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O principal acerto de Bolsonaro foi reconhecer que sua posição histórica contra a reforma estava equivocada





Mais cedo o presidente Jair Bolsonaro se dirigiu pessoalmente até o Congresso Nacional para apresentar a proposta de reforma da previdência elaborada pela equipe do ministro da Economia Paulo Guedes. Entre os pontos destacados pelo noticiário estão:

  • Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, foram ao Congresso para entregar a proposta.
  • Idade mínima de aposentadoria será de 65 anos para homens e de 62 para mulheres, após 12 anos de transição. Não haverá regra de aposentadoria exclusiva por tempo de contribuição.
  • Idade mínima para trabalhador rural será de 60 anos, para homens e mulheres. Hoje, a delas é 55.
  • Forma de contribuição mudará: as alíquotas serão progressivas, de acordo com a faixa salarial. A menor será de 7,5%, para quem ganha salário mínimo.
  • Governo prevê um regime de capitalização alternativo, mas não divulgou detalhes; tempo de contribuição dos militares passa de 30 para 35 anos e pensionistas terão de contribuir.

Evidente que questões como a inclusão dos militares ainda permanecem em aberto. Outro ponto importante é que a idade deveria ser de 65 para ambos os sexos. Mas no panorama geral a reforma elaborada pelo governo conseguiu estabelecer um consenso razoável que só não agradará a quem deseja manter benefícios ou a quem lucra com o discurso de que a reforma da previdência é uma maldade contra os pobres. 

Estelionatos a parte, o aspecto da reforma que se sobressai é o político. A reforma foi apresentada logo após o desgaste que se deu em torno da saída do ex-ministro Gustavo Bebianno da Secretária Geral da Presidência e um dia após o governo sofrer sua primeira derrota na Câmara (na questão das alterações da Lei de Acesso a Informação estabelecidas em decreto assinado pelo vice-presidente General Hamilton Mourão). É este aspecto que deverá ser esmiuçado. 

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Acertadamente o governo Bolsonaro tratou de reposicionar as tropas para o que certamente será um dos seus principais embates. No Senado foi acertado que a liderança do governo ficará com o senador Fernando Bezerra Coelho, do MDB de Pernambuco. Embora tenha o passivo de ter sido aliado e líder do governo Dilma Rousseff, o parlamentar pernambucano ajuda a neutralizar obstáculos que eventualmente atrapalhariam a aprovação da reforma da previdência e outros projetos do governo no Senado. Também diminui a bronca de setores da política tradicional não alinhados ao bolsonarismo. Embora alguns aloprados digam o contrário, o fato é que o governo acerta com o pragmatismo responsável: se prestigia um senador emedebista com uma posição de prestígio que não necessariamente compromete o discurso do governo. 

É sabido por todos (e certamente também pelo entorno do presidente), que os parlamentares estão descontentes não só com o desprestígio na distribuição de cargos quanto na questão da polêmica recente com Bebianno. No entanto o governo tratou de também neutralizar este atoleiro por meio de conversas com estes setores e com o simbolismo importante e contundente que foi a ida do presidente até o Congresso para entregar a reforma. Aliás, foi em decorrência deste ato que ocorreu o desdobramento mais importante do dia que foi a declaração do presidente retificando seu posicionamento histórico contra a reforma. 

Oriundo do sindicalismo extra-oficial dos militares, Bolsonaro cometeu diversos deslizes ao longo de sua trajetória ao defender pautas próprias do corporativismo militar e dos servidores - inclusive com reiteradas críticas contra a reforma da previdência que continuaram a se suceder mesmo após a aproximação com o economista Paulo Guedes. No entanto hoje o presidente fez o impensável: declarou com todas as letras que estava equivocado. Abre aspas: “Nós erramos no passado – eu errei no passado – e temos uma oportunidade ímpar de realmente garantir para as futuras gerações uma Previdência onde todos possam receber”.

É evidente que o presidente estava equivocado, mas sua fala sinaliza não só a grandeza no reconhecimento do erro como dá respaldo a equipe do ministro Paulo Guedes - que certamente é o setor do governo mais suscetível a ataques por parte da extrema-esquerda com pautas tão impopulares quanto remédio amargo na boca de criança. Bolsonaro acertou ao se mostrar confiável para investidores e para a classe política depois de ter emergido de uma pequena crise em sua equipe que certamente lhe rendeu alguns arranhões. Ao demonstrar a necessidade da reforma para a saúde econômica do país o que o presidente faz é facilitar o trabalho de quem terá de defendê-la no Congresso, diminuindo a ojeriza da população menos informada a este respeito. Com sua popularidade o presidente poderá esclarecer as camadas mais humildes da população sem prejuízo ao seu próprio governo e ao futuro do país. Aqui não cabe a economia de palavras: foi um golaço do governo.



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