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Ciro nunca falou tão pouco do Ceará quanto agora. Afinal, tudo vai bem na Europa dos Ferreira Gomes...


Finalmente Ciro Gomes reapareceu. Em entrevista ao jornal El País, o candidato derrotado a presidência pelo PDT atirou para todo lado e falou sobre tudo. Ou melhor, quase tudo. Entre ataques ao governo Bolsonaro e críticas ao petismo (o coronel ainda não superou as mágoas das eleições), o candidato disparou pérolas como "um juiz exibicionista, chibata moral da nação" (ao se referir a Sérgio Moro, atual ministro da Justiça) e deixou claro que pretende liderar a oposição. 

Quem entrevistou Ciro foi a jornalista Florestan Fernandes Júnior (sim, isto mesmo). Segundo consta no texto, a conversa se deu no dia 02 de Janeiro - exatamente no dia em que começaram os ataques terroristas realizados pelo crime organizado local. Segundo o jornalista, a assessoria de Ciro foi procurada no dia 04 par comentar os eventos, mas o coronel preferiu "aguardar". 

Bom, o fato é que antes mesmo deste episódio o Ceará já enfrentava problemas com o crime organizado. Uma breve pesquisa nos mostra que o problema já era uma chaga há pelo menos dois anos. Segundo matéria do Estadão, os homicídios no estado aumentaram em 96,4% em um ano. O aumento de 1.007 mortes em 2016 para 1.978 em 2017 foi o suficiente para que o estado batesse o infame recorde de maior número de homicídios em sua história. 

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A negligência também se torna evidente por uma fala do então deputado estadual Capitão Wagner sobre os números da segurança pública no estado feita na tribuna da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. "É um cenário realmente de guerra, e a gente tem clamado ao governador do Estado, às autoridades competentes, à Justiça, Ministério Público, que ajam com energia em relação a esses casos". Se é verdade que o Capitão Wagner é ferrenho opositor de Ciro, também é verdade que o caso também foi denunciado pela imprensa local. Em 15 de janeiro de 2018 o Diário do Nordeste afirmou que o crime organizado era "um problema que afligia o Ceará". O que não falta no arquivo do jornal O Povo são matérias retratando o crime organizado, como esta que traça um perfil das diversas facções  e esta outra em que destaca a fala do então ministro da Justiça Torquato Jardim diz que o Ceará é o "centro geográfico" para o crime organizado. O mesmo El País que entrevistou Ciro tratou do assunto em matéria publicada em 26 de março de 2018 com o título de "Fortaleza sitiada", assinado pela jornalista Talita Bedinelli. A violência no estado se tornou tão gritante que até a Carta Capital fez uma matéria sobre o fato com o título de "Por que os homicídios não param de crescer no Ceará?". O texto foi publicado em 15 de fevereiro de 2018, mas por algum motivo misterioso foi apagado... Enfim, o link continua lá

O fato é que o governador Camilo Santana (reeleito nas últimas eleições) é na verdade um preposto petista que faz as vezes de sócio-minoritário da família Ferreira Gomes. Ciro colocou o homem lá, mas não assume para si nenhuma responsabilidade sobre o caos instalado em seu feudo. O que é um comportamento no mínimo inusitado para alguém que sempre vendeu seu curral como um pedaço do primeiro mundo - em especial Sobral, que está nas mãos de sua família desde a queda do Império - quando Vicente Cesar Ferreira Gomes assumiu a prefeitura da recém-criada municipalidade em 1890. Mas Ciro acha melhor não se manifestar. Se Ciro trata com tanta negligência a sua Sobral - se eximindo da responsabilidade como se não tivesse nada a ver com isso, imagina o que o cangaceiro não faria caso eleito presidente da República? Aliás, é bem provável que Ciro tenha se calado para não comentar que a incompetência de seu bando obrigou o governo Bolsonaro a socorrer o estado por meio da Força Nacional de Segurança Pública - e justamente pelas mãos de Sérgio Moro, a quem o falastrão explosivo chamou de "juiz exibicionista" e "chibata moral da nação" após ter ameaçado receber sua turma na bala.



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