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Mourão e Heleno estão corretos ao adotarem cautela com relação à possível intervenção na Venezuela



O vice-presidente Hamilton Mourão tem adotado um tom técnico e uma postura conservadora quando instado a tratar da crise da Venezuela e do recente conflito diplomático com o país vizinho após a decisão unilateral de bloqueio por parte do ditador Nicolás Maduro. Quem também tem acertado em suas posturas é o General Augusto Heleno, Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência do Brasil.

Aliás: os generais não "descartam completamente uma intervenção" ou mesmo se posicionam "completamente contra". O que fazem é avaliar de forma correta - amparada tanto no direito internacional quanto nas práticas de Defesa e Segurança que este não é o momento de se tomar uma ação destas.

Embora pareça sedutora a idéia de Maduro sendo escorraçado do Palácio de Miraflores por meio de botinadas de soldados brasileiros, o fato é que qualquer indivíduo que estude geopolítica, defesa e gestão pública saberá que um evento desta magnitude não é empreendido sem deixar ônus ao seu ator.

Sim, teríamos custos imprevisíveis. Desde custos financeiros até custos humanos. Custos que só poderiam mesmo tornar ainda mais difícil a vida do governo Bolsonaro - aquele que foi eleito para colocar a casa em ordem após anos do império do banditismo oficializado pelo petismo.

Imaginem o governo Bolsonaro pautando uma reforma da Segurança e uma mudança no Código Penal ao mesmo tempo em que suas tropas regulares se aventuram na Venezuela? O esforço de uma intervenção militar concentraria boa parte da energia do Estado brasileiro. O dinheiro do contribuinte seria utilizado em benefício de estrangeiros e de uma pauta que certamente soaria ideológica em um país pouco acostumado a este tipo de prática.

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Evidente que se houver violação da soberania do território brasileiro ou mesmo alguma ameaça a nossa segurança o governo deverá agir. Mas o que houve no final de semana com algumas bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha pode ser considerado grave - mas não algo que motive uma intervenção. É bom lembrar que aquilo sequer foi praticado pelo governo da Venezuela, já que Maduro não é mais considerado governante legítimo do país.

Aliás, este blog mencionou que tudo o que o carniceiro bolivariano mais deseja hoje é que o governo Bolsonaro dê ouvido aos aloprados e invada o país de forma intempestiva. Seria a materialização da narrativa de que o Brasil é governado por um fascista que age como cão de guarda do imperialismo americano.

O que o governo brasileiro pode fazer? Liderar esforços humanitários e sanções políticas para emparedar Maduro. Auxílio a Juan Guaidó enquanto presidente interino, asilo a perseguidos políticos e até mesmo o rompimento de relações com o governo bolivariano.

É claro que a intervenção militar não é algo tão descartável hoje, mas deverá ser o último dos recursos do Estado brasileiro. Parafraseando o social-democrata Fernando Henrique Cardoso sobre o impeachment, "intervenção é como uma bomba nuclear": existe para não ser usado. É um daqueles recursos que serve mais como meio de dissuasão política do que ação prática. Qualquer ação neste sentido deverá ser realizada apenas quando se esgotarem todos os caminhos, e principalmente após os Estados Unidos e Colômbia se unirem neste esforço. Apenas a partir daí é que o Brasil poderá colocar seu bloco na rua. Até lá o governo deve se manter da mesma forma cautelosa com que tem se conduzido até agora - estratégia que felizmente é fomentada pelos generais Heleno e Mourão.


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