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Ao contrário do presunçoso Nuno Ramos, Mano Brown preferiu reconhecer que o Rei estava nu



Mano Brown falou algumas verdades indigestas sobre o petismo e as esquerdas. Constrangeu seus camaradas ao dizer que o rei estava nu. Com o repertório que lhe é particular, o raapper deu a letra: "Se não aprendeu, volta pra base".

A fala de Mano Brown foi espetacular. Não só pela sinceridade, mas principalmente pela acertividade. Contrasta muito com o texto presunçoso escrito pelo arrogante arquiteto e artista plástico Nuno Ramos, publicado ontem na Folha. Nuno chamou todos os "notáveis" que não se posicionavam contra Bolsonaro e que não embarcavam na nau dos aloprados que o chamam de nazista de "Gente Frouxa". A título de comparação, o leitor poderá apreciar as duas manifestações abaixo. Primeiro a fala de Brown, depois a de Nuno Ramos.






Mas quem tem razão?

Vejamos. Mano Brown veio do Capão Redondo, no extremo sul de São Paulo. Viu de perto as mazelas sociais das periferias paulistanas, a falta de presença do Estado para garantir segurança e políticas públicas, a ameaça exercida pela criminalidade. Se Brown optou por seguir a esquerda, como tantos outros, isso é fruto do contexto histórico e social e da própria percepção da direita - que durante muito tempo se ancorou fortemente na perspectiva da classe média, ignorando por completo que as esquerdas cresciam justamente no vácuo deixado por questões sociais que devem ser encaradas por qualquer um que pretenda chegar ao poder.

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E Nuno? Bom, Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos foi estudante do tradicional Colégio Equipe. Fez parte do grupo que mais tarde formou os Titãs. Estudou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) e provavelmente só conhece a periferia pelos documentários produzidos pelas esquerdas ou pelo relato de seus empregados. Por nunca ter colocado o pé na terra, Nuno Ramos reproduz a empáfia típica das esquerdas brasileiras - que majoritariamente são oriundas das elites tradicionais brasileiras. Para esta gente frouxa e mimada, todos os que pensam diferente são necessariamente fascistas.

Mano Brown fala verdades mesmo quando as trata pela ótica de esquerda. Foi assim que ele se forjou como homem. O relato foi sensível. Defendeu não o partido, mas as pessoas de seu convívio e de seu sangue que ele sabe que não são monstros fascistas - até por desconhecerem as definições ideológicas, mas que optam por Bolsonaro por terem se cansado dos crimes e da agenda suja do Partido dos Trabalhadores. Nuno Ramos é que é o problema aqui. O sujeito tem educação suficiente para entender estes conceitos, mas aposta no radicalismo para incendiar o debate público. Exatamente como os primeiros revolucionários, o que ele quer não é fazer parte da disputa política - mas sim anular o adversário. Para Brown fica o recado (que foi escrito por ele mesmo).

Porque o guerreiro de fé nunca gela
Não agrada o injusto e não amarela
O rei dos reis foi traído e sangrou nessa terra
Mas morrer como um homem, é o prêmio da guerra
Mas ó
Conforme for, se precisar afogar no próprio sangue
Assim será
Nosso espírito é imortal, sangue do meu sangue
Entre o corte da espada e o perfume da rosa
Sem menção honrosa, sem massagem
A vida é "loka", "nêgo"E nela eu tô de passagem

Saúde, Guerreiro!
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