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O metamorfo Calheiros reafirma seu caráter ao dizer que "o novo Renan é liberal", ao contrário do velho Renan de esquerda


Muitos se surpreenderam com as recentes sinalizações de Renan Calheiros ao governo Bolsonaro, incluindo a veemente defesa que fez do senador eleito Flávio Bolsonaro - enrolado com suspeitas levantadas após vazamento de relatório interno do Coaf. Depois retirou sua candidatura a presidência do Senado Federal restando pouco mais de vinte e quatro horas par que o próprio MDB confirmasse a senadora Simone Tebet como sua candidata. No entanto, Renan não partiu para o confronto com o novo governo em momento algum - fazendo com que até o briguento Major Olímpio reconhecesse que Renan havia levantado uma bandeira branca. Ontem o senador mais poderoso da história da República se saiu com a seguinte frase: 
Você conhecia o velho Renan. O novo chega sexta-feira e vai discordar do outro em muita coisa. O outro era mais estatizante. Este será um Renan liberal, que vai ajudar a fazer as reformas.
A frase foi registrada em entrevista que o coronel concedeu aos jornalistas Vandson Lima e Fabio Murakawa (do Valor Econômico). Como não poderia deixar de ser, os entrevistadores questionaram se a mudança de posição não colocava os "dois Renans" em posições antagônicas. O cangaceiro explicou: 
O velho Renan vai sair de cena. Mas ele tem uma história, que não pode ser apagada.

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O caso é que Renan é um sobrevivente de uma ordem que hoje respira por aparelhos. Mas antes de tudo ele é um animal político que se acostumou com a cadeira que ocupa, e que sabe que não chegou lá por ter uma trajetória política coerente ou por ter reputação ilibada. Se chegou onde está é por ter jogado de acordo com as conveniências de turno. Política no sentido stricto sensu. Como os humores do povo mudaram, ele resolveu ir junto. 

A frase reafirma o caráter do senador: seu interesse maior é a agenda do Renan, não as particularidades ideológicas de seus eventuais aliados ou sócios. Tanto que Renan foi crítico do Regime Militar ainda nos tempos de militância estudantil na Universidade Federal de Alagoas. Depois de eleito deputado estadual e federal (foi representante de Alagoas na Câmara por duas vezes), se tornou assessor do presidente Fernando Collor. É bom lembrar que Calheiros era conterrâneo de Collor, mas a aliança veio só por ocasião da presidência. Quando o agora senador era prefeito de Maceió, o jovem deputado estadual ligado ao movimento estudantil se referia ao ex-presidente como "príncipe herdeiro da corrupção".

Este é Renan Calheiros, um metamorfo vazio de ideologia e repleto de sede pelo poder. E joga pesado: sabe que o governo e seus aliados não poderão simplesmente descartá-lo ou defenestrá-lo politicamente - visto que ele ainda é influente em Brasília. Evidente que o Renan de hoje não pode se dar ao luxo de ser o protagonista sócio do poder, mas certamente permanecerá satisfeito com o latifúndio construído. Lembra o Reino Unido quando seu Império foi despedaçado: o Império onde o Sol nunca se punha já não existe, mas sua glória ainda garante um papel de considerável relevo na política internacional. Como diz o Mano Brown, "tudo vai, tudo é fase". Renan irá se resignar nesta posição esperando o dia em que virão tempos melhores. 


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