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O primeiro turno das eleições foi o cataclismo que destruiu a Nova República



Absolutamente ninguém previu o que os resultados das urnas mostraram. Incluindo este blogueiro, que amparado em análises de cenário entendeu que muitos nomes tradicionais da política seriam reconduzidos a seus cargos. Que o capital financeiro e tempo de tv seriam fundamentais, assim como alianças locais e nacionais. 

Foi tudo um desastre em termos de análise, já que o fundamental escapou aos olhos: um povo cansado, irritado, sem esperanças e com muita indignação resolveu que era hora de demolir as antigas estruturas. Foi assim que a Nova República conheceu seu fim, por meio de um rumoroso processo que deixou para trás o clima de terra arrasada. 

O processo de hoje é uma sequencia do que foi iniciado ainda em junho de 2013, quando um protesto iniciado justamente por um movimento de jovens extremistas de esquerda abriu uma rachadura no pacto de classes que sustentava o governo petista. A sangria não estancada descambou para uma eleição acirrada, um processo de impeachment, uma crise econômica sem precedentes e o mais baixo nível de confiança nas instituições já registrado.

Não foi só Dilma Rousseff que se perdeu no impeachment. Nem só o PT, que já havia sido varrido das prefeituras em 2016. A extrema-esquerda segue ilesa em alguns de seus feudos, mas o fato é que toda a classe política se perdeu no processo. Grandes caciques e cardeais da política tradicional foram soterrados pelo processo histórico. Quem não fez a leitura correta do momento político se deu mal. 

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O que foi feito ontem foi uma revolução conservadora, se analisarmos o fato de que todo a ruptura se de pelas urnas. Saem desmoralizados todos os aliados do petismo, os fisiologistas, a extrema-esquerda e o tucanato - este então conseguiu se sair pior que o próprio PT ao trair seu eleitorado fiel em troca de abstrações que não empolgam ninguém. 

O homem comum, que se sente sempre injustiçado pelo fato de sustentar a máquina e só colher frutos amargos como serviços públicos insatisfatórios, crise econômica, criminalidade no campo e na cidade, impunidade no alto escalão da República e prioridade do governo e dos formadores de opinião para as pautas identitárias que por vezes nem fazem sentido em seu universo. A revolta de ontem foi a revolta do homem esquecido, do pagador de impostos que por vezes nem domina os conceitos ideológicos de Direita ou Esquerda - mas que se cansou do discurso político e quer apenas seguir com sua vida de forma digna. O que este homem poderia ter feito pelas armas resolveu fazer pelas urnas, para o triunfo da democracia. 

Diante de tudo o que houve neste domingo histórico, é possível decretar que a Nova República morreu ontem as 19h por falência múltipla dos órgãos. O arranjo estabelecido após o fim do Regime Militar não conseguiu atender aos anseios da população, sequer chegou perto de garantir o que seus próprios pais fundadores estabeleceram com aquela quantidade absurda de direitos universais que jamais serão atendidos de forma satisfatória por nenhuma gestão. Ao mesmo tempo temos um sentimento de estafa e intolerância com tudo o que representa o velho. O Brasil se insere aqui naquele mesmo ciclo de mudanças no conceito de democracia liberal que sacodem outros países do Ocidente. É a História que segue seu rumo.


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