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O Supremo entre o deboche e a lama



O leitor que acompanha o blog sabe que este escriba é crítico dos procuradores jacobinos e dos aloprados de qualquer ordem. E que neste espaço se defende a legalidade acima de tudo e a democracia acima de todos. Mas que diante do que aconteceu hoje no Supremo Tribunal Federal não há como não concluir que nossa Suprema Corte é uma farsa. 

Começou com a polêmica da retirada de crimes relacionados a caixa dois da Justiça comum que agora serão remetidos pela Justiça Eleitoral. Embora os argumentos legalistas sejam óbvios, o fato é que a Justiça eleitoral é conhecida exatamente por não funcionar. Aliás: poucos países possuem este apêndice incômodo chamado Justiça Eleitoral. Apenas democracias sólidas e estados fortes como a Costa Rica. Claro, o ministro Gilmar Mendes (grande Gilmar) estava lá para defender esta excrescência com unhas e dentes. Aliás, falaremos de Gilmar mais adiante. 

Logo no início o ministro Dias Toffoli anunciou que a corte irá pedir a investigação de quem espalha notícias falsas e difama ministros. Mas não citou sequer um só caso específico que justificasse a ação, apenas disse que ataques ao Judiciário não serão tolerados. 

Não se sabe o que o ministro tem em mente ao partir de uma suposição tão generalista para a ação na Justiça, mas se sabe bem o que representa: uma ameaça ao estado democrático de direito. Quer dizer que qualquer um agora deverá pensar duas ou três vezes antes de se manifestar contra a honra daqueles senhores intragáveis? Não poderemos mais lembrar que o tal Toffoli era um simples advogado do Partido dos Trabalhadores e funcionários do criminoso José Dirceu, que foi reprovado no concurso público para juiz por três vezes e que foi alçado ao STF apenas para ser preposto do PT? Não poderemos lembrar que com o Jurista da Rota do Frango com polenta (a.k.a Ricardo Lewandowski) se deu o mesmo? Ou que o ministro Gilmar Mendes possuí negócios empresarias no mínimo exóticos? Ah, também tratarei disso mais adiante.

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Outro grande absurdo foi o ataque praticado pelo ministro Gilmar Mendes ao Ministério Público Federal - que em que pese o fato de ser apinhado de aloprados jamais poderá ser alvo de tamanha baixaria. O ministro chamou procuradores envolvidos na Operação Lava Jato de gângsteres, sugeriu que havia gente levando dinheiro enquanto atacavam o "patrimônio moral" de ministros daquela corte. Ora, sabemos que existem aloprados na boy band de Deltan Dallagnol - mas sugerir isso é simplesmente loucura. Gilmar simplesmente rasgou a institucionalidade da qual já faz tão pouco caso. 

O que foi no mínimo estupefaciente (para usar um termo preferido de um jornalista que faz as vezes de assessor de imprensa do ministro Gilmar), o fato é que o único que não pode falar em decoro e lisura é Gilmar. Aqui neste blog ele já foi defendido em determinadas posições, mas nunca nas atividades empresarias que exerce em paralelo ao cargo de ministro - e que nunca foram devidamente explicadas. Recentemente seu grupo educacional IDP (Instituto de Direito Público) se viu em meio a suspeitas de fraude, venda de diplomas e outras irregularidades. A unidade de São Paulo mudou de nome e se separou do grupo sediado no Distrito Federal. O ministro que vê o cargo atrapalhando seus negócios quis acusar membros do MP de falta de ética e de banditismo sem explicar as graves suspeitas que pesam contra ele, suspeito também de ter interferido na decisão do senador Tasso Jereissati de retirar seu nome da lista de assinaturas da CPI do Judiciário, carinhosamente apelidada pelas redes de "LavaToga". 

Pior do que isso foi ver a procuradora geral da República Raquel Dodge observando tudo com ares de musa impassível, inclusive no momento em que procuradores eram enxovalhados pelo aloprado Gilmar. Se bem que é compreensível: se esta senhora jamais colocou ordem na própria casa para ensinar modos aos seus garotos então ela não terá moral quando o pior dos estranhos disser que eles são pentelhos. 

Foi justamente esta corte que mandou investigar o movimento Nas Ruas por ter levado bonecos infláveis satirizando o ministro Ricardo Lewandowski e o então PGR Rodrigo Janot para a frente do STF. O mesmo ministro Lewandowski mandou prender um advogado que o criticou em um voo. Agora temos um ministro do STF ameaçando processar (e nas entrelinhas prender) quem critica a corte ou divulga informações incomodas. Isso depois de terem tratorado a Operação Lava Jato (que mesmo se arrastando há anos jamais deveria terminar de forma tão golpista). Mas é aquilo: aqueles senhores dissolutos certamente cairão em desgraça muito antes de tentarem amordaçar os brasileiros. O que mais se pode dizer é que o mais problemático disso tudo é que isso só alimenta o ódio contra a instituição e a perda de sua legitimidade, quando o correto é que a instituição se sobressaísse aos homens - mas infelizmente aqui alguns degenerados estão conseguindo sepultar uma instituição do Estado. O Supremo está mesmo entre o deboche e a lama.

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