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Maia e outras piranhas estão agitados porque sentiram o cheiro de sangue na água




Tudo que é sólido pode derreter, assim como o cenário político brasileiro que nunca está igual ao dia anterior. Pouco depois de um almoço com representantes dos três poderes na residência oficial do presidente da Câmara. eis que Rodrigo Maia declara guerra ao governo Bolsonaro ao atrasar a apreciação do pacote anti-crime e nomear como seus relatores os deputados Marcelo Freixo (PSOL) e Paulo Teixeira (PT).

Observem que Rodrigo Maia foi eleito com votos do PSL em nome da governabilidade. No entanto a relação começou a se deteriorar no meio do caminho, principalmente por conta da insistência do ministro Sérgio Moro em aprovar seu pacote de leis no curto prazo. Maia não gostou de ser cobrado e partiu para o ataque chamando o ministro de "funcionário de Bolsonaro".

A briga no entanto não foi motivada apenas por Moro, sendo possível até estabelecer o consenso de que este argumento não passe de mero pretexto do presidente da Câmara para justificar seus petardos contra o Executivo. Várias fontes ouvidas pela imprensa relatam que Maia teria se incomodado com ataques que sofreu por parte de seguidores do presidente. Calculista, o parlamentar esperou saírem as primeiras pesquisas sobre a aprovação do governo. Ao identificar a tendência de queda na popularidade do presidente, resolveu atirar.

Observem como estes agentes aguardaram de forma paciente: esperaram o desgaste de Flávio Bolsonaro, as confusões envolvendo seguidores de Olavo de Carvalho com o núcleo militar do governo, as imposturas de Carlos e Eduardo e episódios como o golden shower - além de rompantes contra a imprensa que não ajudam em nada na construção da imagem de estadista que deveria ser a meta de qualquer um que ocupe a chefia de Estado.

Motivos não faltam para isto: Maia não precisa mais de pedir votos ao povo, e nem ao menos faz questão de representar seus eleitores (que certamente votaram majoritariamente em Bolsonaro). Hoje ele representa os interesses do Congresso, ou seja, da classe política. Classe esta que ficou de fora dos ministérios e viu seu prestígio demolido nas urnas e nas incursões da Operação Lava Jato. Atuando como sindicalista estatal, Maia resolveu comprar a briga dos que nele confiaram o voto.

Por mais que os fatos soem desconexos, o fato é que o episódio da demissão de Gustavo Bebbiano ajudou a ascender um sinal de alerta na Praça dos Três Poderes. É época ficou claro que tanto o presidente do Senado Davi Alcolumbre quanto o próprio Maia eram contrários a demissão do articulador do PSL. Nem tanto por ele, mas pelo método: antes de ser demitido Bebbiano foi imolado em praça pública pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente que faz as vezes de ministro sem pasta em Brasília. Como antecipado aqui neste blog, o episódio não só deixou claro a falta de profissionalismo e decoro dos que preferiram lavar roupa suja em público como também iria corroer a confiança dos políticos na figura do presidente. E não é preciso ser muito genial para entender: se o sujeito que tornou possível a candidatura do presidente foi sangrado pelo filho do presidente, o que não seria feito com políticos que se aproximaram do presidente apenas no segundo turno ou mesmo após sua vitória?

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Prova disso é que mais cedo Maia retuitou um post do deputado Domingos Neto (PSD-CE) em que o parlamentar critica a campanha de apoiadores do presidente contra o presidente da Câmara. No mesmo dia o vereador Carlos compartilhou uma notícia sobre o entrevero de Maia e Moro com a pergunta: "Por que o Presidente da Câmara anda tão nervoso?" Foi o que bastou para que Maia dissesse que os ataques sofridos por ele são tocados pelo filho do presidente.




E agora? Bom, não há muito o que fazer senão aguardar o desenrolar da história. O fato é que Maia e o STF resolveram agir após sentirem o cheiro de sangue na água. Sabem que o grupo do presidente se envolveu em uma dezena de polêmicas desnecessárias, e que isto causaria custos a longo prazo. E estamos falando de um presidente que tem praticamente a imprensa inteira como oposição, pessoas que se não encontrarem fatos negativos não irão pensar duas vezes antes de criar factóides. O resultado está aí.

Este é o problema de tentar empreender uma revolução ao invés de uma reforma. Não é por outra razão que os conservadores sempre prezaram pela prudência, muito diferente do que é feito aqui em Terra Brasilis por jacobinos que pretendem destruir tudo para reconstruir um novo país a partir dos escombros. É evidente que a instituição republicana já não serve mais (aliás, nunca serviu) e que há muito pouco para se salvar. Mas também é verdade que ninguém joga fora a criança com a água suja. Não seria muito melhor promover mudanças duradouras e avançar na agenda conservadora antes de tentar empreender uma revolução? Seria, mas nossos cruzados preferiram agir de outra forma. Vamos ver agora o que acontece daqui para frente. Lembro ao leitor mais apaixonado que irá babar no teclado e xingar a mãe do blogueiro que Maia não tem apenas o poder de pautar as reformas, mas pode também acolher pedidos de impeachment. Ora direis, não há fato algum que justifique o impedimento. Mas impeachment não é necessariamente um ato jurídico para cobrir um crime, mas sim um ato político. Mas enfim, vamos ver o que acontece. Se nossos conservadores revolucionários lograrem êxito em aprovar as reformas, recuperar a economia, reformar o Código Penal e a Segurança Pública utilizando métodos de guerrilha que só têm espaço em eleições eu mesmo prometo vir aqui neste espaço reconhecer que estava errado. Em revoluções é assim: ou você vence e se sagra como conquistador ou é esmagado e tem seu nome apagado da história. 



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