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Prefeito Bruno Covas mobiliza suas tropas para justificar nomeação de simpatizante de Boulos. Significa.


Ontem a Câmara Municipal de São Paulo voltou aos trabalhos, e logo na primeira sessão houve uma breve altercação por conta das falas do vereador Fernando Holiday contra a nomeação do advogado e agitador cultural Alê Yousseff para a Secretaria de Cultura. O vídeo com as declarações pode ser visto abaixo. O mesmo vídeo conta ainda com uma réplica motivada justamente pelo assunto abordado neste texto, que foi o recibo assinado pelo governo Bruno Covas no tocante a natureza da nomeação do tal Yousseff. As falas de Holiday podem ser ouvidas abaixo, já a da vereadora Adriana Ramalho foi tão constrangedora que a moça preferiu não permitir o compartilhamento. O leitor poderá conferir isso neste link disponível apenas na página da vereadora.





Evidente que não ficou sem resposta: logo na sequência subiram a tribuna os vereadores Fábio Riva (que é líder do governo) e a vereadora Adriana Ramalho. De quebra houve ainda uma intervenção do vereador Cláudio Fonseca, mas esta não deve ser objeto de análise por ter sido espontânea - ainda que no sentido de defender "o diálogo com correntes diferentes". Claro, Fonseca não foi confrontado sobre o mérito de se estabelecer diálogo com quem defende regimes autoritários, mas isto é outra conversa. Vamos analisar as falas de Adriana e Riva. 

Adriana Ramalho parecia um feixe de nervos. Em sua intervenção chegou a dizer que a postura crítica ao secretário era algo próprio da velha política. Já Fábio Riva afirmou que "a sociedade clama pelo diálogo". 

Com todo o respeito, é nítido que o desgoverno tomou conta do PSDB. Não só pela loucura de abrigar em seu ninho alguém que pediu voto em Guilherme Boulos antes de votar em Haddad no segundo turno, mas também pelo desespero que tomou conta do prefeito Bruno Covas diante da possibilidade de não se reeleger. Ao invés de trabalhar (a cidade está abandonada desde que Doria deixou a prefeitura), o alcaide quer tomar para si os votos de Màrcio França na capital. Esquece que os mesmos votos também foram depositados em Jair Bolsonaro, e que aquela opção era mais um protesto contra Doria do que uma adesão ao socialismo. 

A loucura é tão evidente que o prefeito manda dois vereadores rebaterem uma fala contra a incoerência de seu partido. Notem: já que não vai retroceder no desvario, o melhor era ficar calado. O que os dois parlamentares fizeram foi uma lambança nunca dantes vista. Uma diz que cobrar coerência ideológica é "velha política" e o outro diz que a sociedade clama por psolistas na máquina pública. Aquilo foi um verdadeiro freak show. 

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Sabemos que o PSDB nunca foi bom de análise de conjuntura, mas justificar aquilo é brincar com a inteligência das pessoas (parafraseando o vereador Riva). A melhor resposta é: saiam as ruas, vereadores! O vereador Riva deve se voltar ao distrito de Perus e perguntar se os pais de família que o elegeram concordam com as bandeiras de Alê Yousseff (que entre outras atrocidades defendeu com total veemência a mostra Queer Museu). Já para a vereadora Adriana Ramalho (que é evangélica) é bom que ela consulte os membros de sua igreja sobre a construção de pontes com quem acha que evangélicos são monstros reacionários. 

Claro, o prefeito quer perder a eleição - e nós não podemos atrapalhar com críticas construtivas. Melhor é deixar que faça tudo o que seu coração manda, como abandonar a limpeza de córregos e bueiros, permitir que cada canteiro da cidade se transforme em uma mini favela, desembarcar dos programas de zeladoria implantados por Doria como os mutirões do Cidade Linda e Bairro Lindo (parece que Bruno não gosta muito de acordar cedo) e as diversas parcerias com a iniciativa privada para promover ações em diversos setores da gestão municipal. Bruno Covas é o aluno que não estudou para a prova e que vê como melhor estratégia copiar o trabalho do colega do lado. Não tem o que apresentar e resolveu tentar se apropriar dos voláteis votos do socialista Márcio França. 

É até bizarro ter que tratar destes assuntos, já que isso aqui não passa do óbvio. Não é preciso ser cientista político ou um grande analista para saber que o eleitorado que colocou a chapa Doria/Covas é completamente antagônico ao eleitorado que vê em Alê Yousseff um grande nome - e que a aproximação com os partidos de extrema-esquerda não trará estes votos ideológicos para Covas ao mesmo tempo em que fará os votos da centro-direita escorrerem pelos dedos do prefeito. Mas fazer o que, se o PSDB é tão adolescente em suas conclusões? Um exemplo disso é a própria vereadora Adriana Ramalho. Ela e seu grupo político são tão fracos na análise de conjuntura que o pai Ramalho da Construção perdeu a reeleição depois de ter ocupado a Alesp nos últimos anos. Com o devido respeito, foi um fracasso retumbante: o sindicalista começou sua carreira política se candidatando em 2006, conquistando 32.996 votos e a terceira suplência no PSDB. Depois de conseguir a segunda suplência nas eleições de 2010 e o mandato definitivo em 2013 graças aos 62.387 votos, o tucano finalmente se elegeu em 2014 com 80.344 votos. Porém a máxima tucana se mostrou maior, e o deputado conseguiu em 2018 apenas 28.822 votos. Se for ouvir o tipo de conselho que a filha dá no plenário, é só chamar o legista para atestar sua morte política. 


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