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Teve gente acusando Cleo Pires de "hiperssexualização do homem negro" por conta do clipe com Mano Brown



Um clipe da atriz e cantora Cleo Pires com a participação do rapper Mano Brown chegou aos trending topics do Twitter. Parte do público se espantou com a inusitada e inesperada parceria, mas parte considerável das reações vinham dos que viram algo considerado nefasto por parte deles: a hiperssexualização do homem negro na pessoa de Mano Brown.

Explicando em miúdos: há uma tese do movimento negro que perpassa os campos da antropologia, sociologia, história e filosofia política que fala a respeito da “hiperssexualização dos corpos negros”. De acordo com esta tese, a branquitude olharia oprime os negros ao mesmo tempo em que explora sexualmente seus corpos e atributos. Para eles é inadmissível que produções artísticas ou publicitárias coloquem o negro na condição de objeto de desejo libidinoso, já que isso é uma continuidade da exploração que acontecia nas senzalas.

É evidente que estas teorias sempre vem calcadas em elementos verossímeis, como a tese de que mulheres brancas como Cleo Pires eventualmente poderiam ter desejo sexual por homens negros ao mesmo tempo em que jamais iriam apresentá-los aos pais como namorados por conta das questões raciais. Mas em nenhum momento é verdade que o negro não pode ser colocado nesta posição, que não pode ser desejo de objeto sexual como qualquer outra pessoa e que não pode sequer participar de uma produção como um clipe musical para “não reforçar um discurso opressor”.

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Mano Brown, é bom que se diga, participou do clipe de forma voluntária. Não há nada de racismo ou de diminuição do homem negro ali, apenas na cabeça dos militantes histéricos. O próprio rapper não se sentiu diminuído, então pelo que estas pessoas estão reclamando? 
Alias, não são os mesmos que reclamam da falta de representatividade do negro na mídia? Não deveriam estar contentes agora? 

Não, eles não estão contentes pelo simples fato de que aquela produção não foi elaborada seguindo os cânones impostos pelos jihadistas do movimento negro. Independente do mérito artístico de Cleo Pires, o clipe teve mais intenção de chamar atenção da mídia do que em agradar militâncias de qualquer seguimento. E isso para eles é imperdoável. 

O que também é imperdoável é a traição. Apesar de não deixarem isso claro, milhares de extremistas de esquerda ainda não perdoaram a fala de Mano Brown naquele ato do Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro. Para os que não se lembram, foi naquela noite triste para o petismo em que o cantor do Racionais criticou os crimes do PT, a arrogância e truculência da militância e declarou que a eleição estava perdida porque o partido perdeu o contato com o povo. Neste mesmo dia Mano Brown se recusou a dizer que os apoiadores de Bolsonaro eram todos fascistas que votavam contra o povo em nome dos interesses das elites. Uma das falas de Mano Brown que provocou vaias da platéia de petistas foi: “Não consigo acreditar que pessoas que me tratavam com tanto carinho, pessoas que me respeitavam, me amavam, me serviam café de manhã, que lavavam meu carro, que atendiam meu filho no hospital, se transformaram em monstros. Eu não posso acreditar nisso. Não posso acreditar… Essas pessoas não são tão más assim.”. Isso é inaceitável: como assim ele não disse que todos que votavam em Bolsonaro eram monstros da pior espécie e que todos os que apoiavam Haddad eram representantes de Deus na Terra? 

Evidente que há no meio desta problematização boba uma implicância com Mano Brown. O homem que era considerado Deus por boa parte da militância socialista agora irá se tornar cada vez mais alvo deste tipo de argumento e de patrulha. É claro, ele não parece estar tão preocupado com isso. E cá entre nós: se fosse de fato um problema, seria o menor deles. Ao contrário do que pensa a esquerda pós-moderna, os problemas do homem negro são a violência endêmica, o abuso de autoridades policiais (que é verdadeiro a despeito do que querem alguns) e a desigualdade social histórica perpetrada tanto pela falta de políticas públicas e pela estrutura engessada do país quanto pela própria esquerda e suas soluções populistas. Isso é problema, e não um clipe de uma atriz com um negro de meia-idade que provavelmente gostou de se ver em alta com as mulheres.

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