Ads Top

Caso Ilona reforça a necessidade de articulação e comunicação dentro do governo Bolsonaro



Embora o ministro da Justiça Sérgio Moro tenha recuado na intenção de nomear a cientista política Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, o fato é que a decisão aparentemente irrelevante custou muito para o ex-juiz federal - que segundo informa a mídia foi posteriormente desautorizado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro.

Não é possível cravar que a nomeação foi o problema. Não, foi apenas um sintoma. O problema é muito maior e mais profundo: a completa falta de articulação política no governo Bolsonaro.

Isso é observado desde os primeiros dias. Entre os sintomas da falta de articulação e comunicação estão as declarações do presidente sobre a economia negadas pela equipe econômica, a ingerência do filho Carlos Bolsonaro fritando publicamente um ministro que poderia ser simplesmente demitido de forma mais discreta, a apresentação simultânea do Pacote Anti-Crime de Moro e da Reforma da Previdência de Paulo Guedes (ambas são propostas polêmicas e complexas - complexas demais para correrem ao mesmo tempo), o ministro General Souza Cruz negando publicamente a promessa do presidente em extinguir a TV Brasil, o vice General Mourão contrariando o presidente e levantando a própria pauta, o ministério da Educação publicando notas e emails desnecessários sem ao menos consultar a assessoria jurídica da pasta e agora um ministro prestigiando alguém que chamou seu superior de fascista.

continua depois da publicidade

O que acontece é que qualquer medida que fosse tomada pelos diversos setores do governo deveria primeiro ser avaliada internamente. As equipes elaboram as diretrizes e a apresentam para o núcleo de articulação política. Ali é analisado o mérito, a conveniência política e de data, além de se apreciar o quanto a medida em questão não pode afetar outras pastas. Qualquer decisão do governo, fala ou declaração de ministro e do próprio presidente deveria ser antes alvo de escrutínio interno.

E por qual razão? Para evitar a imagem de equipe caótica e desorganizada. O que tem se visto até agora foi a esquerda festejando a desarmonia interna, o amadorismo aparente e os recorrentes recuos do governo.

Não era essa a imagem que se esperava de um governo capitaneado por um militar. Ao contrário: se as Forças Armadas são as instituições mais admiradas pelo brasileiro é justamente por conta da disciplina, tecnicismo e perícia de seus quadros. Sem querer ser desrespeitoso, mas a impressão que se dá é que o time de Bolsonaro está tão desorganizado quanto o elenco do Corinthians - aquele que é simplesmente um dos piores Corinthians de todos os tempos. Tanto no governo como no Parque São Jorge os diversos setores caminham sozinhos. A defesa não funciona, os atacantes são pífios com exceção de um ou dois que sempre brilham e de uns três ou quatro que mantém certa regularidade.

O governo Bolsonaro apresenta uma singularidade com relação aos quatro últimos que o antecederam: um time majoritariamente invejável. São currículos e biografias notáveis, com verdadeiras sumidades em suas áreas de atuação - sendo que apenas um ou outro os que destoam. É um governo que tem exatamente tudo para dar certo. É apenas uma questão de querer.

Há que se colocar ordem na casa. Talvez o presidente possa se valer do incansável e excelente General Augusto Heleno (que de longe é o melhor ministro do governo) para alinhas as tropas. Certamente o ministro terá valiosas contribuições para conter o ânimo dos aloprados e transmitir uma imagem de estabilidade ao elenco. Se a sociedade perceber que não há o mínimo de coesão no time o governo desidratará tão rápido quanto o de Dilma Rousseff. E como a própria família Bolsonaro sabe, o que não faltam são interessados na tragédia. 

Tecnologia do Blogger.