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Campanha do #EleNão ajudou Bolsonaro. Com uma esquerda dessas, que direitista precisa de militância?




Nossas cômicas e patéticas esquerdas resolveram inverter a lógica: ao invés de se preocuparem com a agenda clássica marxista, resolveram apostar nos first world problems - aquelas questões que são fundamentais apenas para a elite que não é afetada por problemas reais comuns ao resto da população. Para estes, pior do que a falta de saneamento básico para quase 50% da população é a falta de heróis transgêneros nas HQs ou a constatação de que novelas ambientadas na Europa Medieval não contem com um elenco etnicamente diversificado.

Claro que esta gente não passa de gado nas mãos de extremistas de esquerda, mas a aceitação do cabresto pelo restante da população não se dá da mesma forma com que ocorre nesta diminuta militância. Isso nos leva a uma reflexão importante, sobretudo depois que as massas que se aglomeraram nas ruas de todo o Brasil para dizer #EleNão foram simplesmente esmagadas pelas pesquisas eleitorais que colocam Jair Bolsonaro isolado no primeiro turno enquanto derrota seu principal adversário no segundo.

O que aconteceu? Segundo nosso grande amigo Pablo Ortellado, a maioria dos que compareceram ao ato no Largo da Batata eram integrantes da elite das esquerdas. 62% eram mulheres que se declararam como brancas entre 18 e 44 anos. Nos trechos reproduzidos da entrevista de Ortellado para a BBC, alguns dados interessantes:

Perfil Social
Entre os entrevistados no protesto contra Bolsonaro, 31% respondeu ter renda familiar de cinco a dez salários mínimos (R$ 4.770 a R$ 9.540). Outros 26% disseram ganhar mais de dez salários mínimos.
Oitenta e seis por cento do público entrevistado estava cursando a faculdade ou já tinha diploma de curso superior. Completaram ou estão cursando o Ensino Médio 14% dos que responderam o levantamento. Ninguém respondeu ter apenas ensino fundamental ou nenhuma escolaridade.
Perfil político
O PSOL liderou, com 34% da simpatia entrevistados. Seu candidato presidencial, Guilherme Boulos, não ultrapassa 1% nas intenções de voto nas pesquisas Ibope e Datafolha.
O segundo partido mais citado no levantamento da USP foi o PT, com 30% de preferência. O candidato da sigla, Haddad, aparece em segundo lugar na preferência do eleitorado (tem 22% no último Datafolha).
Outros partidos apontados pelos entrevistados foram PDT (3%), Rede (2%), PCdoB (1%) e Novo (1%). Um quinto, ou 20%, respondeu não ter preferência por nenhuma legenda.
E mais:
Segundo o levantamento, 80% se identificaram como de esquerda e 8% como de centro-esquerda. Apenas 1% se identificou como de direita. O mesmo percentual apontou ser de centro-direita (1%) e de centro (1%). O restante disse não se identificar com nenhuma dessas classificações ou não saber responder.
Percentuais elevados também disseram ser nada conservador (76%), nada antipetista (75%) e muito feminista (69%).
Vejam só: as manifestações contra Bolsonaro foram superiores em números aos atos convocados pelos apoiadores do candidato, mas há uma questão elementar para qualquer um que lide com política ou que já tenha organizado qualquer ato político: é muito mais fácil conseguir adesões quando se protesta contra, o que é diferente de angariara adesões. Todos sabem que os números de Bolsonaro e suas grandes chances de vitória provêm mais de um repúdio ao petismo do que adesão ao candidato. Por esta razão as esquerdas conseguiram atenção do mundo, mobilização midiática e até financiamento, coisa que os simpatizantes do presidenciável não tinham. 

As cenas do sábado foram grotescas. Desde bandeiras vermelhas com a foice e o martelo até pedidos de prisão do juiz federal Sérgio Moro. Houve quem pedisse #LulaLivre, fim da propriedade privada, censura da imprensa... Houve até artista global que pede gentileza urinando em público com a namorada. 

Aquilo foi um festival de horrores, quase um festim diabólico. Que no fim das contas serviu para mover parte significativa da sociedade em favor de Bolsonaro. Foi o que comentei ainda no dia 30:


E foi exatamente isso. O eleitor costuma escolher de forma passional e nem sempre movido por razões objetivas. Mas é extremamente difícil persuadir uma mulher comum a acompanhar os passos de uma cantora como Madonna ou Daniela Mercury, assim como é difícil influenciar um homem comum mostrando Johnny Hooker gritando contra o golpe. É algo estranho ao universo dessas pessoas. E tudo só piora se o tal cidadão comum for minimamente religioso. Ele certamente se sentirá desconfortável com pessoas seminuas em público pedindo uma série de demandas que contrastam com suas disciplinas religiosas.

A extrema-esquerda ia muito bem no Brasil quando se concentrava na ocupação de espaços, no aparelhamento do Estado e no pragmatismo parasita que enfraqueceu nossas instituições. Ao se apoiarem nos indolentes pós-modernos que enxergam o mundo pelo prisma de seu umbigo, a coisa desandou. A República Popular da Lacrolândia possuí um exército aguerrido, porém pequeno. Tão pequeno quanto suas dimensões territoriais, normalmente restritas a Vila Madalena e Leblon. Este descolamento da realidade fez com que se desligassem do homem comum - aquele que era a menina dos olhos do infame Luís Inácio. Com uma esquerda dessas, que direitista precisa de militância? 

O que Bolsonaro deve dizer para os que se manifestaram é: "Tem que manter isso aí, viu?"




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