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O que está em jogo com a prisão de Temer



Michel Temer foi preso mais cedo, gerando um enorme cataclismo político em um cenário já turbulento. As alegações do juiz federal Marcelo Bretas é de que a organização criminosa presidida pelo ex-presidente colocaria em risco as investigações. Mas não é bem assim.

O juiz cometeu diversos tropeços em sua sentença, provocando um vendaval em Brasília que pode até mesmo atrapalhar o andamento das reformas. O evento provocou o agravamento do mal-estar entre o presidente da Câmara Rodrigo Maia e o Palácio do Planalto, aprofundado por um tweet do vereador Carlos Bolsonaro criticando o presidente da Câmara.

Por mais que alguns fervorosos lavajatistas queiram criar malabarismos teóricos, o fato é que não se prende ninguém que não ofereça riscos ao andamento do processo. Prisão é um fato que em cenários normais só se dá após a prisão em segunda instância. O que foi feito aqui é completamente bizarro. A título de comparação, o ex-presidente só foi preso após a condenação em segunda instância pela 8° turma do Tribunal Regional Federal da 4° Região. Mesmo depois de condenado em dois processos ainda há quem defenda que o processo contra ele foi ilegal.

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A título de comparação temos os exemplos de Eduardo Cunha e Michel Temer: foram presos muito tempo antes do julgamento com base apenas em achismos. No final das contas servirão apenas como bodes expiatórios para a narrativa petista, que dirá que os articuladores do MDB eram bandidos e que a inocente Dilma Rousseff está solta e tranquila. Ah, nenhum dos presos teve o direito de escolher em que condições se entregariam. Foram triturados em uma ação midiática da Polícia Federal. Lula não: foi preso quando bem quis, tendo inclusive protagonizado uma missa negra que durou um dia inteiro. O ato de entrega se deu de forma tão discreta que nenhum jornalista captou o momento em que o maior criminoso da história entrou no camburão.

Mas qual a intenção de Bretas em mandar prender alguém utilizando argumentos tão fracos? Bom, sabemos que o caso é relatado pelo intragável Gilmar Mendes. Gilmar é o cara que opera da seguinte forma: quando não há elementos que justifiquem a prisão, ele solta. Quando há, ele também solta. O ministro mais impopular de toda a história do Supremo Tribunal Federal já declarou publicamente seu ódio por Bretas e pela força-tarefa da Operação Lava Jato, a quem qualificou como "gangster". Não será surpresa se ele ordenar a soltura do ex-presidente. Será a oportunidade para o juiz militante que declarou seu amor por Lula em tom de emoção vir a público jogar para a platéia. Gilmar é um aloprado que nunca fez questão de ser simpático ou de ouvir a opinião pública, então certamente ele irá entrar de cabeça neste conflito. É nossa versão piorada e ainda mais trágica da Guerra Infinita.

É verdade que muitos irão comemorar o ato de hoje. O júbilo dos inocentes e dos jacobinos atesta a ruína de uma nação. Não se constrói um país livre, justo e democrático com aloprados comandando as instituições, nem com agentes públicos utilizando sua prerrogativa para violarem a Constituição e o Estado democrático de Direito. A maior vítima do ato de hoje não é o Michel Temer, figura cuja morte política já era fato consumado desde a tentativa de golpe Janot/Joesley (que lembra em muito o ato de hoje). A vítima aqui é o governo Bolsonaro, que poderá ser retaliado caso se estabeleça o consenso de que a decisão de Bretas foi motivada por agentes ligados ao governo. Rodrigo Maia, que protagoniza uma batalha recente com o ministro da Justiça Sérgio Moro já colocou as garras de fora ao nomear dois deputados de extrema-esquerda para relatarem o Pacote Anti-crime (a saber, Marcelo Freixo e Paulo Teixeira). Os próximos capítulos desta guerra são imprevisíveis.



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