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Criminoso celebridade, Dirceu diz que "família Bolsonaro não tem mais autoridade para falar de corrupção"


Em entrevista a BBC, o petista e criminoso celebridade José Dirceu resolveu fazer seu exercício preferido, que é discorrer sobre o Brasil. O ponto alto da entrevista foi uma fala sobre o governo Bolsonaro e a recente polêmica em torno das apurações do COAF sobre um assessor de Flávio Bolsonaro na Assembléia Estadual do Rio de Janeiro. 

O jornalista da BBC falava da derrota de Haddad e de como a corrupção e rejeição ao PT explicavam a derrota do ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo quando Dirceu retrucou afirmando que não foi este o motivo da eleição de Bolsonaro. Disse o petista: 

Isso não quer dizer nada. Os dois tinham índice de rejeição parecido. Ele perdeu por outras razões, não só por causa da questão da corrupção. Aliás, em matéria de corrupção, temos que esperar para ver o que vai acontecer com o Bolsonaro e os filhos dele. Eles não têm mais nenhuma autoridade para falar sobre isso. Nem o (ex-juiz e futuro ministro da Justiça Sérgio) Moro tem, da maneira que cobraram dos outros.
Não que sejam culpados, precisa investigar. Mas o comportamento já revela algo quase inacreditável. A vitória dele se explica também pela questão da segurança, da violência, a questão religiosa, das igrejas evangélicas, do kit gay, a questão do anti-sistema.

E completou: 

Isso não quer dizer nada. Os dois tinham índice de rejeição parecido. Ele perdeu por outras razões, não só por causa da questão da corrupção. Aliás, em matéria de corrupção, temos que esperar para ver o que vai acontecer com o Bolsonaro e os filhos dele. Eles não têm mais nenhuma autoridade para falar sobre isso. Nem o (ex-juiz e futuro ministro da Justiça Sérgio) Moro tem, da maneira que cobraram dos outros.
Não que sejam culpados, precisa investigar. Mas o comportamento já revela algo quase inacreditável. A vitória dele se explica também pela questão da segurança, da violência, a questão religiosa, das igrejas evangélicas, do kit gay, a questão do anti-sistema.

Em primeiro lugar é bom destacar o fascínio que a figura de Dirceu exerce na classe jornalística. Mesmo sem exercer formalmente qualquer liderança política, o criminoso condenado vive concedendo entrevistas e plantando notas na grande mídia. Isso diz muito sobre os nossos profissionais de imprensa, que na verdade atuam como relações públicas do Partido dos Trabalhadores. 

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Segundo e mais importante é o fato de Dirceu conceder estas entrevistas apenas por ter sido beneficiado pela Segunda turma do Supremo Tribunal Federal. Condenado a trinta anos e nove meses de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Lava Jato, só está em circulação por ter sido liberto da prisão pela ação orquestrada dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli – além de Celso de Mello que preferiu se ausentar. 

Em um país decente, Dirceu não só estaria preso – como também seria relegado ao ostracismo. Aqui no Brasil não, ele é uma celebridade cujas entrevistas são disputadas por profissionais da grande imprensa. Um tipo que operou a maior tentativa de golpe contra a democracia já identificada nos últimos anos quer dar lições de moral política e ética. 

Dirceu é um abutre, um oportunista. Isso fica claro pela menção a Flávio Bolsonaro. O PT sempre alegou que a prisão de Lula seria ilegal porque o petista ainda dispunha de recursos na Justiça. Mas para condenar o filho de Bolsonaro eles exigem o oposto do que pregam para Lula. 

Notem que não há ainda nenhuma denúncia apresentada contra Flávio Bolsonaro. As movimentações atípicas identificadas pelo COAF ainda serão analisadas pela Justiça e pelo Ministério Público. É questão de tempo até que se identifique a natureza daquelas transações. É evidente que não são movimentações comuns e que o caso levanta graves suspeitas, mas é para isso que existe o devido processo legal. Se Flávio praticou algum ilícito, as mesmas autoridades que investigaram, condenaram e prenderam Dirceu irão se voltar contra o agora Senador Bolsonaro – da mesma forma com que a Justiça já se voltou contra políticos não-petistas como Eduardo Cunha, Eduardo Azeredo e Geddel Vieira Lima. 

O caso é que Dirceu é a mostra da falência das nossas instituições e da mediocridade de nossa classe jornalística. É graças a isso que um criminoso se acha no direito de pregar virtudes e dar lição de moral. 




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