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O que fará Renan Calheiros depois da derrota? Possivelmente muito menos do que se alardeia


O derrotado Renan Calheiros agora se refugia em seu covil para curar as feridas da derrota acachapante que sofreu na Câmara. Provavelmente já deve estar tramando novos meios de voltar a hegemonia política em Brasília, inclusive sinalizando interesses pela Comissão de Constituição e Justiça da casa.

O caso é que os formadores de opinião parecem estar muito acostumados com o antigo Renan, aquele que acossava os membros da casa com suas ameaças. É sempre prudente temer alguma artimanha por parte do senador cangaceiro, mas também é fato que há uma supervalorização de eventuais estragos causados por Renan ao governo Bolsonaro.

Vejam só: Renan antes de tudo um pária que sequer deveria estar no Congresso, não fosse a miséria de seus eleitores alagoanos provavelmente ele teria sido vomitado fora junto com outros que pereceram na grande tormenta eleitoral de 2018. Sobreviveu graças aos conchavos, ao favorecimento por ser aliado do governo federal e ter nas mãos o governo estadual (seu filho Renan é governador de Alagoas), além de obter certo apoio da mídia local que teme perder espaço e verbas.

É também pelo medo que Renan impera em Brasília. Parlamentares temem desde o desemprego de aliados até mesmo a difamação midiática, já que o criminoso conta com uma rede de coerção que se mostrou muito evidente no episódio em que o Senado apreciou o pedido de cassação de seu mandato. Favorecido pelo voto secreto e sem a inconveniência das redes sociais o cangaceiro tratorou todos os que o queriam fora da casa. Saiu-se ainda maior do episódio ao provar que seus colegas não o cassavam não por serem igualmente imorais, mas sim por serem fracos o suficiente para deixarem seus podres na mão do alagoano.

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É evidente que Renan poderá causar transtornos, mas nem de longe é o que se alardeia por aí - sobretudo entre os que torcem abertamente contra o governo. O fato é simples: Renan continua sendo Renan, mas não terá mais em suas mãos os cargos que adoçavam a vida de seus aliados. Sua cidadela continua firme em Alagoas, mas o próprio Renan sabe que politicamente o melhor é a neutralidade fingida. Até porque estamos falando de um sujeito que nunca foi oposição no Congresso. O último opositor de Renan talvez seja seu amigo Fernando Collor, chamado de "príncipe herdeiro da corrupção" pelo emedebista em seus tempos de prefeito de Maceió (Renan era líder estudantil da Universidade Federal de Alagoas e deputado estadual).

Renan foi completamente desmoralizado, e sua humilhação ficou mais evidente justamente por conta da tentativa vil de recorrer ao Supremo Tribunal Federal. A ordem de Dias Toffoli para obrigar a casa a eleger Renan foi carimbada de "sentença pré-datada" por Major Olímpio e reascendeu na casa um temor que há muito aflige aqueles oitenta e um senhores, que é a indecorosa interferência do STF nos assuntos do legislativo. É algo que deveria preocupar também cada um dos cidadãos brasileiros, já que qualquer ministro indicado poderá sustar o efeito dos votos dos brasileiros por meio do ativismo judicial. Renan (que durante um tempo alertou sobre este perigo) não hesitou um instante sequer para abandonar os colegas e se refugiar no doce aconchego de Dias Toffoli.

Claro, essa virada também deverá mudar em muito as relações do STF com os demais poderes. Se durante os últimos anos vimos aquela corte acovardada se vergando ao petismo - é quase certeza que irão repensar seus passos daqui em diante. Não será impensável se um ministro infeliz for cassado pelo Senado, algo que jamais fora cogitado no Senado dominado pelo MDB. Desde a redemocratização o Senado elegeu doze presidentes, sendo que apenas um dos eleitos não era do PMDB. Seu nome: Antônio Carlos Magalhães. Tião Vianna (PT) e Edson Lobão (na época no DEM) foram apenas interinos.

O que resta para Renan? Bom, ele poderá escolher liderar a oposição - o que será ótimo para Bolsonaro. Será um homem podre que ameaça partir para a porrada com colegas, que teve o nome mencionado naquela cédula avulsa que apareceu na urna e que no dia seguinte atacou a jornalista Dora Kramer naqueles termos. A outra alternativa (tão provável quanto qualquer outra) é de que o cangaceiro coloque o rabo entre as pernas para comer migalhas na mão do governo. Afinal de contas, o próprio senador diz que existe um Renan para cada ocasião. A conferir.



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