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Bolsonaro e Folha: o presidente eleito está errado na forma, mas não no conteúdo


Ainda sobre os recentes arranca rabos públicos entre o presidente eleito Jair Bolsonaro e a Folha de São Paulo, alguns pontos devem ser ponderados.

A fala de Jair Bolsonaro pode ser correta no conteúdo, mas escorrega na forma. O motivo de cortar verbas publicitárias da Folha deve ser o mesmo que justifica o corte para outros recursos: a economia de dinheiro público. Não é só Folha, mas também Estadão, Extra, Jornal do Brasil, Revista Veja, Carta Capital e afins. O governo brasileiro possui seus próprios canais de comunicação, o que torna dispensável o gasto com fins publicitários. Em nenhum momento pode transparecer que a suspensão de recursos é uma retaliação política contra um jornal que publicou algo que desagradou o presidente eleito. 

Quanto ao que Jair Bolsonaro disse de correto, não há nem o que se discutir. Como este blog sempre salientou, o que a Folha faz é o antijornalismo, a tentativa de vencer no debate público pela mentira e difamação. O jornal trabalha em conluio com o petismo de forma quase pornográfica. Inconsequências tais como acusar um candidato de fazer caixa 2 sem apresentar um documento sequer ou a mentira que causou incidente diplomático entre Colômbia, Venezuela e Brasil. 

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Há que se salientar o fato de que em democracias livres a imprensa também pode ser alvo de críticas, coisa que nossos fascistas bebedores de soja não assimilam. Para eles só o jornalista ou especialista pode elaborar críticas. Políticos e militantes jamais. Aliás, políticos e militantes de extrema-esquerda até podem atacar sedes de revistas e ameaçar de expulsar correspondentes estrangeiros que reportem verdades inconvenientes. Militantes e políticos de direita é que não tem esta prerrogativa. 

Nossa classe jornalística não está acostumada com a liberdade de expressão e exercício amplo da cidadania. A luta de alguns veículos contra portais independentes deixa claro que o quarto poder não aceita o fato de ter perdido o monopólio da informação. Eles ainda se vêem como justiceiros acima do bem e do mal. 

É preciso ponderar qual é o papel da imprensa em uma sociedade livre. É necessário que a imprensa seja livre para adotar a linha editorial que quiser, de forma clara e democrática. Ressaltando que esta escolha democrática tornará o veículo alvo de críticas que também são legitimadas pela mesma democracia que garante aos veículos a discricionalidade na escolha de sua linha editorial. Não só isso: os tais "erros", ou melhor, crimes contra a honra praticados por profissionais de imprensa devem ser punidos na forma da lei. Se um cidadão comum ou político praticam crimes contra a honra, são sujeitos ao escrutínio da lei. Por qual motivo, razão ou circunstância um cidadão que fala para milhões de leitores pode assassinar reputações sem merecer sequer uma crítica?

A imprensa deve continuar livre, sem sofrer retaliações por parte de nenhum governante. Assim como militantes, políticos e cidadãos comuns devem ser dignos de toda a liberdade para expressar críticas contra estes profissionais. A democracia é isso, doa a quem doer.

*A ilustração é do Jornal da Cidade.

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