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O lamaçal de Brumadinho é só uma consequência de nossa tragédia institucional


Enquanto a cidade de Brumadinho contabiliza seus mortos em meio ao caos, outras tantas barragens ameaçam ter o mesmo destino em todo o estado de Minas Gerais. Ou melhor, em todo o Brasil. São mais de vinte e quatro mil barragens regularizadas no Brasil, mas o governo não tem pessoal para fiscalizar nem uma - já que no caso de Minas não passavam de dez funcionários responsáveis pela fiscalização. Como não conviver com estas catástrofes em um cenário de completo descalabro na gestão pública?

Ora, como se chega a um estágio de completa desordem e calamidade na gestão pública? Se é verdade que a Vale e seus diretores foram ambiciosos, aloprados e omissos ao assumir tantos riscos em nome de lucros exorbitantes, também é verdade que o Estado falhou em seu papel de agente fiscalizador e garantidor da ordem. Deixou que suas instituições se transformassem em balcão de negócios para aves de rapina.

Não só isso: todas as agências reguladoras se tornaram meras guildas de corporações hematófagas sempre dispostas a sugar o brasileiro. Não é só na área da mineração, infelizmente. Qualquer uma destas entidades serve tão somente a conveniência dos oligopólios e monopólios. Como querem que isso não resulte em tragédias desta magnitude?

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O caso de Brumadinho é só mais um só em que nos indignamos com a conveniência política, com a prática de crimes na coisa pública, com a corrupção de agentes públicos e com o total desapreço pela vida humana, pela dignidade e pela natureza. Os criminosos de ternos bem cortados se refugiam como baratas atrás de assessorias de imprensa, advogados e recursos na Justiça. Isso depois de terem se comportado como ratos corroendo a sociedade.

O caso é que o Brasil criou a figura do caos institucionalizado, onde abutres se servem do Estado e o interesse público escorre pelo ralo. A moral pública derrete enquanto a ética e a cidadania são levadas pela correnteza. No mar de lama em que a civilização se esvai, o que fica é a certeza de que os eventos que aconteceram em Mariana, em Brumadinho, nas favelas, nos morros cariocas, na violência do campo, na selvageria das cidades, no desapreço a vida ou a consequência decorrente para os que optam pelo crime - em todos os cenários vemos que a barbárie é rotina. Todas estas mazelas não passam de consequências mais agudas da nossa tragédia institucional.



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