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R Kelly sequer foi condenado, mas tribunal do santo ofício de Hollywood já o sentenciou ao ostracismo



Recentemente o rapper R Kelly se tornou alvo de uma série de denúncias de auso sexual veiculadas no documentário Surviving R. Kelly. Antes mesmo que qualquer denúncia fosse sequer feita as autoridades, o rapper se tornou persona non grata na indústria do entretenimento. Nos últimos dias três cantores retiraram das plataformas de streaming músicas feitas em parceria com o rapper: primeiro Lady Gaga, que foi seguida por Celine Dion e Chance The Rapper. 

Há uma questão aqui que não pode ser ignorada, e que costuma poluir a discussão sempre que algum negro é acusado de assédio, abuso sexual ou estupro: muitos afroamericanos foram e são injustamente acusados de crimes sexuais por conta do racismo - que é muito mais agudo naquela sociedade do que aqui no Brasil. É nisso que alguns defensores do rapper tem se apegado, já que homens negros costumam ser vítimas de processos sumários apenas porque se tem a certeza de que qualquer denúncia de crime sexual contra negros é logo tomada como verdade. Para tornar o debate ainda mais complicado há o fato de que a maioria dos condenados por estes crimes são negros. Enfim, o fato é que o rapper possuí algo que outros acusados não contam: uma legião de defensores que assim se posicionam por conta do histórico de tensão racial nos Estados Unidos. 

É importante destacar este ponto pelo fato de que não é possível cravar se R Kelly cometeu os crimes a ele imputados ou não. Sempre causará espécie a notícia que determinado sujeito abusou de mulheres sem que nenhuma delas tenha recorrido a justiça. É evidente que em alguns casos a vítima possa ter sido coagida, como no caso do produtor Harvey Weinstein - mas sempre há a Justiça para resolver estas dúvidas e fazer reparos a quem de fato for vítima. O problema de nossos tempos é que as autoridades constituídas se tornaram meros acessórios em um ordenamento que preza muito mais pela histeria da imprensa e das redes sociais. 

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Vamos pensar: se o rapper for de fato culpado, não seria o caso de primeiro ser investigado para depois ser alvo do tal documentário? O que foi feito é que a partir da veiculação do documentário movimentos e figuras públicas passaram a promover esta verdadeira caçada humana. E se questionarmos alguns dos justiceiros, eles dirão que não têm provas - mas que há um documentário. É quase como a absurda frase "Não temos provas, mas temos convicção" - aquela que não passa de uma fake news forjada contra o procurador Deltan Dallagnol. 

A ascensão da geração millenial parece ser a raiz deste mal. Uma sociedade com tantos jovens e adultos mimados, mal criados e expostos a radioativa influência da esquerda pós-moderna não poderia se comportar diferente. Somado a conveniência política e cinismo das novas esquerdas, temos o mesmo que foi feito aqui em ocasiões como aquela em que a então ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário disse que o jovem Kaique Augusto dos Santos havia sido vítima de homofobia - para pouco depois a perícia descobrir por meio de câmaras de tv que o garoto homossexual havia na verdade se suicidado ao se atirar de um viaduto na região central de São Paulo. 

Sim, é para isso que existe o Estado Democrático de Direito e o devido processo legal: para proteger inocentes. Primeiro se investiga de forma criteriosa e técnica. Até que se possa fazer qualquer conclusão, ninguém será considerado culpado - bem diferente da lógica de se punir primeiro para investigar depois. Aqui no Brasil tivemos o caso de Marcos Feliciano (acusado de estupro pela delirante Patrícia Lélis) e o ator Douglas Sampaio (falsamente acusado de agressão pela atriz feminista Jennifer Nascimento). Em ambos os casos as duas figuras foram metralhadas na mídia, sofrendo o calvário de serem condenadas antes de qualquer conclusão por parte das autoridades.
Não, não devemos condescender com isso. Por mais que estas denúncias causem indignação, temos que zelar pela herança jurídica ocidental - aquela que institui os Direitos Humanos e o benefício da dúvida até a conclusão do inquérito, além do amplo direito de defesa e das várias instâncias de apelação. R Kelly está fazendo uso de suas prerrogativas enquanto cidadão americano: disse que irá processar a produtora do documentário, os jornalistas envolvidos e as mulheres que supostamente mentiram a seu respeito. Alguns dirão que se ele for de fato culpado este texto perde seu objeto, mas não: o direito ocidental levou anos para ser forjado, mas vem sendo continuamente vandalizado por justiceiros sociais. Se ele for de fato culpado, deverá antes ser investigado, indiciado e condenado - e não imolado no altar do Tribunal do Santo Ofício de Hollywood. Até porque se for mesmo culpado, a condenação antecipada servirá apenas como "jurisprudência" moral para condenar indivíduos inocentes de forma antecipada. Se for inocente das acusações, aí só piora: teremos uma vida destruída por gente perniciosa que só quer lacrar, e que foram apoiados por gente da pior espécie - um consórcio criminoso formado por extremistas de esquerda, justiceiros sociais, alpinistas sociais e ególatras do mundo artístico. Só quem perde é a sociedade.

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