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Suposta funcionária fantasma coloca Carlos Bolsonaro na berlinda



Mais cedo a Folha de São Paulo publicou que o vereador Carlos Bolsonaro teria empregado uma funcionária em seu gabinete sem conhecimento da própria. Nadir Barbosa Goes vive na cidade de Magé, município localizado há 50 quilômetros do Rio de Janeiro. A idosa de 70 nega ter trabalhado no gabinete do vereador, mas sua presença foi atestada pelo próprio Carlos.

Claro, Nadir tem sim uma relação com o gabinete do vereador. O militar  Edir Barbosa Goes, atual assessor do vereador, é seu irmão. Sua cunhada Neula de Carvalho Goes também esteve lotada no mesmo gabinete. Ambas foram exoneradas no grande expurgo que o vereador promover em sua equipe após a posse do presidente. Nadir ocupava o cargo comissionado de oficial de gabinete, cuja remuneração é de R$ 4.271.

A coisa toda fica meio complicada quando o atual chefe de gabinete do filho do presidente responde as indagações do jornal afirmando que a idosa tinha a função de entregar mala direta para a base eleitoral do vereador em Campo Grande (zona oeste do Rio) e anotar as reivindicações dos eleitores. Veja, seria uma logística difícil se a funcionária de fato executasse as tarefas. E fica ainda mais difícil quando a própria nega ter conhecimento do emprego.

É verdade que a Folha já plantou balões de ensaio a respeito da família Bolsonaro, mas neste caso há um elemento agravante que é o depoimento da própria cidadã que supostamente não sabia de sua contratação. É cedo para acusar o filho do presidente antes mesmo da abertura de um inquérito, mas é provável que o Ministério Público do Rio de Janeiro resolva isso em questão de dias.

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Ah, daqui vem alguns problemas. Tanto para Carluxo quanto para sua família. A apropriação de salário de funcionários em legislativos municipais jamais chamaria atenção se o suspeito não fosse filho do presidente da República e irmão de outro parlamentar que enfrenta os mesmos fantasmas (perdão pelo trocadilho). Como agir?

Carlos tem ainda outro problema maior do que a condição de vidraça própria de quem é do núcleo familiar de um mandatário. Como resolveu ser general do Exército Bolsolavista contra os quadros das Forças Regulares que ocupam significativo espaço no governo federal, Carlos acabou chamando para si a atenção de forças que não o querem mais circulando em Brasília. A metralhadora giratória que custou o cargo de Gustavo Bebbiano, o distanciamento de Luciano Bivar e agora um cisma com o vice-presidente Hamilton Mourão se voltam contra o pitbull do presidente.

O principal prejuízo de Carlos não se volta para ele, mas sim para o legado político de sua família - agora relacionado a improbidade administrativa e a uma relação de exótica proximidade com milicianos. Para quem arrogou para si o papel de zelota combatente da corrupção e caçador de traidores e socialistas, ser pego na boca da botija atestando a presença de funcionários fantasmas é algo devastador.

O Enfant terrible já havia assumido para si o papel de Inquisidor Geral da República, deixando o cargo de vereador (para o qual ele foi eleito e pela qual é regiamente pago) para promover intrigas em sua cruzada pela autocracia verde-oliva. Será de agora em diante visto como um embusteiro hipócrita se não conseguir se livrar desta incomoda acusação. Não poderá mais dizer que é atacado por denunciar esquemas ou por defender a moral e os bons costumes. Acabou.

Carlos Bolsonaro está, enfim, na berlinda. É certo que alguns leitores irão cuspir cobras e lagartos ao lerem estas linhas (alguns sequer irão fazê-lo, vomitando impropérios antes mesmo da conclusão do texto), mas o fato é que isso é devastador para Carlos. Tanto é que mesmo sendo conhecido por ser um habitue no Twitter, o sujeito que passou os últimos três dias disparando petardos contra Mourão permaneceu calado durante todo o dia. Nem ao menos se dirigiu até os tweets da Folha e Isto É para acusar os jornalistas de terem publicado fake news a seu respeito. Lembra daquela anedota originada na transmissão esportiva da Globo:
-"Galvão"
-"Diga lá, Tino"
-"Sentiu".


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