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Colunista da Carta Capital cita pseudônimo de brasileiro como "grande sábio do mundo islâmico". Fake news ou burrice lacradora?





A Carta Capital publicou um artigo na coluna "Diálogos da Fé" sobre a contribuição do mundo islâmico as ciências. Dentre os nomes, a autora da coluna destaca as contribuições de Malba Tahan para a matemática. "O que seria da matemática sem Malba Tahan? Ou da medicina sem os estudos de Ibn Sina? #DiálogosdaFé", disse a autora. Só tem um problema: Malba Tahan nunca existiu. Leia o trecho.


Sim, você já pode até ter lido o fantástico livro "O Homem que Calculava" e se divertido com as peripécias do persa Beremiz Samir. Mas é bom lembrar que tudo não passa de um universo criado pelo brasileiro Julio César de Mello e Sousa (1895-1974). Matemático e pedagogo, Julio dedicava parte de seus trabalhos a tornar o ensino da matemática mais lúdico e atraente para jovens e crianças. Foi neste sentido que ele criou o personagem Malba Tahan. Mello e Souza idealizou uma obra que resgatasse o sentido da matemática como conhecimento fundamental oriundo do mundo antigo, mas queria que o personagem que contasse a história fosse um sábio árabe que parece verossímil para seus leitores (prevendo que isso aumentaria o interesse). Para isso ele gastou sete anos de sua vida estudando a cultura árabe, construindo um dos heterônimos mais fascinantes da literatura em língua portuguesa (não deve em nada ao trio Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos - de Fernando Pessoa). O professor fluminense absorveu tantos conhecimentos sobre o mundo árabe que ainda hoje muitos acham que Malba Tahan de fato existiu. Inclusive a colunista da Carta Capital. 

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A colunista tem nome, é claro. Chama-se Patrícia Soares. É historiadora pela USP e professora na rede de ensino público, além de se apresentar como ex-professora de História Islâmica da Universidade Islâmica do Brasil. Bom, parece inverossímil uma mulher professora de História Islâmica em uma Universidade Islâmica. É inverossímil ver uma mulher em uma universidade islâmica. Mais inverossímil ainda é ver uma mulher professora de uma universidade islâmica afirmando que Malba Tahan foi um grande intelectual de seu tempo. 

Não sabemos se a Carta publicou uma Fake News ou se foi só a mistura da ignorância com a ânsia pela lacração. Afinal de contas, pega bem nos círculos de degenerados disparar bobagens como a do "Cristo Refugiado" e do que "não existe gênero", mas o fato é que não deixa de ser um grande vexame. É verdade que o mundo árabe fez grandes contribuições a humanidade, coisa que pouquíssimos malucos têm a coragem de negar. Para isso é possível citar Averrois, Ibn Tuffal ou Maimônides (que mesmo sendo muito associado ao esplendor do mundo árabe, era um rabino que viveu na Espanha dos mouros). Mas Patrícia quis ir além. Ao dourar a pílula, acabou passando vergonha.

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