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Testemunhas de Jeová não contrataram advogados de agressor de Bolsonaro. De quem é a mão que balança o berço?


O crime contra o deputado federal Jair Bolsonaro deixa de ser uma agressão pra tomar contornos de conspiração, já que os fatos se tornam cada vez mais nebulosos. Vejamos: em um primeiro momento temos um sujeito aparentemente desequilibrado que se diz comunista e que vê na maçonaria a grande nêmesis da humanidade. O sujeito esfaqueia o líder das pesquisas presidenciais em um ato público e depois é apresentado como um simples ex-militante do PSOL que diz ter intentado contra a vida do candidato por "orientação divina". Isso sugere apenas um caso de desequilíbrio mental, mas alguns pontos aqui merecem atenção. 

O sujeito parece não ter agido sozinho, como mostram as próprias investigações. A polícia ainda busca por outros dois suspeitos, um homem e uma mulher. Isso confirma a tese de que o sujeito não agiu sozinho, além de diminuir em muito a possibilidade de que a facada tenha sido apenas resultado dos delírios de um louco. No entanto o que mais enfraquece a tese do lobo solitário é a sua defesa. 

Vejamos: quatro advogados criminalistas se oferecem para defender os sujeito. O renomado advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior é o responsável pelo time. Aí que começam as contradições: Zanone foi contratado por alguém que segundo o próprio, não queria se identificar. Mas antes o advogado disse que fora contratado por testemunhas de Jeová de Montes Claros. Quem conhece o mínimo de teologia sabe que as Testemunhas de Jeová não reconhecem os governos terrenos, fato que costuma causar problemas para os fiéis na hora do voto e na hora de cumprir o serviço militar obrigatório. Seria muito estranho se um grupo conhecido por não reconhecer a legitimidade de políticos se solidarizasse com o esfaqueador de Bolsonaro. A versão não se sustentou e os Testemunhas de Jeová de Montes Claros divulgaram nota desmentindo o advogado.

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Não parou por aí. O advogado depois mencionou a Igreja do Evangelho Quadrangular de Montes Claros. Mas vejam só: foi desmentido de novo pela liderança da denominação na cidade mineira. “A igreja do Evangelho Quadrangular não pagou absolutamente nada de custas processuais dos advogados do senhor Adélio”, disse o pastor Antônio Levy de Carvalho. Desmascarado pela terceira vez, Zanone afirmou: “Não sei se é Testemunha de Jeová, se é Quadrangular. É uma pessoa física, de alguma forma ligada à congregação, mas não integrante, que conhecia o rapaz e queria ajudar”. Como a defesa se recusou a desmentir o financiamento nos canais em que o advogado divulgou as mentiras, tanto a Quadrangular quanto os Testemunhas de Jeová de Montes Claros consideram a possibilidade ingressar com processos na Justiça contra o defensor de Adélio Bispo. 

De fato o direito preserva o anonimato, já que um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito é garantir a legítima defesa. Mas é espantoso que um sujeito simplesmente desequilibrado conte com tão prestigiada equipe de advogados pagos por um anônimo que não quer se identificar. Ainda sabendo que o principal advogado utilizou o próprio jatinho para se dirigir as pressas até Juiz de Fora. Haveria a possibilidade de alguém ter tido pena do louco sem querer se comprometer com a opinião pública, mas isso torna completamente dispensável as mentiras do advogado sobre o financiamento. A troco de quê? Aliás, a OAB não deveria abrir processo disciplinar contra o advogado que expôs duas organizações religiosas como suas financiadoras?

Como disse o amigo Eduardo Bisotto em publicação recente, é evidente que o esfaqueador não tem qualquer posse de suas faculdades mentais. Mas são justamente tipos assim que são utilizados como fantoches de gente sórdida. A história nos mostra vários eventos desta natureza, como o idealista Gavrilo Princip assassinando o arquiduque Franz Ferdinand a mando da sociedade secreta "Mão Negra"- a mesma que antes havia tramado o assassinato do rei Alexandar Obrenović e da Rainha Draga, sua esposa. Quem fazia parte do grupo supostamente dirigido pelo coronel Dragutin Dimitrijević? O impoluto Nikola Pašić, que por anos foi primeiro-ministro e homem forte da política. O radical anarquista Gavrilo Princip jamais poderia supor algo assim. Tanto lá quanto cá o cheiro de conspiração inunda as narinas. Resta saber se o desfecho será tão grave quanto foi a primeira Grande Guerra.

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