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Bolsonaro deve manter boas relações com os países árabes, mas isso não incluí aceitar chantagens contra Israel




O Egito indica retaliações ao Brasil por conta da mudança da embaixada para Israel. no dia de ontem o país árabe cancelou a viagem que o ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes faria ao país. O motivo seria a transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém - capital histórica dos judeus que é reivindicada pelos palestinos desde a partilha daquele território. 

Outros países árabes devem seguir o exemplo. E o que o governo Bolsonaro deve fazer? Seguir em frente com sua decisão, que aliás, é promessa de campanha. É verdade que o Egito representa 0,83% da nossa balança comercial, bem a frente dos 0,14% de Israel. Aumentará a animosidade contra o Brasil pela opção em tomar parte em um conflito que se arrasta há décadas. Provavelmente os árabes irão se distanciar do Brasil. 

A pergunta objetiva aqui é outra: é razoável basear o posicionamento geopolítico na chantagem? Pode um país se curvar ao lobby anti-Israel sem pensar nos valores fundamentais que estes países se recusam a reconhecer? O Brasil não precisa romper com os países árabes (a exceção é a Palestina, que nem Estado é). O que é necessário é estabelecer que o Brasil irá exercer sua soberania política de forma altiva, reconhecendo o direito de Israel sobre seu território e Jerusalém como sua capital. 

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Por anos o Brasil se posicionou contra Israel por conta das diretrizes de gente nefasta como Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia. Não só deles: nossa política externa adula ditaduras desde os tempos de Ernesto Geisel e seu "pragmatismo responsável". Em política externa a relação entre "mocinhos e vilões" é muito mais complexa e promíscua, mas há que se estabelecer valores básicos nesta dinâmica. Entre eles reconhecer que o Brasil é soberano e que não se verga diante de chantagens. E que não abre mão da prevalência dos Direitos Humanos, coisa que nossas esquerdas dizem defender no Brasil enquanto relativizam crimes contra a humanidade praticados por seus comparsas no exterior. 

Com Bolsonaro o Brasil pode manter uma excelente relação com o mundo árabe, mas de acordo com as premissas de uma diplomacia independente e comprometida com os valores que nortearam a histórica atuação de Oswaldo Aranha pelo reconhecimento do Estado de Israel como membro da ONU. O papel do Itamaraty não é fazer graça para ideólogos ou se render a chantagens de quem quer que seja. Tenham certeza: não foi para isto que o Barão do Rio Branco dedicou sua vida.

É preciso esclarecer aqui que talvez o cancelamento tenha mais relação com a troca de governo do que com a possibilidade de mudança de sede da embaixada. Seria razoável, já que eventuais tratativas teriam que ser posteriormente retomadas com o novo governo. Também é necessário desmistificar o argumento daqueles delinquentes intelectuais que falam do Egito e outros países árabes como se o Brasil fosse refém dos negócios estabelecidos com estes países. O que existe é cooperação, não dependência. Da mesma forma que o Brasil possuí lucrativos negócios com o mundo árabe, estes países não podem simplesmente romper conosco sem sofrer as consequências desta opção. Aliás, o problema não deveria ser o Brasil reconhecer Jerusalém como capital de Israel - mas sim a maioria de países árabes (quase todos ditaduras ou monarquias absolutistas) negarem ao povo judeu o direito de existir.

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