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O Mensalinho do Twitter I | O escândalo do governador do Piauí não é o primeiro





A mídia anda tratando de forma muito tímida um escândalo que envolve o governador do Piauí e uma agência de marketing digital que recrutava influenciadores digitais para defenderem a gestão Wellington Dias. Em geral se tratava de conhecidos militantes de esquerda, mas como bons esquerdistas que são, não faziam trabalho voluntário. Veja o resumo feito pelo Tecmundo:

Rede de influencers pagos para falar de políticos é descoberta no Twitter

Uma agência que recrutava influenciadores digitais brasileiros no Twitter virou o assunto da rede social no último domingo (26). Após a denúncia de uma das pessoas que colaboraram com o esquema, vários perfis de grande alcance no site foram ligados a postagens suspeitas — e ilegais — sobre políticos.
Tudo começou com a usuária @pppholanda, que agora bloqueou o próprio perfil. Ela publicou uma série de capturas de tela de emails e grupos de WhatsAppmostrando que a agência Lajoy (que teria sido contratada por outra, a BeConnect) entrava em contato com perfis de alto número de seguidores com uma proposta: falar sobre temas e candidatos progressistas durante o período das Eleições 2018.
Em seguida, o influenciador recebia instruções no email com o tema e a pessoa a ser enaltecida de forma orgânica, com a linguagem original daquele perfil e sem qualquer indício de que a publicação foi patrocinada. Após postagens sobre Gleisi Hoffman (PT-PR) e Luiz Marinho (PT-SP), a próxima seria a respeito do atual governador do Piauí e candidato à reeleição, Wellington Dias, também do PT. Foi aí que a bomba estourou.
Desvendando o postSegundo @pppholanda, a promessa original de que pautas progressistas seriam discutidas foi quebrada ao sugerir apenas candidatos do PT, sem deixar claro que a ação era vinculada ao partido. Ao não receber respostas da agência organizadora a respeito dos questionamentos, ela resolveu publicizar o esquema na rede social.
Rapidamente, várias publicações de perfis de alta relevância na rede foram descobertas fazendo elogios nada sutis a Wellington Dias — sendo que os autores não possuem qualquer relação com o Piauí. O assunto mais citado é uma iniciativa de levar internet via fibra óptica a mais cantos do estado.
Várias das pessoas envolvidas rapidamente apagaram as postagens ou comunicaram que não sabiam que a ação era vinculada ao PT. Entretanto, outras capturas de tela confirmam que a iniciativa envolvia até mesmo o download de um app mobile do partido, o "Brasil feliz de novo".
É ilegal?A questão aqui é: um partido (ou uma agência contratada por ele) pode pagar influenciadores para fazer campanha? O jornal O Globo apurou que o artigo 24 da resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicada em 2017 é clara quanto a isso: "é vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por partidos políticos, coligações e candidatos e seus representantes".
Vale ressaltar que é bem possível que esse tipo de acordo aconteça com todos os partidos. No caso do esquema descoberto, nem mesmo um contrato era assinado, o que só dificultaria futuras investigações. A usuária @Iracroft fez uma breve explicação sobre o tema na rede social (clique no tweet abaixo para abrir a thread).
O advogado do PSDB no Piauí, rival de Wellington Dias, já entrou com uma representação por propaganda irregular. Já o candidato se defendeu alegando que não tem nada a ver com a ação, que seria "de uma moçada da direção nacional" do partido. A BeConnect afirmou ser contratatada apenas para "monitoramento de redes sociais". O PT ainda não se manifestou sobre o caso.

Mas vejam só: não é a primeira vez que o Partido dos Trabalhadores comete tal crime. Releia abaixo um trecho da matéria da BBC sobre a rede clandestina operada pela campanha de Dilma Rousseff a presidência em Março deste ano (leia na íntegra aqui).

Exclusivo: Investigação revela como blog defendia Dilma com rede de fakes em 2010

[...]São usuários como "Juliana Miranda" ou "jujummiranda", que escrevia tuítes sobre o curso de Psicologia ("Freud é uma das minhas paixões") entremeados com outros em apoio a Dilma ("os capixababas querem Dilma, deu pra sentir hoje nas ruas"), além de retuitar a página "Seja Dita Verdade". Sua foto pertence, na realidade, a uma blogueira finlandesa.

Mais adiante:

[...]A empresa apontada pelos entrevistados como responsável pelo serviço é a Ahead Marketing, de Gabriel Arantes Cecílio e, na época, também de Arnaldo Lincoln de Azevedo. Em seu site, é descrita como uma agência que adaptou o "marketing de guerrilha" para a realidade política. Oferece serviços como o de "invisible talkers" (comunicadores invisíveis), "grupo de agentes treinados que inserem mensagens em pontos estratégicos da cidade, por meio de diálogos entre eles mesmos ou com a população".
Questionados por e-mail, os dois negaram ter participado na "produção de notícias falsas", mas não responderam à pergunta sobre a produção de perfis falsos. Além disso, disseram não poder comentar se foram contratados para atuar na campanha de Dilma Rousseff em 2010 porque não falam sobre "clientes ou supostos clientes" (leia mais abaixo).
O site da agência informa que ela participou "dentro e fora do Brasil" de "campanhas vitoriosas para a Presidência da República, governos estaduais e de grandes capitais", sem especificar quais.

Como diz o ditado, o criminoso sempre volta ao local do crime. Como o escândalo envolve vários aspectos complexos, iremos tratar isso em uma série. Continue nos acompanhando por aqui.

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