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A absurda justificativa da Ombundsman da Folha para a matéria difamatória contra PM Juliane



Finalmente a Folha de São Paulo se posicionou sobre a matéria difamatória contra PM Juliane Duarte, morta por criminosos na favela de Paraisópolis cujo corpo foi encontrado na última semana. Como era de se esperar, a Folha suavizou o fato, colocou panos quentes e diminuiu responsabilidades. O que não se esperava era uma justificativa tão absurda como "linguagem narrativa equivocada e resultados possivelmente diferentes se houvessem mais mulheres na redação".

Sim, foi isso que o leitor leu. A atual ombundsman Paula Cesarino Costa creditou as linhas sujas de Rogério Pagnan a um possível erro por utilizar termos coloquiais estranhos ao manual do jornal, apontando no final de seu texto que a falha de comunicação se deu apenas por ser um linguajar exótico utilizado sem a devida sensibilidade - o que poderia ser diferente se fosse escrito por uma mulher.

Evidente que antes a jornalista havia rejeitado qualquer viés anti-policial, salientando a importância jornalística em publicar que a policial militar havia conhecido duas garotas, participado de uma festa, se descolado até a residência de uma delas para pegar mais cerveja e depois ido até um bar - onde finalmente ocorreram os primeiros passos da tragédia.

Imagino cá com meus botões que Marielle Franco não teria o mesmo tratamento. Qualquer um daqueles funcionários do senhor "Otavinho" Frias Filho teriam todo o cuidado do mundo em noticiar que a vereadora havia ido a um motel com sua namorada caso descobrissem que o fato se deu um dia antes do assassinato. Provavelmente cairiam em si para o fato de que o homicídio se deu após uma palestra previamente marcada, com característica de execução e todos os fatos que já conhecemos. Os jornas iriam se arrepiar e mudar o texto, já que o fato não tem qualquer relevância para os acontecimentos posteriores. No caso de Juliane o cuidado é dispensável e o veneno de se explorar a vida particular e sexual se tornam fatos relevantes para o jornalismo.

Agora vamos ver o que a ombundsman falou do caso William Waack

Um jornalista vive da credibilidade que constrói por seus atos e afirmações. Quanto mais se mantém isento e objetivo, mais angaria credibilidade. O comentário racista descortinou um aspecto da personalidade de William Waack que permite aos consumidores de notícias questionar sua prática profissional, mas não legitima que seja linchado virtualmente.
Um dos papéis da imprensa é revelar facetas incômodas dos personagens que investiga. Quando um dos seus repete comportamentos que condenariam em personalidades públicas, os grupos jornalísticos não podem se omitir, sob o risco de se tornarem cúmplices.
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Pois é, a mesma regra que se aplica a Waack não se aplica a Rogério Pagnan... Agora imaginem, o fato da PM ser negra, periférica e homossexual justificam a abordagem e explicam os termos depreciativos de Rogério Pagnan. Se o leitor se indignou com o fato, é porque não entendeu a proposta do jornalista. A culpa não é da Folha, que deixa uma porcaria daquelas passar por um chefe de redação, um editor de seção e um Diretor-geral. A culpa é do leitor pouco habituado a outras formas de linguagem. Como diz Paula Cesarino Costa: "cada reportagem tem de ser analisada em seu contexto único. É ilusório ampliar o foco para uma série de textos porque nem todos leram todos os textos. A análise deve ser concentrada na experiência de leitura de cada um deles". 

Sim, a culpa é da sociedade brasileira. E talvez da falta de mais mulheres na redação dos grandes jornais. O fato de Paula Cesarino Costa ser mulher aparentemente não a faz compreender que retratar uma profissional da segurança pública como uma homossexual boêmia e promiscua é algo desrespeitoso para com a vítima, sua memória e sua família. Para Paula Cesarino, a culpa é do leitor que não entendeu o texto. E da necessidade de soluções feministas. Ou seja: a própria jornalista mostra o quão fajuto é o feminismo, já que o fato de ser mulher não a fez ter sequer respeito pelo calvário vivido por outra que sequer teve a oportunidade de se defender.



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