Ads Top


Alckmin e a tragédia anunciada



Muitos argumentam que Alckmin é um sujeito equilibrado, bom gestor público e talvez o mis certo para recuperar o país da crise. É verdade. Também é verdade que a estória da merenda não passa de boataria, já que quem investigou e denunciou a Coaf foi o próprio governo paulista na pessoa de Alexandre Moraes quando o agora ministro do STF era secretário de Segurança Pública do estado. O conto do PCC também é delírio, não há prova alguma. O arranjo político que ele fez para ter aliados e tempo de TV foi perfeito. Então, o que faltou? 

Voltemos aos idos de 2017. João Doria tinha certo hype, era cotado como futuro candidato. Alckmin então se lançou de forma impiedosa contra seu pupilo. Nos bastidores do PSDB se aliou com a ala esquerda, formada principalmente por rancorosos inimigos do capitalismo como Alberto Goldman – aquele velho comunista que era unha e carne com José Serra (outro canhoto). Depois Alckmin mobilizou suas tropas entre a covarde Juventude Tucana para perseguirem os aliados de Doria. Um dos arranjos mais toscos foi feito com o Esquerda Pra Valer, que composto majoritariamente por gente medíocre e capachos do petismo, acabou ascendendo de forma midiática graças ao Chuchu. Grupos liberais como o Conexão 45 passaram a sofrer perseguições por supostamente serem ligados ao MBL. Detalhe importante: não eram. Notícias favoráveis as alas da esquerda passaram a pipocar na imprensa, sempre com grandes petardos contra Doria e MBL. 

continua depois da publicidade



O episódio da farinata foi emblemático: enquanto Doria apanhava por apoiar uma ação da Igreja Católica de São Paulo, Alckmin compartilhava cards falando do Bom Prato para tripudiar sua criatura. Quando Doria falava contra a extrema-esquerda, Alckmin acenava para movimentos sem terra no interior, se aliava com socialistas no governo do estado e frisava que a missão do partido não era rivalizar com o PT. Quando Doria apoiava as reformas do governo Temer, Alckmin criticava o governo federal e dizia que como presidente do partido nada podia fazer para garantir que a bancada tucana apoiasse as propostas do executivo na Câmara. Foi no tempo dos tais cabeças pretas, aqueles imbecis aloprados que queriam desestabilizar o governo Temer apenas para lacrarem nas redes e se mostrarem limpinhos. 

Foram dias tensos. Houve relatos de golpe na eleição da Juventude Tucana, com vitória para os alckmistas – todos eles com o velho discurso da esquerda limpinha. O presidente deles, um tal Lucas Sorillo, aproveitou a ocasião para atacar o MBL. Disse que queríamos nos infiltrar no partido, que o PSDB não era lugar para gente conservadora como nós. Também sofremos ataques do Esquerda Pra Valer e da Ação Popular, cada qual disputando para ver quem mais agravada a esquerda. Lembro de um episódio em que uma figura proeminente do Esquerda Pra Valer tentou me constranger no elevador da FESPSP. Ele cursava um semestre a frente do meu curso e topou comigo justamente em um dia que havia um evento organizado por um coletivo negro. Daí veio fazer perguntinhas e provocações sobre o MBL na vista de todos, sabendo que eu poderia até ser agredido. Disse que estava muito feliz pois o candidato apoiado pelo movimento dele havia sido confirmado como candidato do partido. Respondi apenas que vencer internamente era fácil, o difícil era vencer a presidência. 

Agora nos encontramos nesta encruzilhada histórica graças a este tipo de comportamento. Como dizia o Luciano Ayan, muitos oportunistas colocam planos pessoais acima de agendas, acima da própria sobrevivência da sociedade. No fim das contas, o que temos é a conclusão de um plano que tinha problemas estruturais desde o início. O problema agora é que o erro de Alckmin pode entregar a presidência de bandeja para o PT.

Curta o Reacionário no Facebook:


[left-sidebar]

Tecnologia do Blogger.