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O que está em jogo no caso do assessor de Flávio Bolsonaro



Há dias a imprensa debate as movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz, policial militar afastado da PMRJ para servir no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro - filho do presidente eleito Jair. A situação se complicou ainda mais diante da comprovada ação de depósitos seguidos de saques em valores semelhantes aos que foram creditados na conta do assessor por outros funcionários do gabinete. Outra matéria publicada na Folha de São Paulo mostra que mesmo tendo movimentado cerca de R$ 1 milhão em sua conta, o assessor morava em uma residência humilde. Mesmo sendo proprietário de valores tão vultosos e sendo familiar de outros três funcionários lotados em cargos de comissão no mesmo gabinete, o assessor não conseguiu explicar de forma minimamente consistente a origem daquele montante.

Diante deste quadro, a Direita parece não se posicionar de forma adequada. Primeiro porque boa parte da militância e das lideranças focaram suas ações na demonização da política, no punitivismo aloprado e na sacralização do exercício da vida pública. A honestidade que deveria ser um valor mínimo a ser cobrado de qualquer político virou uma espécie de distinção que valida qualquer coisa. Como este blog sempre sublinhou, político que não rouba não deve ser premiado por isso. Agora que as direitas fizeram a cama, encontram enormes dificuldades para se deitarem nela.

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Há também o fato de que isso "macularia" a imagem de Jair. Isso vai acontecer se não se organizarem de forma adulta, como ficou claro naquela trágica coletiva em que o futuro ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni perdeu a linha ao ser pressionado por jornalistas. Seja por parte do núcleo duro de Bolsonaro ou no que diz respeito a sua militância, as justificativas frágeis se tornam motivo de chacota onde quer que se debata o assunto. Dizer que o COAF não agiu durante os escândalos petistas não procede, assim como a sugestão de que foi uma ação com o claro intuito de assassinar a reputação de Flávio. Não funciona porque há fartas provas do contrário, e pelo fato da auditoria na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro não ser uma ação personalista - mas sim fruto de uma devassa em um dos parlamentos mais corruptos do Brasil.

A propósito, alguns apoiadores apontam para a presença de petistas na lista dos parlamentares cujos funcionários teriam movimentado valores suspeitos. Ali constam os petistas André Ceciliano e Waldeck Carneiro, além do socialista Carlos Minc, os pedetistas Paulo Ramos e Luiz Martins e o psolista Wanderson Nogueira. Isso se dá justamente pelo fato da ação não ter como alvo as contas do deputado Bolsonaro, mas sim os diversos ilícitos praticados naquela casa. É evidente que a imprensa não irá repercutir o nome dos ilustres Waldeck Carneiro ou Wanderson Nogueira da mesma forma que se mobiliza para cobrir a menção a Flávio. Afinal de contas, nenhum deles tem acesso ao núcleo duro do governo federal como o filho do presidente eleito. Aliás: nenhum deles é filho do presidente eleito.

O caso do assessor de Flávio Bolsonaro é mesmo suspeito, o que é uma pena - considerando que é o melhor dos irmãos. A essa altura do campeonato seus apoiadores deveriam cobrar celeridade nas investigações e não apenas desqualificarem o COAF ou mesmo a cobertura midiática - ao menos aquela que não distorce os fatos e que não aponta crimes sem a devida conclusão por parte da Justiça. O que o Bolsonarismo tem que pensar não é em justificar essas ações, mas sim em sobreviver a elas - porque o desgaste virá. E será mais devastador justamente pela postura adotada pelo grupo de defenestrar a política e colocar a corrupção como o pior dos males. É a oportunidade para o amadurecimento político do grupo que sempre se escorou em discursos simplistas e demagógicos sobre a política em detrimento de uma postura pragmática e adulta. Ou entendem que política não é feita pelos santos ou irão perecer nesta grande tribulação.


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