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Doria mutila Palácio dos Bandeirantes e joga pelo ralo a dignidade da memória paulista



Foi assombrosa a mudança promovida pelo governador João Doria na decoração do Palácio dos Bandeirantes, sede do executivo paulista. Como mostram as imagens abaixo, o que houve ali foi uma espécie de revolução francesa na estética tradicional do palácio. 

A denúncia foi feita por Christine Starr, ex-assessora do cerimonial internacional do palácio. As imagens falam por si. 


Como sempre teremos aqueles que dirão que isso é um fato de menor importância, mas que diz muito sobre a ótima que o governador tem sobre a coisa pública. É também o que justifica a crítica: o Palácio dos Bandeirantes não é propriedade particular de Doria, mas sim um patrimônio dos paulistas. Não pode ser deformado da forma como foi apenas para atender os caprichos do governador, seja ele quem for. 

Por não ser conservador, Doria tem uma noção distorcida do que é a estética, a impessoalidade da coisa pública e a virtude que se espera de um governante. Ele é simplesmente incapaz de entender que se o palácio permaneceu com a mesma decoração durante os últimos cinquenta anos não por coincidir com os gostos pessoais dos demais governadores mas sim porque não se trata de uma residência particular, mas sim de um prédio que representa a oficialidade do governo. Logo deve ser uniforme, representando os paulistas e não o indivíduo que ocupa o cargo momentaneamente. 

Aliás, justamente por não ser conservador que Doria abriu mão de uma decoração tradicional, vibrante e pujante por algo que seria mais apropriado em baladas como o Inferno e Beco. A diferença é que estas são apenas casas de entretenimento, não sede de governo estadual. E que se espera mais sobriedade do palácio do governo do que destes estabelecimentos da Rua Augusta. 

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Em meu Twitter cheguei a comentar que o governador de Minas Gerais Romeu Zema estava equivocado ao anunciar que não ocuparia o Palácio das Mangabeiras (na thread há uma confusão: Palácio da Liberdade é a sede do governo, o palácio da qual Zema abriu mão foi o Palácio das Mangabeiras). Doria também é mencionado. Segue o fio. 



Doria não só deixa claro ser possuidor de um senso estético duvidoso como também um aloprado que passa por cima do que é eterno em troca do que há de mais fútil. Não se trata de uma polêmica importante para seu governo, apenas uma demonstração descabida de personalidade onde ela não deveria aparecer. E um profundo desamor pela rica tradição paulista, aqui violentada em prol de uma estética pós-moderna trevosa e fria. Me aproprio aqui das palavras do filósofo Olavo de Carvalho, que embora merecedor de certas críticas de minha pessoa foi autor de uma maravilhosa expressão direcionada a um grande jornalista caído em desgraça após dedicar sua vida a defesa de agentes públicos de índole duvidosa: o que Doria fez no Palácio dos Bandeirantes é obsceno e antiestético. Aliás: nosso governador não só mutilou o Palácio e jogou pelo ralo a dignidade da memória paulista como também fez o contribuinte bancar este ato de vandalismo. Até o momento o governo não divulgou o quanto este ato de insanidade custou aos cofres públicos.


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