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Bolsonarismo deve se lembrar de Collor e Dilma



Completos quase quatro meses de governo, o Brasil conseguiu até aqui poucos avanços na gestão Jair Bolsonaro. As principais pautas do governo (a saber, Reforma da Previdência e Pacote Anti-crime) seguem com dificuldades no Congresso. Quadros do PSL demonstram inédita insubordinação ao governo enquanto o Executivo é diariamente abalado pela guerra palaciana que divide o governo entre a ala dos militares e o núcleo dos seguidores de Olavo de Carvalho.

Por razões de honestidade intelectual é preciso registrar que o governo está pautando algumas questões difíceis, mas sobretudo é imperativo reconhecer que até o momento o principal trunfo do governo Bolsonaro é que um eventual governo Fernando Haddad poderia ser pior. Mas isso não é nenhuma razão de orgulho, já que até um marginal armado representa menor risco que o Partido dos Trabalhadores. Ser melhor que o PT não é distintivo moral, mas sim dever cívico.

Também é preciso deixar claro que a crise institucionalizada no governo adquiriu novos contornos após a divulgação da pesquisa Ibope em que o governo é avaliado como bom ou ótimo por apenas 35% da população.

O número é alarmante, mas talvez não preocupe todos os setores do governo. Quem é ligado a Olavo de Carvalho já deixou claro que a preocupação com a crise econômica não é prioridade - já que a luta deles supostamente não é contra a carne e sim contra o espírito. O problema do messianismo é que normalmente ele não tem lastro na opinião pública. Neste caso o governo não teria como se justificar diante de uma hecatombe econômica. As seguintes escaladas do dólar frente ao real é apenas fruto da incerteza e desconfiança do mercado que não parece ver mais solução em Bolsonaro, uma vez que o próprio governo não trata estas questões como prioridade. Como o governo irá se justificar para o trabalhador insatisfeito? Dirão que estão lutando contra defensores do establishment? Poderão alegar que a prioridade é a luta contra o socialismo?

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Pois é, amigos. O mundo real é implacável. De nada adiantará o presidente aparecer em rede nacional ou seus apoiadores forçarem a narrativa de que a guerra é cultural. Isso não faz sentido para quem está com fome. Evidente que alguns até atribuem a vitória do presidente ao filósofo de Richmond, mas qualquer um que possua o mínimo de sanidade mental sabe que Bolsonaro não foi eleito por Olavo nem pela genialidade de Carlos. Foi eleito pelo eleitor desesperado pelo desgoverno petista.

Ah, a verdade deve ser dita de uma vez: é provável que a corrupção não tenha sido um agente que causou indignação por si, mas sim por ter sido descoberta em um cenário de insatisfação com os rumos da economia. Quem entende o mínimo de análise política sabe que o Mensalão foi objeto de uma espécie de indignação contida justamente por ter sido descoberto no bojo do otimismo econômico fake do lulopetismo.

Mas agora é diferente. Ao contrário do que dizem alguns porta-vozes do governo, o que está em jogo não é a reforma em si. O presidente não a leva adiante apenas por ser patriota, mas porque depende de seu sucesso mais do que nunca. O medo recente de um possível golpe por parte do vice Hamilton Mourão está mais para confissão de culpa do que qualquer outra coisa. Vamos relembrar Fernando Collor de Mello e Dilma Vana Rousseff: ambos só caíram quando reuniram as seguintes condições: fracasso econômico, incapacidade administrativa, relação tumultuada com a base e falta de interlocução com o Congresso. Estes princípios básicos funcionam como uma engrenagem que move para cima ou para baixo a popularidade do presidente. Quando estes personagens resolveram peitar esta ordem das coisas o resultado foi a própria inviabilidade do cargo.

Aos que dizem cobras e lagartos do vice, o alerta é de que talvez estejam subindo em morro errado ao acusar o golpe. Mourão jamais tomará a cadeira de Bolsonaro enquanto o mandatário não consolidar um cenário político desastroso que forneça ao vice condições de se tornar titular. Se Bolsonaro melhorar sua relação com o Congresso, promover a recuperação econômica e fidelizar a base. Não há vice golpista que mude isso. A história nos mostra que o que derrubou Collor e Dilma não foi a pretensão de Itamar Franco e Michel Temer, mas sim o desgoverno dos titulares. Apesar disso, o governo não se pauta por esta lógica que antiga, mas sim pela lógica das agendas particulares de cada um dos grupos que compõe o governo. Vamos ver como esta guerra irá acabar. 



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