Ads Top

Crítica alemã destrói filme panfletário de Wagner Moura: "Querem criar um monumento para Marighella"


O panfleto cinematográfico de Wagner Moura sobre a vida do guerrilheiro e terrorista Carlos Mariguella não agradou a crítica alemã. Ao menos é o que diz o Deutsche Welle Brasil. O jornal coletou críticas de diferentes meios demonstrando como a ficção de Wagner Moura falhou na tentativa de criar um Mariguella diferente do truculento terrorista que pretendia instaurar no Brasil uma espécie de soviete dos trópicos.

RBB – Epopeia cansativa, 16/02/2019"Não somos terroristas", grita Marighella aos reféns de um assalto a banco. "Somos revolucionários!" Declarações como essa há um pouco demais no filme. O herói tende a monólogos impulsivos e discussões que, apesar da determinação com que são feitas, soam estranhamente sem vida. Dúvida e ambiguidades não estão previstas em Marighella. Isso vale também, é claro, para o protagonista e seus aliados – e sobretudo para o grande antagonista, o investigador Lúcio.

Esta crítica em específico deve ter doído muito em Bruno Gagliasso. Inexpressivo em seus dotes artísticos, Bruno se tornou um dos cardeais do progressismo tupiniquim graças a uma série de imposturas públicas. Questionado sobre seu papel no filme (justamente o delegado Lúcio), Gagliasso tentou criar uma narrativa mambembe de que a luta de Marighella era contra o racismo:

Em conversa com os jornalistas, o pai de Titi não conteve a emoção. “Não sei se vocês sabem, mas tenho uma filha negra”, disse, referindo-se a Titi, que adotou no Malauí com a mulher Giovanna Ewbank. “Eu sei da importância desse filme para a minha filha no futuro”, disse, chorando.

É, parece que não convenceu. Assim como também não convenceram as reiteradas afirmações de que o filme é um ato de resistência resgatando a história de um ativista que lutou pela democracia. Este embuste levou o Der Tagesspiegel a ironizar a obra chamando Marighella de "O Bom terrorista".

Der Tagesspiegel – Carlos Marighella, o bom terrorista, 15/02/2019A luta revolucionária, como conceito, sofreu muito nos últimos anos. Não só por causa do colapso do império soviético, antes disso o comunismo já havia dado cabo de todos os revolucionários. As ilhas da resistência ficaram cada vez menores: Cuba, Vietnã. No fim, alguns países isolados do mundo árabe. [...]
Só na América Latina e – depois da eleição do populista de direita Jair Bolsonaro para presidente – em especial no Brasil, a crença na pertinência da luta armada parece intocada. Um nome sempre a simbolizou: Carlos Marighella, precursor intelectual do conceito de guerrilha urbana. [...]
O herói de [Wagner] Moura é uma figura trágica. Por mais convincente que ele pareça ser no seu sentimento de injustiça – e a junta militar que tomou o poder em 1964 lhe dá motivos suficientes para isso – nenhum caminho conduz da violência para a benevolência das massas. A não ser que se esteja morto e transformado em lenda. E é exatamente essa mitificação que o filme Marighella pretende. [...]
Moura potencializa a imagem de outsider nobre com o fato de seu protagonista ser o único negro do elenco, e isso apesar de Carlos Marighella, com suas raízes indígenas e africanas, não exatamente se diferenciar de seus compatriotas pela cor da pele. Ele era um mestiço, como 38% dos brasileiros. Apresentá-lo como negro – e transformá-lo em alvo com uma frase como "matar um negro significa matar um vermelho" – é sair do conflito político e transformá-lo num conflito racista. E de uma maneira que todos assim o percebem.

O pior é que a paulada não parou por aí. O TAZ escreveu que o filme é revelador não pela denúncia exagerada de violações aos direitos humanos que de fato aconteceram (a crítica inclusive salienta que o filme carregou nas tintas), mas sim por revelar que a esquerda latino-americana é populista do tipo que culpa o imperialismo americano e a direita por todos os males, além de afirmar de forma categoria que o filme tenta "reescrever a história".

TAZ – A guerrilha sempre tem razão, 15/02/2019Wagner Moura quer, inconfundivelmente, criar um monumento para Marighella. E Marighella certamente foi uma personalidade carismática. Só que a carência de domínio e um distanciamento em relação a material histórico e pessoa levaram a uma epopeia. Este filme não conhece contradições, por exemplo não tematiza as teorias imperialistas e capitalistas unidimensionais da esquerda de então. Ele prefere sobretudo desabonar a direita.
O sistema de segurança brasileiro de então, de fato em parte fascista, é extensivamente exibido na figura do agente assassino Lúcio, e a reconstrução de cenas de tortura ultrapassa os limites do cinematicamente suportável. A violência institucional obtusa e de fato existente não precisa ser exibida de forma tão naturalista e duradoura como foi feito neste filme.
A estética "Marighella" de Wagner Moura é assim involuntariamente reveladora. Ela revela sobretudo um corte significativo na mentalidade do populismo de esquerda na América Latina e como este, hoje, ajeita a história a seu gosto.
Penetrante e grotesca é a representação da influência do governo americano nos acontecimentos na América Latina. Até hoje ela serve ao populismo de esquerda local como desculpa para o próprio fracasso.

Cada uma destas críticas serviu para abalar o pouco prestígio falso da qual o filme desfrutava. Isso porque provavelmente os críticos não sabem que a obra foi realizada graças a captação de recursos por meio da lei de fomento a cultura conhecida como "Lei Rouanet" em pleo governo Michel Temer - aquele chamado de golpista pela turma de Wagner Moura e Seu Jorge. Se soubessem teriam a certeza de que essa turma não passa de uma quadrilha de estelionatários, já que denunciavam a ascensão fascista com Temer ao mesmo tempo em que conseguiam de seu governo a autorização para captar recursos por meio de renuncia fiscal. Que governo golpista e autoritário permite que artistas opositores realizem uma empreitada destas? E se souberem que o tal Marighella não era preto, e sim um mulato de pele clara? O fato é que a narrativa fraudulenta do Marighella é tão falsa quanto nossos humanistas bolivarianos.

Curta o Reacionário no Facebook:


[left-sidebar]
Tecnologia do Blogger.