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Apesar dos tropeços e imposturas, saldo da viagem de Bolsonaro aos EUA foi positivo



Muito tem se falado da viagem da viagem de Jair Messias Bolsonaro aos Estados Unidos. É claro: se falou muito, mas se falou besteira. 

O presidente cometeu alguns equívocos constrangedores, seja pela declaração sobre os imigrantes mal-intencionados ou por levar seu filho deputado federal a tiracolo como se ministro de Estado fosse. Não pegou bem. A declaração do presidente sobre os imigrantes pegou mal justamente por ele ter sido o grande vencedor nas eleições realizadas em território americano. Restou a Bolsonaro se corrigir depois em uma matéria que já havia provocado desgaste ao seu grupo por conta de uma declaração infeliz do filho Eduardo, que também se viu obrigado a se retratar após ser bombardeado de todos os lados (até o pastor Silas Malafaia fuzilou o deputado). 

E o que dizer daquele jantar que reuniu Olavo de Carvalho, Steve Bannon e embaixadores, políticos e diplomatas em Washington as vésperas do encontro com Trump? Deveria ser algo corriqueiro, mas o encontro com Bannon causou constrangimento por se tratar de uma figura que foi escorraçada do governo pelo próprio Donald. Imaginem se Trump viesse ao Brasil e se encontrasse com Gustavo Bebbiano antes de um almoço com Bolsonaro? Pois é. Igualmente constrangedoras foram as declarações de Olavo e Bannon sobre o General Hamilton Mourão. Publicamente o que o ato sugere é que o presidente endosse as críticas, já que estava presente no encontro. Felizmente ali havia um Paulo Guedes que sabiamente enquadrou Olavo e o chamou a responsabilidade. Mais cedo Olavo elogiou Guedes, o que atesta a assertividade do ministro da Economia (de quem falarei mais adiante).

Também não pegou bem a presença de Eduardo na sala durante uma ausência do ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo. Ficou a impressão de que existe um chanceler sem pasta que exerce o poder de facto, enquanto aquele outro faz apenas figuração. É um fato desagradável em particular para Ernesto, que mês passado já havia sido esvaziado por uma espécie de "tutela militar" em seu território. O que parece é que o presidente não entende a diferença entre ser chefe de estado ou caudilho. As imposturas de membros do governo e o deslumbre de alguns porta-vozes informais do governo tornaram o espetáculo um tanto quanto constrangedor.  

Mas é evidente que não se pode descartar tudo. Felizmente Bolsonaro conseguiu êxito em algumas questões fundamentais como o apoio dos Estados Unidos para o ingresso do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Para quem não conhece, a OCDE é um organismo internacional baseada nos princípios do livre mercado e da democracia, onde seus trinta e seis membros formulam políticas públicas e de governança comuns, além de ser ambiente propício para atrair investimentos dos países ricos para o Brasil. Para isso o Brasil teve que abrir mão de vantagens para negociações com países ricos obtidas no âmbito da Organização Mundial do Comércio. 

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Outro ponto importante foi a aproximação com a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Trump afirmou que irá reivindicar para o Brasil o status de "major non-Nato ally". Esta condição colocaria o Brasil em posição privilegiada ao poder estabelecer troca e participação na elaboração de tecnologias militares, a possibilidade de participar de exercícios militares conjuntos e até de receber investimentos na área da defesa. Apesar da OTAN estabelecer a obrigação de defesa mútua, o Brasil não se enquadraria neste quesito por se localizar abaixo do Trópico de Câncer.

Claro, Bolsonaro se mostrou sábio ao anunciar a suspensão de vistos para turistas americanos, japoneses, canadenses e americanos sem cair no argumento da reciprocidade onde ele não se aplica: agora poderemos receber ainda mais turistas com alto poder aquisitivo, além de investimentos dos países odiados por governos anteriores. 

Outro ponto que deve ser destacado foi a atuação maiúscula de Paulo Guedes, que atuou como um verdadeiro estadista: defendeu ao mesmo tempo a necessidade de cooperação com a importância da soberania e defesa dos interesses nacionais. Seu golaço foi defender que o Brasil pode ser um grande parceiro dos EUA sem abrir mão da lucrativa parceria com a China, país que se tornou alvo recente de jacobinos que pouco se importam se nosso agro irá para o lago de enxofre ou não caso o Brasil embarque em uma guerra comercial que não é dele. De certa forma Paulo Guedes anulou falas amalucadas do chanceler Araújo, figura que quase passou despercebida no périplo presidencial pela América. 

Após a conclusão dos trabalhos, Bolsonaro volta premiado por ter incorrido em menos erros do que o previsto. Ao contrário do que setores da mídia dizem, a viagem não foi desastrosa - mesmo com os tropeços e imposturas comuns ao grupo do presidente. É claro que há elementos ali que trabalham na base do entreguismo, mas nós conquistamos importantes dividendos neste episódio. O saldo não foi apenas positivo, como também poderá ser elemento fundamental na projeção do Brasil como liderança política regional na América Latina. Podemos até falar em nota 8 para o presidente. 

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