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Confusão e telefone sem fio: suposta suspensão de cortes desmentida por Bolsonaro amplia crise com Legislativo



No atual debate público uma notícia veiculada pela grande imprensa sendo desmentida pelo governo não deveria ser algo muito relevante, mas o que houve ontem no episódio da suposta suspensão dos cortes no orçamento das universidades só serviu para aumentar a fervura em Brasília. O caos começou quando o UOL noticiou que o governo havia recuado nos cortes que motivaram as manifestações convocadas para o dia de hoje, mas a notícia foi logo desmentida pelo governo.

Até aí não haveria problema algum, não fosse o fato de a informação ter sido confirmada pelo líder do PSL na Câmara dos Deputados. Segundo o deputado Delegado Waldir, o presidente ligou para o ministro Abraham Weintraub na frente dos líderes partidários que participaram de uma reunião com o presidente no dia de ontem. Desmentido, Waldir manteve a posição. Logo em seguida os apoiadores do governo das redes sociais começaram a emplacar a tese de fake news, atacando todos os que publicaram a informação de forma quase organizada.

Não pegou nada bem, já que outros parlamentares testemunharam a mesma cena: o presidente Bolsonaro ligando para o ministro e ordenando a suspensão dos cortes na frente dos presentes. Já era noite quando o deputado Capitão Wagner (PROS-CE) subiu a tribuna para discutir contra o presidente afirmando que não aceitava ser chamado de mentiroso justamente por ter sido um dos presentes na reunião e um dos parlamentares ouvidos pela imprensa para confirmar a notícia. A fala do parlamentar pode ser vista abaixo.



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É evidente que esta fala tão veemente não ajudou o suposto boato a sair do noticiário. O Capitão Wagner também foi criticado por apoiadores do presidente, até que uma voz que jamais apareceu neste tipo de briga saiu em defesa dos parlamentares presentes na reunião: entrevistado pelo Antagonista, o deputado gaúcho Marcel Van Hattem confirmou ter ouvido o presidente telefonar para o ministro da Educação na vista de todos.

“Ele ligou para o ministro na nossa frente e nos comunicou que decidiu suspender o ‘corte’. Depois, fomos surpreendidos com a suspensão da suspensão. O que aconteceu foi isso. Não foi boato, foi exatamente o que aconteceu. Agora, se o governo tem alguma razão para suspender a suspensão, o ministro poderá nos explicar hoje no plenário.”

Sim, fica difícil. A notícia do recuo seria extremamente desgastante para o presidente por ser mais um dos vários episódios em que o presidente abandona uma batalha política após seus seguidores sangrarem em sua defesa. Mas conseguiu ficar pior por conta do suposto "recuo do recuo". A cereja no bolo foi a declaração do ministro Weintraub afirmando que a ligação de fato aconteceu, mas que talvez os deputados não tenham entendido a mensagem. A informação também é do Antagonista:

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse a O Antagonista que os líderes entenderam errado o telefonema de Jair Bolsonaro.
“O presidente me ligou para saber se teria cortes no orçamento da educação. Ele estava preocupado, não queria cortes. Expliquei que a decisão da Economia era de contingenciamento, não de cortes”, conta.
Segundo ele, a ligação não estava em viva-voz. “Eles não me ouviram falando com o presidente diretamente e tiraram conclusões equivocadas.”
“Agora, é claro que haverá um remanejamento do orçamento para atividades que interessam ao governo.”

Este blogueiro tem sustentando desde janeiro que o governo deveria resolver a articulação política e a comunicação. É uma obviedade tão grande que até Janaína Paschoal se manifestou no dia de hoje. O que parece é que o presidente ainda não entendeu a diferença entre o cargo parlamentar que ocupou durante trinta anos e a chefia do executivo nacional para qual foi eleito no segundo turno das eleições de 2018. Também não compreendeu que quem o elegeu foi a repulsa ao petismo e não suas idéias nacionalistas emboloradas ou a suposta influência de Olavo de Carvalho na sociedade brasileira. Claro, o governo é dele - e caberá exclusivamente a ele a decisão de seguir pedindo truco sem ter nada na mão. Que não esqueça jamais: quem perde, sai.

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