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Não é só o hino



O caso do hino na escola demonstra mais uma vez que os pontos mais vulneráveis do governo Bolsonaro são a comunicação e o amadorismo de algum de seus quadros - pessoas que nunca passaram pela gestão pública matando no peito como se estivessem na várzea. 

Ensinar a importância dos símbolos nacionais e do civismo é mesmo algo que se espera no governo de um militar que se apresenta como conservador, sendo inclusive uma das promessas de campanha do presidente. O resgate é bem vindo e desejado. No entanto é imperativo que um conservador defenda os limites institucionais entre partido, governo e Estado. Não saber diferenciar uma coisa de outra é sintoma grave de amadorismo ou autoritarismo - a depender de quem está com a lupa. 

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Apoiadores do governo podem até argumentar que "as esquerdas defendem coisas piores nas escolas" ou que "estão guinchando por causa do hino". É verdade. Mas também é verdade que há na nota o erro crasso de usar o slogan do governo no texto, algo que de tão errado pode ser pode ser enquadrado como improbidade administrativa. Não pode, e isso se dá justamente para nos proteger da sanha de nossos adversários quando estes chegam ao poder. Tanto que o próprio movimento Escola Sem Partido criticou a medida. No fim aquela excrecência desnecessária só serviu para expôr e desgastar o ministro, que agora passa a ser cobrado por resultados concretos em uma das pastas mais complicadas da União. 

Este é o segundo episódio em que se dá uma cabeçada. O outro foi aquela estranha nota contra o jornalista Anselmo Góis. Por mais que os valorosos defensores do governo digam o contrário, não se ganha nenhum capital político com isso. Quem defende a ordem do MEC pode até argumentar que as esquerdas detestam nossos símbolos nacionais e que reclamariam de uma forma ou de outra. Mas se é do conhecimento do governo que qualquer medida será bombardeada pela oposição, o correto é ter cautela e projetar cada ação com precisão milimétrica ao invés de levar tudo no peito como se fosse um grêmio estudantil. 

O decoro, o protocolo, a ética e a transparência são normas que todo conservador deve levar em conta em sua vida pessoal ou pública. Parece que os dirigentes do MEC estão falhando nestas questões. Sem nenhuma pretensão de me juntar a esquerda digo que não há nada menos conservador do que atravessar a rua para pisar em casca de banana. É verdade que alguns poderão ver má-vontade nestas linhas, mas não dá para seguir defendendo uma questão em que o próprio autor fez recuo, sinalizando em nota que errou no email. Ao menos o ministro se corrigiu.


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