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Boicote ao Cinemark é a justa resposta ao marketing aloprado da rede


A esta altura o leitor provavelmente já sabe que a rede Cinemark resolveu cancelar um evento de lançamento do documentário "1964, O Brasil entre livros e armas" - produzido pelo Brasil Paralelo por suposto caráter político-partidário - o que segundo a nota da empresa contraria sua política interna. O caso provocou alvoroço nas redes sociais e motivou uma campanha de boicote contra a rede de cinema. 

É preciso deixar claro que o Cinemark tem todo o direito de exibir ou não os filmes que considerar adequados ou não. O que não pegou bem foi a forma: a rede rompeu um contrato de forma unilateral após queixas por parte de extremistas de esquerda que não aceitam a afirmação de que havia sim uma tentativa de golpe por parte dos comunistas. O fato é inequívoco e incontroverso. 

Este não foi o único erro do Cinemark: a empresa simplesmente mentiu ao público ao sugerir que não trabalha com temática política ou partidária. A rede que já exibiu títulos como "Mariguella" e "Lula Filho do Brasil" tentou subestimar a inteligência dos brasileiros e a capacidade da internet de guardar informações. Isso só serviu para elevar a temperatura do conflito. 

Embora este autor considere que de fato houve um golpe por parte dos militares contra a democracia e contra Carlos Lacerda (há registros que apontam até que os militares temiam mais a eleição do líder do partido conservador UDN do que dos comunistas), o fato é que a história precisa ser contada sob diversos vieses. Não é saudável e nem pouco aceitável que apenas uma versão da história possa ser abordada. Isto não passa de uma forma de interditar o debate público e amordaçar a verdade, já que esta não precisa de prevalecer pela força. 

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O que foi feito pelo Cinemark pode não ser considerado censura se partirmos do princípio que se trata de uma organização privada, no entanto fica claro que a razão aqui é política e que partiu de quem simplesmente não aceita que seus posicionamentos sejam sequer questionados. Isso torna qualquer tentativa de boicote não só aceitável como plenamente justificável. Se a rede entende que os interessados na produção do Brasil Paralelo não merecem sequer o respeito dado a quem assina um contrato e que o ponto de vista ali expresso merece ser tratado de forma tão pusilânime, logo o boicote se impõe como uma obrigação moral por parte dos que comungam daquelas ideias - uma vez que a rede deixou claro que aquilo é tão abjeto que não pode sequer ser debatido. 

Cabe deixar claro que a produção ouviu nomes plurais que vão de Olavo de Carvalho até o jornalista William Waack, não podendo ser considerada portanto um panfleto em defesa do Regime ou um ataque a democracia - mas sim um exercício legítimo de compreensão daquele processo histórico que de tão complexo não encontra unanimidade nem mesmo na academia. Como é que aqueles incircuncisos chegam a conclusão que biografias romantizadas de carniceiros e mafiosos de esquerda podem ser exibidas e um documentário crítico não?

O caso é que o Cinemark tomou a decisão de cancelar a exibição após sofrer com as críticas por parte de militantes de esquerda indignados com a exibição da produção. O detalhe é que a rede não deixou de exibir as biografias ficcionais de Lula e Mariguella, ou seja, para eles algumas opiniões são mais relevantes que outras. Isso pode até não ser o caso, mas fica claro que isso provavelmente partiu da cabeça de alguém do marketing - área que normalmente é infestada de esquerdistas e que rotineiramente causa embaraço para empresas. Qualquer cidadão sensato que fosse criticado por exibir filme com temática A ou B iria dar de ombros, já que os críticos não iriam mesmo assistir a obra. Se o Cinemark foi tão amador em dar tamanha relevância a críticas de internet vindas de quem já não iria assistir ao doc abrindo mão dos que iriam assistir, então merecem mesmo levar chumbo nas redes. 

Aliás, é bom deixar registrado aos indignados com o boicote que ninguém é obrigado a concordar com decisões de empresas privadas - mesmo que elas tenham o direito de agirem desta ou daquela forma. O direito dos simpatizantes do documentário não é menor do que o direito da empresa de quebrar um contrato e causar constrangimento aos produtores que previamente haviam acertado a exibição em suas salas. Talvez seja o caso do pessoal do Brasil Paralelo acionar a rede na justiça reivindicando a devida reparação pelos danos morais e financeiros causados pelo Cinemark. 

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