se diz tão próxima. 

Ora, Letícia pode provar o que diz? De quais contratos a leviana está falando? Se o presidente nomeou o cara que obstruiu o fim dos tais contratos espúrios logo é razoável concluir que o presidente foi condescendente. Será? O fato aqui é que a moça louvada nas redes sociais pela militância bolsolavista jogou seu presidente aos leões do PT, PSDB e congêneres. Com aliados deste naipe o governo Bolsonaro não precisa de qualquer oposição. 

Ah: alguém deve lembrar para a Catel (figura conhecida nas redes sociais e nos meios da direita por sua arrogância e difícil trato) que calúnia, difamação e falsa comunicação de crime também são práticas criminosas. Quem tem ouvidos, ouça.

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