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A popularidade dos militares é pedra no sapato de Bolsonaro


A pesquisa Idea Big Data/Estadão a respeito dos militares trouxe os seguintes números:

- 62% dos brasileiros consideram os militares um dos principais grupos de apoio do governo

- 66% discordam dos ataques que Olavo e seus seguidores promovem aos militares

- 54% concordam que uma crise com os militares pode trazer instabilidade ao governo

Em resumo: uma queda de braço com os militares poderá desgastar o governo do presidente Jair Bolsonaro de forma contundente. O desgaste pode não ser fatal, mas será muito danoso. As razões são simples: Jair construiu sua carreira parlamentar com base na credibilidade que a população atribuí as Forças Armadas. Ao longo de sua trajetória o então deputado sempre exaltou a capacidade técnica, o patriotismo e destemor dos fardados.

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Ora, o presidente que o tempo todo se valeu da lógica militar não pode simplesmente tentar se desvincular da caserna em nome de qualquer outra narrativa. Isso apenas o enfraquecerá publicamente, já que os militares são conhecidos e respeitados - ao passo que os antagonistas olavetes ainda são restritos a classe média e aos formadores de opinião.

Também será uma dificuldade enorme para o presidente adotar a narrativa de que os generais são defensores do impeachment por serem todos positivistas inimigos da revolução cultural que setores do governo pregam. Por associação seria de se pensar que o próprio Bolsonaro está profundamente impregnado da mentalidade positivista de seus ministros generais. A narrativa olavista só teria sucesso amplo caso o presidente fosse civil, mas não é o caso.

Há que lembrar que os nomes que Bolsonaro integrou em seu governo são de grandes nomes do Exército. Será muito difícil explicar para a população a demissão de um general que combateu no Congo por conta de uma disputa política com um astrólogo e filósofo autoexilado nos Estados Unidos. Não é por acaso que o próprio presidente teria recuado em sua ideia de demitir o general Santos Cruz da Secretaria de Especial de Comunicação Social (Secom). Isso não quer dizer que os generais estão corretos o tempo todo ou que não merecem o escrutínio público, mas sim que possuem mais credibilidade do que a classe política da qual o presidente faz parte (ainda que queira dizer o contrário) e que no governo Bolsonaro desempenham o papel de agente estabilizador e moderador em meio a uma tropa sem farda que anda a espreita com seus objetivos ocultos. A própria data da publicação da pesquisa sugere que não houve muito sucesso por parte dos olavetes em espalharem a mensagem do guru do governo: não colou a narrativa dos militares traidores. Tanto que a mesma pesquisa diz que 66% discordam da postura dos seguidores de Olavo de Carvalho.  

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