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Bolsonaro saiu maior do Roda Viva pois os jornalistas da New Left não conhecem o mundo real


Por Thomaz Henrique Barbosa

No início do século XX, tínhamos a ascensão de socialistas e comunistas em toda a Europa. O pensamento de esquerda era majoritariamente influenciado pelo ideário marxista de luta de classes, de patrões versus operários. O nazi-fascismo, terceira via entre o socialismo e o liberalismo, criou um espantalho a partir do marxismo, onde o conflito de classes era atenuado através da luta sindical e o ateísmo comunista dava lugar ao adesismo às religiões oficiais ou ao esoterismo. Coisas semelhantes foram replicadas na América do Sul, casos de Vargas e Perón.

Com a derrocada desta terceira via e o início da guerra fria, a Europa se dividiu entre capitalista e socialista (leste). Não preciso ser mais específico, todos conhecem essa história. A partir daí, através de uma economia liberal de mercado, a Europa ocidental prosperou. Dá-se, então, o fortalecimento dos partidos sociais-democratas e fabianos, buscando a conciliação de classes e um esquerdismo pretensamente democrático.

Com a queda do muro de Berlin e o fim da guerra fria com a dissolução da URSS, a Europa ocidental goza de prosperidade enquanto o leste europeu se refunda. Com abundância de riqueza decorrente do modelo econômico adotado, os sociais-democratas ascendem eleitoralmente no ocidente ao denunciar as falhas da economia de mercado ao revindicar uma melhor distribuição de renda e a mitigação da desigualdade social.

O Estado de Bem Estar Social, portanto, nasce e prospera na Europa ocidental após a impulsão permitida pela adoção da economia de mercado. Há controvérsia acerca das limitações dessa política tendo em vista que a social-democracia tende a aumentar os gastos públicos, sobretudo com assistência social, o que eventualmente pode caminhar a um colapso econômico que force o retorno de políticas liberais e de austeridade, em um eterno looping. Isso não nos interessa.

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Interessa, contudo, que foi no início deste Estado de Bem Estar Social que a esquerda passa a se reinventar na Europa, abandonando em boa parte o marxismo e aderindo a pensadores contemporâneos, como Foucault. Com uma sociedade próspera, com pouca desigualdade e em um Estado que preenche as mais básicas necessidades humanas, a conciliação de classes é indiscutível. A partir daí, as discussões passam a ser mais "superficiais". 

Homossexualidade, banheiro trans, ideologia de gênero. Termos como misoginia, sexismo, etc, ascendem ao debate público primário e ganham força a partir dos anos 90. Perante o "triunfo" do capitalismo em uma sociedade conciliada, os partidos de esquerda deixam de debater essencialmente economia e abandonam a ideia marxista de que a superestrutura e a luta de classes formam o debate essencial para buscar no "lumpemproletariado" as incongruências do liberalismo.

Tudo isso para dizer, enfim, que Jair Bolsonaro, pré-candidato à presidência da república, venceu o embate com os jornalistas do Roda Viva. A classe jornalística da grande imprensa brasileira vive em um país desigual, que jamais experimentou a economia de mercado antes de se pensar em um Estado de Bem Estar Social, conforme ocorreu na Europa. Mas são todos brancos, formados em boas faculdades públicas e privadas, parte de uma elite burguesa alheia aos problemas reais do Brasil.

Para eles, em frente a Bolsonaro, era necessário confrontar a ditadura, o machismo, o racismo, a misoginia e o sexismo. Para eles, portanto, são esses os grandes debates que precisamos travar em uma disputa presidencial. Os burgueses da elite do jornalismo brasileiro, do alto de seus castelos, enclausurados em suas bolhas ideológicas e entre amigos descolados que vivem entre a ponte aérea Vila Madalena e Leblon, não fazem ideia do que é o Brasil Real.

O Brasil teve o seu similar ao fascismo, mas após a segunda guerra, não experimentou a economia de mercado e a transição para o Estado de Bem Estar Social. Lula, em 8 anos, tentou fazer no Brasil o que houve na Europa em 5 décadas, misturou "neoliberalismo" com social-democracia até certo ponto com relativo sucesso mas no legou, ao final, a herança "trabalhista" e, portanto, ainda marxista, de um partido de esquerda em uma nação subdesenvolvida. Não há como falar nas pautas da "new-left" enquanto a desigualdade ainda é tão latente.

A preocupação do brasileiro, da maioria que decidirá a eleição, é se vai ter emprego a partir do ano que vem, se sairá às ruas e se sentirá seguro contra a violência, se o filho vai estar na universidade, se, enfim, sua vida vai melhorar. Lula foi e é um sucesso porque conseguiu convencer que seus 8 anos melhoraram a vida desse brasileiro médio, que decide eleição. Machismo, misoginia, direitos gays, etc, são debates nossos, dessa elite burguesa que tem emprego, saneamento básico, convênio médico, etc. Importaram os debates europeus para um Brasil que ainda tem metade de sua população sem saneamento básico adequado.

É por isso que em São Paulo, por exemplo, os irmãos Tatto (PT) elegeram dois vereadores, deputado estadual e deputado federal com votos no Grajaú, Capela do Socorro, Parelheiros, etc. Periferia do extremo sul. Enquanto isso a vereadora Sâmia Bomfim do PSOL teve o grosso de seus votos em Pinheiros, Perdizes, Itaim Bibi, Brooklin e Vila Nova Conceição, áreas ricas da capital paulista. Enquanto o Partido dos Trabalhadores foi criado com bases populares, operária e sindical, o PSOL é o partido de esquerda europeu importado para o Brasil e, por isso, sua agenda dialoga apenas com essa elite burguesa. O socialista de iphone com alegada consciência social.

No Roda Viva, Bolsonaro passou ileso. Talvez tenha, inclusive, ganhado alguns votos. Os preconceitos e opiniões que o deputado omite é, em grande parte, o que este brasileiro médio também pensa sobre os mesmos assuntos e, por isso, e por tudo que foi dito neste artigo, é que não é incomum encontrar quem afirme votar em Lula e, se não for possível, em Bolsonaro, ou vice-versa. Se seus adversários nos debates televisionados forem tão alheios à realidade quanto os jornalistas do Roda Viva, aí então teremos o caminho aberto para que o candidato do PSL chegue ao Palácio do Planalto.


 Thomaz Henrique Barbosa é jornalista, escritor, assessor parlamentar e Coordenador Municipal do Movimento Brasil Livre - São José dos Campos. 


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