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O PT provavelmente estará no segundo turno com Bolsonaro. O caos está posto.



Antes mesmo da divulgação da pesquisa do Ibope, temos um cenário de polarização nos levantamentos do BTG Pactual e CNT. Em ambos os cenários temos a consolidação de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno e a ascensão de Fernando Haddad (PT). A BTG diz que Bolsonaro aparece isolado na liderança com 33% contra 16% de Haddad, o segundo colocado. Já a CNT estima 28% dos votos para Bolsonaro e 17% para o concorrente petista. Considerando que em ambas pesquisas a margem de erro é de 2 pontos, temos então consolidada a polarização entre esquerda e direita nestas eleições. 

Os números reafirmam o caráter exótico do atual momento da política brasileira: nunca antes o PSDB ficou fora do segundo turno. Geraldo Alckmin, que fez um excelente acerto com o chamado centrão não conseguiu seduzir o eleitorado com suas falas sobre gestão e moderação. Ao contrário: um dos maiores caciques da política brasileira agora está tecnicamente empatado com João Amoedo (que tem 4% das intenções de voto) e Marina Silva (que pontuou 5%). Alckmin se preocupou tanto em inviabilizar a candidatura de João Doria que passou a se colar em tudo o que ultimamente causa ojeriza na parcela do eleitorado que tradicionalmente votava nos candidatos de seu partido. 

A pesquisa também é reveladora de que não só Alckmin e o PSDB, mas todo o espectro democrático se equivocou nas escolhas feitas no pós-impeachment. Nunca é demais relembrar: ao invés da Direita brasileira escolher a pauta do enfrentamento a esquerda, nossos valentes passaram a se dedicar a mais medíocre das estratégias políticas: o enfrentamento a corrupção. Sim, por aqui se imaginou o impossível: combater a corrupção. Nossos capitães da direita se esqueceram que corrupção é coisa corriqueira na máquina pública, e que se trata de uma ação humana que ocorre desde o Ushuaia até a Lapônia. Nenhum governo do mundo erradicou a corrupção, mas aqui essa obsessão infantil se abateu com força sobre a Direita a ponto de igualarmos nossos adversários: Maluf, Temer, Jucá e tantos outros passaram a ser vilões do mesmo naipe que Dirceu, Jaques Wagner e Lula. É óbvio que nem todos os leitores concordam com a afirmativa, mas o fato objetivo é que os primeiros são quase inofensivos se comparados aos demais. Os primeiros desejam apenas sua carteira, enquanto os demais querem sua alma. Os primeiros não vão censurar a imprensa, impedir a liberdade de expressão, culto e propriedade. Não irão lançar adversários políticos na cadeia, em campos de concentração ou valas comuns. Ainda assim alguma tentação demoníaca fez com que toda a direita se precipitasse na demonização da política. Isso fez com que o país perdesse o foco e esquecesse que o Partido dos Trabalhadores ainda estava em pleno funcionamento.

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Essa escolha foi desastrosa. Enquanto a direita queria enforcar todos os políticos por corrupção, a extrema-esquerda se organizava em torno da narrativa do golpe em Lula. Que de tão bem fabricada, fez com que Lula mantivesse intactos seus bolsões eleitorais. Para completar, a classe média se esqueceu que parte dos votos do petista são recall dos programas sociais de seu governo. Passou-se a atacar os beneficiários destes programas e ameaçá-los de forma constantes. As obsessões puritanas não pararam por aí: a direita passou a desejar uma governança santa e técnica. Neste plano terreno. Nossos heróis queriam aqui o que nem a Noruega ou o Japão conquistaram: a política não poderia mais comportar interesses (o que em última instância inviabiliza o exercício da democracia), o político não deveria receber salário ou ter benefícios (não funciona assim em nenhum lugar do mundo, já que o cargo eletivo supõe certo grau de dedicação exclusiva) e até perda de tempo com abstrações colegiais (como João Amoedo falando que presidentes não deveriam morar em palácios, sendo que isso acontece em absolutamente todos os países do mundo - incluindo os desenvolvidos). As viagens lisérgicas de setores oriundos da classe média precipitaram a prolongação da crise enquanto a esquerda se preparava para retornar a cena. Enquanto nos perdíamos com essas amenidades, eles se organizavam. Prova disso é o material de campanha previamente preparado pelo PT para a campanha de Haddad. 

Essa visão da política pode ter beneficiado o candidato Bolsonaro, mas ao mesmo tempo o enfraquece: seria de supor que o líder isolado nas pesquisas demonstrasse igual desempenho do segundo turno - o que ainda não acontece de forma consistente. E isso considerando que Bolsonaro foi promovido na disputa por eventos como a facada pouco esclarecida e o movimento #EleNão, feito por alguns ideólogos da extrema-esquerda para enganar incautos. Bolsonaro parece até ter acordado para esta realidade, tanto que transmitiu uma live se colocando como única alternativa contra o petismo. Pode dar certo para ele, mas é preciso fazer mais. Ele terá que conversar com o centrão de Alckmin desde já. O voto que elegerá Bolsonaro não é o do militante de direita que já conhece o parlamentar, mas sim o cidadão que está afastado das bolhas. Mas como se aproximar de quem era considerado bandido até meses atrás? Como aparecer publicamente ao lado de quem foi chamado de ladrão?

Se antes isso parecia uma hipótese distante, agora estamos diante da real possibilidade de termos um representante do crime no segundo turno. Mais do que isso: um agente do totalitarismo na presidência da república. O criminoso que hoje ocupa o governo de Minas Gerais foi bem claro: Fernando Pimentel anunciou que seu xará pretende imitar Héctor Cámpora, o poste de Juan Perón que disputou e venceu uma eleição apenas para conceder indulto a seu mestre. Perón estava impedido de concorrer por restrições impostas pela ditadura, quando Cámpora se colocou como o candidato que traria o caudilho de volta ao poder. O poste ganhou 49,5% dos votos e cumpriu sua promessa: em 13 de julho ele renunciou ao cargo para abrir caminho para novas eleições. Foi o que bastou para que o anistiado Perón vencesse as novas eleições com 62% dos votos.

Não estamos falando aqui de mero "baguncismo", mas de uma realidade árida para um país que enfrenta mais de cinco anos de crise econômica e instabilidade política. O Brasil não sobrevive enquanto democracia com este cenário - agravado pela constatação de que os futuros derrotados não reconhecerão a derrota, e que provavelmente os vitoriosos não irão fazer o que é necessário em termos de reformas institucionais e econômicas. O que sabemos até agora é que ó novo presidente pode tanto ser alguém que terá uma oposição letal sem dispor do necessário trânsito no Congresso (o que pode ser resolvido se for escolhida a opção do pragmatismo tão demonizado pelas hostes do deputado) ou um outro que não passa de um laranja do chefe do plano criminoso de poder, que irá libertar Lula e jogar a Operação Lava Jato na lama. Isso se não houver perseguição de opositores. Não há muita esperança no horizonte. O caos está posto.


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