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Elvis não é expressão do racismo ou apropriação cultural, muito pelo contrário



A cantora Negra Li se envolveu em grande polemica nesta semana ao tratar da questão da apropriação cultural e racismo no programa Morning Show, da rádio Jovem Pan. Em determinado momento do programa, a cantora afirmou:

“Quando o Eminem começou, tinham 500 negros fazendo sucesso no rap. Então, ele era um dos poucos ali. Mas no caso do Elvis Presley, muitas vozes foram tapadas quando ele foi descoberto. Muitos foram tirados para, tipo assim: 'vamos apresentar esse cara branco, com a voz e ritmo negros'. Os discos de muitos negros nessa época eram lançados sem o rosto deles na capa, para não mostrar que eram negros", disse ela, em determinado momento do programa onde o assunto era "apropriação cultural”

A frase incendiou as redes sociais. Como exatamente a carreira de Elvis Presley seria uma consequência do racismo, sendo que na verdade o cantor se baseou justamente na cultura negra para fazer sua música. Quem diz isso são cantores negros contemporâneos de Elvis, como Little Richards, que afirmou: “Elvis foi um integrador, Elvis foi uma bênção. Eles não deixavam a música negra aparecer, e ele abriu as portas para a música negra”. Jackie Wilson era outro que rejeitava a tese da “apropriação cultural”. “Muita gente acusou Elvis de roubar a música dos negros, quando na verdade, quase todos os intérpretes negros copiaram os trejeitos de palco de Elvis”, disse ele. Já Rufus Thomas esvaziou a tese furada afirmando que ninguém é o dono de nenhuma expressão cultural. “Muita gente disse que Elvis roubou nossa música. Roubou a música do homem negro. Mas o homem negro, o homem branco, não são donos da música. A música pertence ao universo”.


O fato é que o próprio Elvis jamais se esquivou em reconhecer a influência da música negra em sua obra, ao contrário, ele a exaltava. Uma matéria da revista Time de 2004 registra a seguinte frase: “As pessoas de cor têm cantado e tocado como eu estou fazendo agora, cara, e por mais anos do que eu. (...). Eu peguei deles. Lá em Tupelo, Mississipi, eu costumava ouvir o velho Arthur Crudup bater sua caixa do jeito que eu faço agora e eu disse que se alguma vez chegasse a um lugar, eu sentiria tudo o que Artur sentia, seria um músico como ninguém jamais viu.” 

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É evidente que o contexto histórico em que Elvis está inserido era marcado pela chaga do racismo. A segregação racial estreitava o horizonte dos negros em todos os aspectos da vida cotidiana, incluindo o mercado fonográfico. Antes de se organizarem para resistir aos obstáculos impostos por uma sociedade racista, os negros tiveram grande dificuldade. E foi justamente Elvis que sensibilizou a então retrograda sociedade americana ao levar para as famílias o legado que recebeu da cultura negra. Também é evidente que Elvis não sofreria a mesma resistência que sujeitos como o próprio Little Richards, que era negro e homossexual – ou mesmo que Chuck Berry, que veio antes do próprio Elvis. Mas foi o Rei do Rock que abriu as portas para talentos negros, neutralizando as barreiras sociais impostas pela branquitude americana. E pagou o preço, já que chegou a ser alvo de censura por parte de emissoras de TV que só o filmavam da cintura para cima para não deixarem transparecer a influência negra em seus trejeitos e rebolado.

A verdade é que a apropriação cultural tal como descrita por certos militantes do movimento negro não existe. Ao contrário, poderiam analisar o processo pela ótica da integração e liberdade: houve um tempo em que negros eram submetidos a influência branca pela coerção, colocando de lado a própria matriz cultural para se adequarem aos parâmetros impostos por quem desprezava sua identidade. É exatamente o contrário do processo que ocorre com os brancos que se influenciam pela cultura negra, já que o fazem de forma espontânea. O que muitos vêem como perda de espaço deveria ser encarado como expansão da influência que os negros exercem na cultura – a ponto de que indivíduos brancos e orientais se deixarem influenciar por esta identidade.

O professor Paulo Cruz toca em um ponto igualmente fundamental neste debate: estes indivíduos não se levantam necessariamente contra o compartilhamento de aspectos da cultura negra por outros indivíduos, mas sim contra a lógica do mercado cultural – calcada sobretudo no capitalismo. A lógica de mercado se faz presente quando indivíduos podem optar entre as diversas manifestações culturais. Para a lógica das esquerdas não existe nada mais terrível que a possibilidade do indivíduo exercer o poder de escolha.

A cultura é patrimônio não apenas de um grupo, mas de toda a sociedade. Não é monopólio de um grupo, mas sim uma herança de todos. Felizmente neste caso, quem provocou a polemica voltou atrás. A própria Negra Li se manifestou no Twitter pedindo desculpas por sua fala, o que torna este vídeo um esclarecimento sobre a polemica e não um ataque a cantora Negra Li, já que ela própria teve a hombridade de se desculpar.



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