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Até quando permitiremos que criminosos controlem fatias do território nacional estabelecendo sua própria lei?


O estudante Matheus Passarelli é a mais nova vítima do tráfico. Independente das conclusões que possam ser tiradas sobre sua vida pregressa ou sobre as circunstâncias da morte, o fato é que o Brasil presenciou mais um ato de pura barbárie. Matheus teria se drogado em uma festa próximo ao morro do 18, em Quintino. Saiu vagando nu e fora de si, até chegar no morro onde foi detido por traficantes. Questionado sobre o motivo de entrar naquele território daquela forma, foi julgado pelo crime e morto na sequência. Está lá no G1:
"Ele foi levado aos traficantes para tentar explicar ali o porquê da situação e não conseguiu se defender ao ponto de ser liberado. E o mataram sem qualquer justificativa (...) Ele foi julgado, tentou se defender, mas segundo moradores ele continuava falando as frases desconexas. Ele não tinha consciência de que ele estava passando por um 'tribunal' e, por essa razão, foi morto", explicou ao RJTV a delegada Ellen Souto, da Delegacia de Paradeiros.
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Aqui e ali se ouve dizer que o jovem despertou tamanha reação por ser transgênero, por se apresentar como "Matheusa". Outros apontam o fato de que ele "procurou" a morte ao se drogar em uma festa próxima a um local tão perigoso. Esses pontos nem de longe traduzem os fatos.

O fato de Matheus ser ou não transgênero não foi determinante para sua morte, isso não pode ser enquadrado como um caso de homofobia. O que houve foi a ação de indivíduos que sequestraram o poder do estado e que dominam parte do território nacional como se fossem dignos desta legitimidade. Em que se pese o fato de que se drogar a ponto de se expor a tal perigo não é algo recomendável, também é verdade que nossas leis não encaram execuções como algo corriqueiro, e que o fato de alguém estar drogado ou nu não nos autoriza a dispôr sobre a vida dela.

O tráfico tem esta expressão cruel por se tratar do crime reclamando para si poderes de Estado. Um poder que não passa pelas sutilezas do contrato social ou da dinâmica da história, que se constrói unicamente com base no medo de alguns e na omissão conivente de outros. Em um Estado democrático de Direito, ninguém seria morto por algo que só faz mal a ele próprio. No pensamento truculento do tráfico, o que vale é o humor de quem segura o fuzil. Não por acaso que alguns expulsam desde missionários católicos e evangélicos até mães de santo. Nada ali seque a dinâmica normal, seus cidadãos possuem menos direitos que os demais brasileiros. O tráfico não é apenas o poder que controla a comercialização da droga, mas se impõe como uma entidade dona da alma daqueles moradores.

Lamentável seria se Matheus houvesse sido vítima de um erro, quando na verdade ele é mais um que perderá a vida porque alguns políticos resolveram apoiar a primazia do crime organizado. Alguns o fazem por conveniência, já que colaboram com o tráfico. Outros por convicção ideológica, já que o tráfico desestabiliza a democracia liberal. Quem sofre são os familiares dos que são diariamente imolados pelo estado paralelo. Muitos dos que agora simulam indignação contra o assassinato de Matheus desejam a continuidade do tráfico para que as contradições do capitalismo possam ser expostas. São os únicos beneficiários do caos. Para ver quem são os hipócritas, é só observar as reações no debate público: não veremos os falsos humanistas defendendo respostas ao tráfico da mesma forma com que tentaram acabar com a Polícia Militar antes de qualquer conclusão a respeito da morte da vereadora Marielle Franco.

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