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A loucura: algum entusiasta sabe dizer o que este caos trouxe de positivo para o Brasil?




Estamos no oitavo dia de paralisação dos caminhoneiros. O Brasil acumula um prejuízo de R$ 29 bilhões de reais para a economia brasileira desde o início do movimento. Sem falarmos nos R$ 13 Bilhões que nos custarão as recentes ações do governo Michel Temer em sua capitulação. 

Claro, o direitista médio dirá que os caminhoneiros estão corretos. Que pagar muito imposto é um escárnio, que nós devemos pedir o fim da corrupção, que a gula estatal deve ter fim. Que somos um país governado por uma elite anacrônica que só pensa em suas conveniências enquanto o povo morre nas filas dos hospitais, que nos falta educação, segurança e condições de empreender. 

Quem disser isso terá dito apenas verdades. Mas terá errado de forma retumbante se afirmar ao final que a greve dos caminhoneiros mudaria este estado de coisas. 

Vamos recapitular alguns pontos: a greve dos caminhoneiros era uma ação corporativista. A bandeira da redução de impostos só foi cogitada pelos apoiadores, por parte dos grevistas a idéia era apenas reivindicar a volta dos subsídios do governo Dilma Rousseff. Tanto é verdade que começaram a pedir a cabeça do presidente da Petrobras, Pedro Parente. É dele a política de vender o combustível com o preço real, não com a maquiagem política. Por isso foi fritado pelos grevistas. Os mesmos grevistas jamais fariam o mesmo com Ademir Bendine, Graça Foster ou Sérgio Gabrielli - nomeados por petistas e mantenedores dos benefícios aos caminhoneiros e transportadoras (pagos pelos demais brasileiros, diga-se de passagem). E Nestor Cerveró? Este era bom? A história e a Operação Lava Jato nos mostram um perfil completamente oposto ao de Pedro Parente. 

Os grevistas também não pediram a redução do tamanho do Estado. Malandramente passaram a estender o foco para questões como corrupção e falência do Estado. Foi quando o processo tomou corações e mentes de desavisados que caíram no conto da sereia estradeira. Pessoas que sempre criticaram CUT, MTST, MST e afins por bloquearem estradas passaram a ver algo de belo e moral nas ações dos caminhoneiros. 

O delírio e loucura tomaram outros contornos quando grupos políticos da direita e da esquerda ocuparam lacunas entre os grevistas. De forma geral, todos pediram #ForaTemer - mas cada qual a sua maneira. Alguns pediam a renúncia do presidente e a convocação de novas eleições. Alguns malucos pediam intervenção militar (apenas para serem rechaçados pelos comandantes das Forças Armadas). Houve até um petista inflamado de nome André Janone que passou a fazer discursos moralistas contra o presidente. Desmascarado, tratou de dizer que sua opinião política não guardava qualquer relação com o movimento. Até o deputado federal Jair Bolsonaro resolveu apoiar o movimento.

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Pronto. O caos estava posto. Começou com a paralisação e atraso em entregas, virou metástase quando passou a obstruir estradas e provocar desabastecimento de combustível e alimentos. Enquanto os loucos riam, o país sangrava diante do macabro. Conservadores aplaudiam a patetada da greve-locaute enquanto validavam aqueles atos - já que esperavam que fosse surgir uma nova ordem nacional daquela bagunça. Teve até um famosinho do Facebook comparando com a Festa do Chá - evento decisivo para a Independência Americana. A cegueira não permitiu distinguir um ato de rebeldia colonial contra um governo de inspirações tirânicas de um conluio sindicalista que ameaçava incendiar o país. 

E no fim a ebulição deu uma esfriada. O povo começou a desconfiar das pautas difusas do movimento. Não entendeu quando o governo negociou com lideranças e viu que o movimento possuía outros tantos líderes informais que faziam exigências cada vez mais absurdas e distantes da realidade. Se sentiu traído ao ver que os guerreiros sebastianistas arrefeceram após o acordo de redução do diesel, deixando de fora os milhões de patetas que pagam tão caro na gasolina. Viu vários presidenciáveis de esquerda e direita querendo tirar seu quinhão do caos. O sujeito acostumado a tantas intempéries se viu em um cerco: não podia utilizar transporte público e nem privado, não conseguia comprar alimentos ao mesmo tempo em que não tinha combustível. Ao mesmo tempo em que as pretensões políticas dos diversos grupos ficavam mais evidentes. 

Foi assim que chegamos até aqui. No país do desabastecimento, temos aves mortas nas estradas, leite descartado e perecíveis inutilizados. Serviços médicos prejudicados, patrulhamento policial feito no limite e poucas perspectivas. Os histéricos, os oportunistas, os carentes, os desavisados: cada um deles colaborou com um tijolo desta construção demoníaca. Agora que nos vemos diante desta quimera, a pergunta a ser feita para os entusiastas do caos e da revolução é sobre qual foi o legado positivo deste levante. Como o país melhorou após a greve? Como nossas instituições melhoraram. Os corruptos caíram? A saúde, a segurança e a educação melhoraram? Nos tornamos uma Suíça? Os militares que foram tão aclamados pelas hordas resolveram acabar com a roubalheira? Não. Aliás, os militares se mostraram completamente sóbrios e prudentes. Desde o General Mourão, que condenou a delinquência - até o Comandante Villas Boas, que rechaçou a quebra de ordem institucional e a desordem. Ainda há cabeças pensantes no Brasil. Gente que pensa no Estado, não no oportunismo e no idealismo rastaquera. É pouco, mas é tudo que temos. 

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