Ads Top

Deputada Major do PSL quer proibir armas de brinquedo. Deveria se juntar ao Instituto Alana e renunciar ao cargo.



Um projeto de péssima inclinação poderá ser incluído no pacote anti-crime elaborado pelo ministro da Justiça Sérgio Moro: trata-se da proibição das armas de brinquedo, proposta da deputada federal Major Fabiana (PSL/RJ).

Sim, você não leu errado: uma parlamentar do PSL pretende enquadrar legalmente quem “possuir ou manter sob sua guarda, portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, emprestar, remeter, empregar ou ocultar simulacro ou réplica de arma de fogo”.

Ao longo do dia não faltaram aqueles que em defesa da deputada apontavam que a matéria não tratava da criminalização do objeto e sim da penalização dos que utilizassem armas de brinquedo em assaltos. Mas o texto é claro: a parlamentar quer mesmo punir o objeto.



continua depois da publicidade

Não é preciso dizer que isso está tão distante do pensamento conservador quanto o buraco negro recém fotografado. Não há qualquer lógica entre os índices de violência e as armas de brinquedo. Embora a parlamentar argumente que este tipo de artefato foi utilizado 40% dos assaltos registrados, a solução não se sustenta no mundo real: quer dizer que sem armas de brinquedo os números de assaltos serão reduzidos na casa dos 40% pois os marginais não poderão incorrer na prática criminosa por conta da ausência de armas de brinquedo no mercado? A lógica é tão cretina quanto dizer que o presidente Jair Bolsonaro só foi esfaqueado pois a sociedade brasileira não fez o devido debate em torno da ameaça que as armas brancas e objetos similares representam para a segurança pública.

Ora, se espera mais de um parlamentar eleito pela Direita nas eleições de 2018. Ainda mais quando se trata de uma agente do estado que integra uma força organizada de acordo com a lógica militar. Em que se pese ser de domínio público de que nossos militares historicamente desprezam a governança da sociedade civil sobre si mesma e que sempre grassou naquelas bandas o positivismo e o nacionalismo mais tosco, o fato inconteste é que este projeto representa uma traição. Trata-se de um discurso tão cretino e de um raciocínio tão cínico que mais cabe na boca de um porta-voz do Instituto Alana do que em uma parlamentar que se elegeu na esteira da popularidade de um militar da reserva conhecido por fazer gestos de armas com as mãos durante a campanha.

Aliás, o que a Major Fabiana acha disso? Estará a deputada ao lado dos que vêem apologia a violência no gesto? O que a deputada pensa das crianças que utilizam armas de brinquedo para brincar de polícia e ladrão? A lógica imposta por ela a obriga a achar tudo isso deplorável. A regra é clara: um cidadão só pode defender uma posição autoritária se ele for o beneficiário imediato do ataque a liberdade. Cabe a Major Fabiana explicar ao eleitorado fluminense qual é o seu caso. Não só isso: ela deveria era renunciar ao cargo (já que não acredita nas ideias que a elegeram) e se juntar ao já citado Instituto Alana, onde suas opiniões em favor da reengenharia social, autoritarismo e tutela de cidadãos seriam melhor apreciadas. 

Curta o Reacionário no Facebook:


[left-sidebar]
Tecnologia do Blogger.