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Público vaiando cenas gays do filme de Freddie Mercury. Seria outra fake news das esquerdas?


Mais cedo ouvia o Jovem Pan Morning Show quando um dos integrantes progressistas deu uma alfinetada certeira na Direita brasileira. Segundo ele, pessoas haviam vaiado as cenas gays abordadas no filme Bohemian Rhapsody - que retrata parte da vida do cantor Freddie Mercury. Segundo o venenoso comentarista, seriam pessoas atrasadas que só descobriram o episódio agora.

Realmente é chocante saber que alguém vaiou cenas gays do filme que conta a biografia de Freddie Mercury. Primeiro que o cantor era homossexual assumido, detalhe básico que ajuda a entender sua personalidade. Segundo porque ninguém é obrigado a pagar ingresso para ver estas cenas se de fato forem tão incomodas. Todos são livres para assistir esta produção ou não. Intrigado pelo relato, resolvi procurar saber mais sobre o caso.

Bom, não encontrei nenhum vídeo de manifestações homofóbicas nas salas de cinema que exibiam o filme. "Ora direis", não é razoável utilizar aparelhos celulares em salas de cinema. Mas é impossível que um fenômeno tão bizarro aconteça em diversas salas de cinema do país sem que ninguém faça o devido registro. Estamos falando de Pindorama, onde as pessoas não têm vergonha de realizarem verdadeiros piqueniques no cinema. Será que de uma hora para outra todos os brasileiros passaram a se constranger com a possibilidade de utilizar seus smartphones no cinema mesmo diante do absurdo que seria vaiar as cenas que retratam a sexualidade de Freddie Mercury?

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Para elucidar os fatos, recorri ao fact cheking. Não a falsa checagem da Agência Lupa, Aos Fatos e Truco, mas a checagem verdadeira. Como antecipei no parágrafo anterior, não encontrei um único vídeo sequer. A única informação que tratava do assunto era um relato no Twitter feito pelo usuário "Cansada do Fascismo em Niterói".

Depois desta declaração, quem primeiro noticiou o "fato" foi o portal Cabana do Leitor. Como evidência, mencionaram de novo o tweet do "Cansada do Fascismo em Niterói" e dois supostos relatos feitos por militantes de esquerda. De novo, nenhum vídeo. Atenção para a afirmação da primeira moça: "Na minha sessão um homem foi embora". Pode ter acontecido de fato. E provavelmente a moça é vidente para interpretar que um suposto homem só deixou a suposta sessão por ser mais um dos homofóbicos eleitores de Jair Bolsonaro.



Depois disso o "acontecido" ainda foi abordado por portais como CinePop e Diário Online. E avinhem: nenhum deles apresentou nenhuma evidência do acontecido. A única prova continua sendo o relato da moça que "cansou do fascismo em Niterói". Observem que o Observatório G (do UOL) aproveitou o factóide para cavar pênalti: segundo o jornalista Rangel Quirino, "Eleitores de Bolsonaro vaiam cenas gays em filme sobre Freddie Mercury". Não precisa de provas, se está na internet é verdade.

Pode ser que alguém tenha a coragem de vaiar cenas gays em um filme que conta a vida de um homossexual? É possível sim, já que a estupidez humana não tem limites. Mas o problema de nossa sociedade não é só a estupidez, a falta de caráter e a má-fé também são inesgotáveis. Tanto que nenhum profissional de imprensa se deu ao trabalho de apurar os fatos. Em outros tempos teríamos rigor na informação, e fatos assim jamais seriam publicados em jornais justamente por não haver nenhuma comprovação da afirmação grave que veiculam. Aqui temos dois fatores sórdidos que justificam o antijornalismo: o desejo de ganhar likes com a lacração e a ânsia em retratar seus opositores políticos como monstros. Aqui não há qualquer compromisso com os fatos, apenas com a militância. Se o adversário não colabora agindo com a intolerância e torpeza apontada pelas esquerdas, as próprias esquerdas tratam de fabricar provas que atestem suas acusações.

Em tempo: as críticas ao filme Bohemian Rhapsody são quase unânimes. É uma grande produção que conta com a atuação impecável de Rami Malek. Quem ainda não viu deve correr para assistir. E se presenciarem as tais manifestações de ódio, registrem para que elas não sobrevivam apenas em perfis e sites obscuros da extrema-esquerda. 


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