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Os poucos momentos interessantes não salvaram o debate da BAND de ser um completo desastre


Ontem a TV Bandeirantes seguiu a tradição de inaugurar os debates presenciais televisivos. O confronto entre os candidatos se deu sem duas presenças dadas como certas tempos atrás: o candidato pelo Novo João Amoedo não foi convidado por não ter em sua coligação o número mínimo de cinco deputados federais, o que obrigaria a emissora a convidá-lo. A outra ausência foi Luis Inácio Lula da Silva, que não compareceu por motivos de força maior.

O debate de maneira geral foi desastroso. A organização do debate se perdeu, deixando o âncora Ricardo Boechat de calças curtas desde o início da transmissão sem áudio - desorganização que se seguiu ao longo do debate em que o jornalista recorria com frequencia a produção por não ter clareza sobre as regras.

No que tange aos candidatos, também foi um desastre. Havia uma clara orientação por parte de quase todos os candidatos a se evitar o confronto (principalmente com Jair Bolsonaro). O único que fugiu da regra foi o franco-atirador Guilherme Boulos, que iniciou sua exposição dizendo que ali havia "cinquenta tons de Temer" para depois atacar Bolsonaro com perguntas espinhosas no tom terrorista que lhe é particular.

Por sua vez Bolsonaro poderia ter sido melhor. Iniciou o debate apreensivo e vacilante, se justificando de forma exagerada das acusações feitas por Boulos. Perdeu a valiosa chance de perguntar a Boulos o que ele achava das invasões, se ele não tinha vergonha de ser um criminoso e de apoiar outro para a presidência da República. Bolsonaro também poderia ter rebatido a acusação de corrupção perguntando por qual motivo os parlamentares do PSOL não abriam mão do auxílio-moradia, e o que Boulos achava do escândalo do SINDSPREV - operado pela presidente do PSOL do Rio para alimentar as campanhas de Chico Alencar e Jean Wyllys. Mas depois do primeiro bloco claudicante Bolsonaro conseguiu se recuperar e manter uma serenidade que não faz parte de sua personalidade. É possível até dizer que fechou de forma digna, embora tenha se perdido em algumas questões.

Geraldo Alckmin foi tão insonso como sempre, utilizando um linguajar que certamente não foi compreendido pelo brasileiro médio. Se deteve em explicar sua predileção pelo modelo eleitoral alemão, além de se perder em minúcias técnicas que não acrescentaram nada ao debate. Não perdeu, mas também não ganhou nada.

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Henrique Meirelles foi o mais chato da noite, provocando sono nos telespectadores ao aplicar uma bizarra técnica de se colar na figura do ex-presidente Lula. Com uma dicção lamentável, Meirelles conseguiu apenas reafirmar que não representa uma candidatura que deva ser levada a sério.

Quem também foi digno de pena foi o senador Álvaro Dias. O sujeito parecia estar com a voz embargada pelo álcool (o que era reafirmado por sua vestimenta que seria mais adequada em um bar do que em um debate presidencial). A expressão facial e o cabelo também não passaram despercebidos. Nas propostas o candidato resolveu instrumentalizar a Operação Lava Jato, um misto de populismo com lavajatismo caipira. Foi horrível.

Quem foi ruim dentro da média foi Marina Silva, que parecia estar o tempo todo na iminência de um desmaio. Não falou coisa com coisa, fugiu da pergunta espinhosa sobre o aborto formulada por Boulos e saiu tão apagada quanto entrou. Prestem atenção em Marina: pode ser a última eleição antes de sua morte política. A candidata já não tem qualquer relevância, dificilmente fará um recall dos pleitos passados. Morrerá por inanição eleitoral e por incapacidade política.

Ciro Gomes foi outro que não brilhou, muito ao contrário do que se esperava de alguém tão falastrão. O único momento em que o coronel bravateiro se deu bem foi quando o maluco Cabo Daciolo acusou Ciro de ser fundador do PSOL. Isso não procede, já que o coronel á época estava no recém-criado PSDB (que não participou da fundação do Foro).



E o que dizer de Daciolo? Daciolo pregou, atacou a esquerda, falou da URSAL, profetizou de novo, anunciou planos que poderiam ser encaixados em todos os quadrantes políticos possíveis. Saiu do debate mostrando o quão confuso pode ser o posicionamento ideológico do homem comum - deixando no ar a possibilidade de roubar alguns votos de Jair Bolsonaro.

O debate da BAND teve seus momentos divertidos, mas no geral lembrou aqueles jogos medíocres da Copa do Mundo em que o confronto se dava entre potências como Arábia Saudita e Egito. O nível dos candidatos é completamente baixo e insatisfatório, complementado, é claro - pela fraquíssima categoria jornalística. Que os próximos sejam mais interessantes. 

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